Mostrando postagens com marcador Cannes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cannes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

10+ Filmes de Hirokazu Koreeda

Hirokazu Koreeda é o mais importante cineasta japonês em atividade e, provavelmente, o melhor autor de filmes sobre 'família' no cinema atual.
Nascido em Tóquio em 1962, estudou literatura, mas logo decidiu-se pelo cinema.
Costuma ser comparado ao clássico diretor Yasujiro Ozu, mas admite-se mais influenciado pelo britânico Ken Loach.
Em seus filmes, os atores e temas costumam se repetir. Há sempre uma peça faltando nas famílias que retrata, mas há também muita delicadeza neste retrato que ele produz.
Apesar de algumas diferenças culturais óbvias entre o povo japonês e nós ocidentais, o ser humano é sempre parecido e não há como não nos identificarmos com a maior parte das situações abordadas.
Esta lista deveria ter 10 filmes, mas já que Koreeda dirigiu 12 longas de ficção até esta data, preferi falar de todos eles.

1. Andando
2008. Num dia de verão, um filho e uma filha, já adultos, vão, com as respectivas famílias, visitar os pais idosos. O objetivo do encontro é honrar a memória do filho mais velho, que morreu afogado quinze anos antes, ao salvar o irmão. O conforto da velha casa dos pais, vai dando lugar aos ressentimentos adormecidos, tornando o clima insuportável. Koreeda gosta de imagens simbólicas, como ao destacar a estatura do filho em relação ao pé direito da casa, sempre tendo que se abaixar, como quem já não cabe mais ali. É um filme belíssimo, meu favorito do diretor, que deixa um nó na garganta do espectador.

2. Assunto de Família
2018. O filme que deu finalmente a Palma de Ouro de Cannes a Koreeda. O roteiro engenhoso parece juntar ideias de alguns de seus filmes anteriores,as mais óbvias de 'Depois da Tempestade' e 'Ninguém Pode Saber'. Uma família nada convencional e absolutamente amoral se une na casa de uma velha senhora, com objetivo comum de sobreviver, ainda que a custa de pequenos e grandes golpes. Cada um tem sua própria história e seus motivos para estar no grupo e o filme desvenda isso aos poucos.  

3. Pais e Filhos
2013. A vida de um homem de negócios sofre uma grande transformação quando ele descobre que está criando o filho de outro casal há seis anos, já que seu filho biológico foi trocado por engano na maternidade. O diretor desenvolve um melodrama sem maniqueísmo e sem solução fácil. Expõe as complicadas nuances da paternidade em diversos níveis. Constrói ainda algumas sequências geniais, como a do reencontro entre pai e filho num caminho que se separa e volta a convergir. Comovente e genial. 

4. Nossa Irmã Mais Nova
2015. Um drama sensível sobre três irmãs que vão ao enterro do pai, onde conhecem sua meia-irmã adolescente e a convidam para morar com elas. Desta convivência descobrem os pontos que há em comum entre elas e com o falecido pai. Sensível e delicado, não exagera nos dramas, privilegia a integração harmônica da garota ao novo ambiente. 

5. Ninguém Pode Saber
2004. Quatro irmãos mudam-se com sua mãe para um pequeno apartamento em Tóquio. Apenas o filho mais velho entra normalmente no novo lar, os demais chegam escondidos em malas. Ninguém pode ficar sabendo que mais de três pessoas vivem ali, sob o risco de serem expulsos. Tudo vai bem até que a mãe os abandona, deixando para o filho mais velho de 12 anos, um bilhete e um pouco de dinheiro. Começa então o duro processo de amadurecimento precoce do garoto. Como em qualquer grande cidade, as crianças passeiam como fantasmas pelas ruas, sem serem percebidos, verdadeiros párias sociais. A empatia que elas nos despertam quase nos deixa sem ar. Baseado numa história real, foi o primeiro grande sucesso de Koreeda. 

6. Depois da Tempestade
2016. O Japão está prestes a receber o 23º tufão do ano. A matriarca Yoshiko, uma mulher idosa que mora sozinha, recebe a visita de dois filhos que não costumam ir à sua casa: ele é um escritor fracassado que ainda sofre com o divórcio e vive de bicos como detetive, e a filha mais velha, que tenta passar por exemplo da família, também tem seus problemas. Juntos, eles aguardam a chegada do tufão e relembram a morte recente do pai. No espaço exíguo do apartamento da mãe, as relações tendem a ficar mais tensas, as pessoas se esbarram e nunca chegam a uma distância confortável. Mesmo o esconderijo no playground é claustrofóbico. Um Koreeda mais intimista. Um pequeno grande filme.

7. O Que Eu Mais Desejo
2011. Depois do divórcio de seus pais, o irmão mais velho vai morar com sua mãe na casa dos avós, enquanto o irmão mais novo fica com o pai, guitarrista em outra cidade. O maior sonho do garoto é ver sua família reunida novamente e para isso elabora um complicado plano, que envolve a energia mágica gerada do cruzamento de dois trens bala. Delicado, ingênuo e comovente, conta através da visão das crianças que nossos sonhos infantis permanecem por toda nossa vida. É apenas lindo, 

8. Depois da Vida
1998. Depois de morrer, cada indivíduo passa por um processo onde é aconselhado por mortos mais antigos na tarefa de escolher uma lembrança que será a única memória que eles poderão levar para o além-vida e descrevê-lo para uma equipe de cineastas filmar essa recordação. Uma ideia estranha e original, que chamou a atenção do cineasta no ocidente. Se encaixa nos temas de Koreeda, na medida que preeenchem o outro lado dos personagens ausentes nos demais filmes.

9. Boneca Inflável
2009. Um garçom de meia idade vive sozinho com uma boneca inflável, que trata como se fosse uma mulher de verdade, contando de seu dia, cuidando dela e, claro, tendo relações sexuais. Um dia, sem que ele perceba, a boneca ganha vida e sai para explorar o mundo. As alegorias à vida moderna são óbvias, mostrando um mundo onde as pessoas são vazias e o dia a dia mecanizado. Quando ela descobre que tem um coração, também conhece o amor e o senso de maternidade. 

10. A Luz da Ilusão
1995. Aos 12 anos, uma menina testemunha o desaparecimento de sua avó, quando esta decide voltar à sua cidade natal para que possa morrer. Anos depois, a moça se casa com um amigo de infância, com quem tem um filho. Até o dia em que, sem explicação, ele se suicida. Com medo de perder tudo novamente e com um sentimento de culpa, cinco anos mais tarde, ela se casa novamente. Mas os pesadelos do passado nunca vão deixá-la em paz novamente. Um drama valorizado pela interpretação contida de Makiko Esumi. Primeiro longa de Koreeda.

11. O Terceiro Assassinato
2017. Um advogado de elite obrigado a defender o suspeito de assassinato de um industrial. O acusado já cumprira pena por outro assassinato há 30 anos e não tem problemas em se considerar culpado, mesmo com a provável pena de morte a qual seria condenado. Ao investigar familiares do suspeito e da vítima, o advogado passa a ter dúvidas sobre a autoria do crime. Um filme policial intrigante, com a digital do diretor impressa.

12. Tão Distante
2004. Membros de um culto religioso realizaram um ataque terrorista ao abastecimento de água de Tóquio, matando centenas e envenenando milhares, para, em seguida, cometem um suicídio em massa às margens de um lago. Desde o acontecimento, três anos antes, alguns familiares dos membros da seita se encontram anualmente no lago para prestar homenagem aos seus entes queridos. Em flashbacks, conhecemos um pouco do que teria levado aquelas pessoas a um ato tão absurdo e o impacto que isso teve nas famílias, também vítimas. Belo filme.








segunda-feira, 29 de maio de 2017

10 Filmes Premiados em Cannes 2017


O festival de Cannes foi criado em 1946 e é, de longe, a mais importante das mostras de cinema. De nomes consagrados a diretores estreantes, o festival procura garimpar o que de melhor se produz no mundo.
Nesta 70a. edição, o júri comandado por Pedro Almodóvar dividiu a premiação entre filmes fortes e provocativos.
Esta lista traz 10 filmes que não assisti ainda e, conforme os veja, vou adicionar comentários a cada um dos premiados.

1.  The Square (Palma de Ouro. dirigido pelo sueco Ruben Östlund do ótimo 'Força Maior', é uma sátira mordaz do mundo da cultura. Claes Bang interpreta o arrogante curador de um museu ultrachique de arte vanguardista em Estocolmo. a tal arte conceitual que apresenta é uma paródia de si mesma. o ponto alto é uma performance de um artista imitando um gorila durante um jantar de gala entre os ricos patrocinadores) (clip)

2.  120 Battements par Minute (Grand Prix. do francês  Robin Campillo, roteirista de 'Entre os Muros da Escola' e diretor de 'Eastern Boys' e 'Les Revenants', um drama tocante sobre a indiferença geral quando do surgimento da Aids, emoldurando uma história de amor entre um militante soropositivo e um novato não contaminado. pesado, longo e incômodo) (trailer)

3.  O Estranho que Nós Amamos (Melhor Direção - Sofia Coppola. refilmagem do ponto de vista feminino do suspense 'The Beguiled' de 1971, sobre um cabo da União - Colin Farrel - que, durante a guerra civil americana, é e encontrado ferido e levado para um internato de mulheres, onde causará uma perigosa tensão sexual. no elenco estelar: Nicole Kidman, Krinsten Dunst e Elle Fanning) (trailer)

4.  You Were Never Really Here (Melhor Ator - Joaquin Phoenix e Melhor Roteiro - Lynne Ramsay, baseado no livro de Jonathan Ames. thriller dirigido pela escocesa Lynne Ramsay de 'Precisamos Falar sobre Kevin' sobre um veterano de guerra, que vive de trabalhos marginais, como matar pessoas, e é contratado por um senador para resgatar sua filha pré-adolescente do tráfico sexual. Claro, tudo dá errado) (teaser)

5.  Aus dem Nichts / In the Fade (Melhor Atriz - Diane Kruger. do alemão, de ascendência turca, Fatih Akin dos excelentes 'Contra a Parede' e 'Do Outro Lado'. é um drama sobre uma mulher que se desespera com a morte do marido imigrante e do filho de seis anos num atentado à bomba. depois de um período de depressão, ela decide investigar por conta própria) (trailer)

6.  Nelyubov / Loveless (Prêmio do Júri. do russo Andrey Zvyagintsev de 'Leviathan'. sobre um casal prestes a se divorciar, cujo filho de 12 anos desaparece durante uma das discussões sobre sua custódia, que nenhum deles quer assumir. a cena do garoto escutando em silêncio a briga parece ser de cortar o coração) (trailer)

7.  The Killing of a Sacred Deer (Melhor Roteiro - Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou. do grego Yorgos Lanthimos dos cultuados 'Dente Canino' e 'O Lagosta'. após a morte de um paciente, um brilhante cirurgião cardíaco - Colin Farrell - tenta trazer o filho adolescente deste para o convívio de sua família disfuncional. o rapaz então se vinga envenenando os filhos do médico. o estilo desconcertante do diretor/roteirista se sobrepõe à trama) (clip

8.  Jeune Femme (Camera d'Or - Léonor Serraille. a diretora estreante francesa conta a história de uma jovem mulher de 31 anos que após brigar com seu namorado dominador, perambula sozinha por Paris com seu gato, feliz com as novas perspectivas e buscando abrigo com amigos e conhecidos. um retrato otimista de sua geração)

9.  Makala (Grande Prêmio da Semana da Crítica. documentário do francês Emmanuel Gras. no Congo, um jovem carvoeiro sonha com um futuro melhor para sua família. com sua força de vontade, leva o máximo de carvão que consegue para vender na cidade. críticos destacaram a repetição exaustiva das desgraças da vida da personagem, um coitadismo bem ao gosto do presidente deste júri, o brasileiro Kléber Mendonça Filho)

10.  Lerd / A Man of Integrity (Prêmio Um Certo Olhar. o júri desta mostra paralela, presidido por Uma Thurman escolheu o drama do iraniano Mohammad Rasoulof. seu filme foi feito em segredo, com poucos recursos para driblar a censura do país. estuda os efeitos da corrupção na vida de um homem e sua família. um homem honesto decide sair de Teerã com a mulher e o filho para uma vida mais tranquila no campo, onde cria peixes dourados, enquanto sua mulher é diretora de escola. aos poucos ele vê o ambiente que o rodeia se contaminando de corrupção, chantagens e extorsões, mas tenta manter sua honestidade)

Extra:  Gabriel e a Montanha (Visionary Award - Semana da Crítica. o único filme brasileiro premiado este ano, dirigido por Fellipe Barbosa, do ótimo 'Casa Grande'. um jovem aventureiro cheio de planos para sua vida acadêmica, antes de ingressar numa universidade americana, decide partir para a África. durante a viagem, decide subir o Monte Mulanje, um dos mais altos do Malawi. por conta disso, sua história se torna trágica. deve ser um bom filme) (clip


Veja ainda: "Os 10 Vencedores de Cannes (2001-2010)"





terça-feira, 12 de julho de 2016

10 Filmes de Abbas Kiarostami


Nascido em Teerã em 1940 e falecido no último 4 de julho de 2016 em Paris, Kiarostami tem lugar garantido dentre os mais importantes cineastas da história.
Formado em Belas Artes pela Universidade de Teerã, iniciou sua carreira como designer gráfico, e aos 30 anos passou a dedicar-se ao cinema. 
Roteirista, produtor, cineasta, fotógrafo, artista plástico e poeta, Abbas nunca abandonou o Irã, apesar de todas as dificuldades provocadas pelos turbulentos regimes políticos e religiosos. 
Dono de um estilo peculiar, adaptado às dificuldades e aos parcos recursos de produção de que dispunha, dirigiu cerca de 25 longas entre ficção e documentário e outros tantos curtametragens. 
Foi o maior responsável pela divulgação e valorização do vibrante cinema iraniano, hoje reconhecido por qualquer cinéfilo.
Esta lista traz dez dos filmes dirigidos por este grande artista.

1.  Gosto de Cereja (1997. obra-prima do cinesta, vencedora da Palma de Ouro de Cannes em 1997. um filme que nos angustia conforme se desvenda. nos arredores de Teerã, um homem de seus 50 anos aborda alguns desempregados para oferecer-lhes um trabalho fácil e bem remunerado, que ele reluta em revelar qual seria. no meu ponto de vista, a montanha constantemente percorrida pelo carro do protagonista representaria seu cérebro. apesar da secura, o filme comove. obra de gênio)

2.  Através das Oliveiras (1994. após um grande terremoto, um diretor de cinema vai ao interior do Irã para pacientemente filmar com atores amadores, os habitantes locais. o rapaz de um casal escalado para uma cena, faz questão de errar as falas mais simples, para que possam ficar mais tempo juntos. eles se amam, mas são de classes sociais diferentes e as famílias não permitem seu casamento. uma metáfora da tradição ameaçada pelos novos tempos. um filme encantador, vencedor de vários prêmios, entre eles o da Mostra de São Paulo 1994, com a qual o cineasta tinha forte ligação)

3.  A Vida Continua (1992. outro filme que aborda os efeitos do violento terremoto de Guilan, um cineasta sai pelo campo em busca de pessoas que trabalharam com ele no passado. no caminho encontra um cenário de destruição, mas também de fé e de esperança. um lindo filme, também premiado na Mostra de São Paulo)

4.  O Vento nos Levará (1999. um jornalista da televisão, vai até uma aldeia no Curdistão iraniano por uma estrada sinuosa e sem asfalto, onde mora uma senhora centenária, que eles esperam falecer para fazer uma cobertura das celebrações de sua morte, porém guardam isso em segredo. estão aqui temas caros ao diretor: paisagens secas, as estradas sinuosas e as motivações escondidas que aos poucos vão se revelando. o filme tem uma fotografia linda, um timing perfeito e uma trama bem construída, cheia de simbolismos a partir de um homem misterioso e antipático que chega a uma vila remota, onde aos poucos se vê acolhido. genial. premiado em Veneza)

5.  Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987. o filme que projetou a carreira de Kiarostami em nível internacional. narra a história de um menino de 8 anos do vilarejo de Koker que desobedece a mãe e foge de casa para procurar um companheiro de turma, numa aldeia vizinha, na ânsia de lhe devolver um caderno que pegou por engano, o que causou problemas para o amigo. simples e encantador, um retrato da inocência e do senso de responsabilidade)

6.  Cópia Fiel (2010. brilhante exercício de metalinguagem, confundindo o encontro de um escritor e uma marchand na Toscana com o livro sobre cópias e um casal com uma história de 15 anos que eles reproduzem ou copiam... Kiarostami, mesmo fora do Irã, é um cineasta precioso, que sabe mexer com a imaginação e dar fluidez à narrativa. abrilhantado pela excepcional Juliette Binoche)

7.  Um Alguém Apaixonado (2012. se era difícil imaginar Kiarostami no Japão, a surpresa é muito boa. em seu segundo filme fora do Irã, uma jovem universitária, que trabalha como prostituta, é chamada para atender um velho professor viúvo, por quem descobre uma forte ligação. as longas sequências com o carro em movimento não deixa dúvidas da sua marca registrada. o final abrupto é adequado. as personagens são profundas, mesmo que as vejamos de longe).

8.  Close-Up (1990. um jovem cinéfilo, apaixonado pelo trabalho do diretor iraniano Mohsen Makhmalbaf acaba preso ao se fazer passar pelo famoso diretor e vai a julgamento, acusado por uma família rica de falsidade ideológica, roubo e extorsão. o estilo documental de Kiarostami se sobressai, recriando fatos reais com os próprios envolvidos. curioso notar o respeito que a população iraniana parece ter por seus cineastas, um povo culto)

9.  Dez (2002. rodado como documentário, foi rodado inteiramente com câmeras instaladas no interior de um carro e sem roteiro fixo. são dez episódios que se passam em dias diferentes no carro de uma jovem mulher. divorciada e recém-casada com outro homem, ela tem um filho pré-adolescente, que não cansa de culpá-la pela separação. além do filho, ela dá carona a várias mulheres, uma prostituta, uma jovem apaixonada e uma senhora religiosa, criando um mosaico da feminialidade no Irã)

10.  Shirin (2008. uma experiência tão interessante, quanto tediosa. Kiarostami propõe a leitura de um filme sobre uma história de amor do século 12, através das expressões de 114 espectadoras. para ficar claro que não se trata de um documentário, a plateia é formada por atrizes, várias delas conhecidas. como Juliette Binoche e Golshifteh Farahani. a proposta é mesmo inovadora e provocativa, mas o resultado é naturalmente chato de ver)


Veja ainda: "10 Filmes Iranianos"





terça-feira, 3 de junho de 2014

10 Filmes de Cannes 2014


O Festival de Cannes existe desde 1946 e é a mais importante vitrine de lançamentos do cinema mundial.
Na edição de 2014, o juri foi presidido pela cineasta neo-zelandesa Jane Campion foi composto por uma maioria de mulheres, mas não parece ter mudado o tom das premiações.
Esta lista antecipa um pouco do que são os principais premiados das mostras "Oficial" e "Um Certo Olhar". Aguardemos os lançamentos!

1.  Kis uykusu / Winter Sleep (Palme d'Or. de Nuri Bilge Ceylan, Turquia, Alemanha e França. sexto filme de Ceylan em Cannes, que já vencera o Grande Prêmio do Juri por "Distante" e "Era uma Vez na Anatólia", o Fipresci por "Climas" e Melhor Direção por "3 Macacos".o grande vencedor deste ano conta a história de um ator aposentado, que administra um hotel nas montanhas da Anatólia, enquanto tem que lidar com os temperamentos difíceis de sua jovem esposa e de sua irmã) 

2.  Le Meraviglie (Grand Prix, de Alice Rohrwacher - Itália / Suíça / Alemanha. a jovem diretora italiana de "Corpo Celeste" surpreende com esta premiação. o filme conta a história de uma garota de 12 anos, suas três irmãs e seu pai, que vivem isolados numa fazenda de mel, mantendo-se afastados do resto do mundo. até que o resto mundo começa a afetá-los com a chegada de um jovem delinquente em programa de reinserção e de um reality show sobre famílias rurais) 

3.  Foxcatcher (Melhor Direção, de Bennett Miller, EUA. o diretor de "Capote" e "Moneyball" estreou no festival com seu terceiro longa e já faturou o prêmio de direção. o filme conta a história verídica do rico e esquizofrênico herdeiro John du Pont - Steve Carell -, que convidou um medalhista olímpico de luta greco-romana a morar em sua mansão para treinar e acaba assassinando o irmão dele, também lutador. já está no caminho do próximo Oscar)

4.  Leviafan / Leviathan (Melhor Roteiro: Andrey Zyvyagintsev e Oleg Negin, de Andrey Zvyagintsev, Rússia. Este é terceiro filme do diretor em Cannes. em 2011 ele venceu o prêmio do Júri da mostra 'Un Certain Regard' com "Elena". "Leviafan" conta a história de Kolia, que vive numa localidade litorânea no norte da Rússia com a nova esposa e o filho, quando um político corrupto local tenta comprar sua propriedade, onde vive desde que nasceu. com a negativa, iniciam uma batalho jurídica pelas terras) 

5.  Maps to the Stars (Melhor Atriz: Julianne Moore, de David Cronenberg, Canadá / EUA. com este prêmio, Moore já é a primeira favorita ao Oscar. este é o quinto filme de Cronenberg em Cannes, que já lhe deu um prêmio especial do júri em 1996 por "Crash". "Maps" é uma comédia irônica sobre os bastidores de Hollywood, com focos na família disfuncional de uma estrela infantil, recém-saída da reabilitação e em uma atriz que busca reconhecimento tardio ao interpretar um personagem vivido por sua falecida mãe, num remake de seu maior sucesso)

6.  Mr. Turner (Melhor Ator: Timothy Spall, de Mike Leigh, Reino Unido. quinto filme do inglês Leigh em Cannes, valeu o reconhecimento ao ótimo Spall - mais lembrado como Peter Pettigrew da série Harry Potter -, que neste filme interpreta o pintor britânico J.M.W Turner, durante 25 anos de sua vida, no começo do século XIX)

7.  Mommy (Prémio do Júri, de Xavier Dolan, Canadá. com apenas 25 anos de idade, Dolan exibiu quatro de seus cinco longas em Cannes e ganha agora seu sexto prêmio. um fenômeno. "Mommy" conta a história de uma mãe viúva, que tem dificuldades em criar seu filho violento e problemático, até que uma misteriosa vizinha começa a ajudá-la)

8.  Adieu au Langage (Prémio do Júri, de Jean-Luc Godard, França / Suíça. o veterano franco-suíço, um dos fundadores da Nouvelle Vague, já teve sete de seus filmes em Cannes, mas nunca fora premiado antes, por isso até fez menção de recusar um prêmio nesta edição. seu novo filme, feito em 3D é uma metáfora sobre a falta de comunicação. um marido e sua mulher vivem um relacionamento marcado pela falta de comunicação, uma vez que os dois não falam a mesma língua. o cachorro deles, então, resolve intervir e falar)

9.  Fehér Isten / White God (Prémio Un Certain Regard, de Kornél Mundruczó, Hungria / Alemanha / Suécia. terceiro filme do diretor húngaro em Cannes, conta a história de uma menina de 13 anos, que tenta proteger seu cachorro vira-latas, numa sociedade distópica, que aplica severas taxas a animais que não são de raça pura) 

10.  The Salt of the Earth (Prémio especial Un Certain Regard, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, França / Itália / Brasil. Wenders, vencedor da Palma de Ouro por "Paris, Texas", traz seu décimo filme ao Festival, desta vez um documentário co-dirigido pelo brasileiro Juliano Salgado, sobre seu pai, o fotógrafo Sebastião Salgado, contando sua trajetória, com foco em seu mais recente trabalho, o projeto "Gênesis")

Outros premiados: 
Force Majeure / Turist (Prémio do Júri Un Certain Regard, de Ruben Östlund)
Party Girl (Camera d'Or + Prémio de conjunto Un Certain Regard, de Marie Amachoukeli, Claire Burger, Samuel Theis)
Charlie's Country (Melhor Interpretação Un Certain Regard: David Gulpilil, de Rolf de Heer)

Curtas premiados:
Leidi (Palme d'Or, de Simón Mesa Soto))
Aïssa (Menção Especial, de Clément Trehin-Lalanne)
Yes We Love (Menção Especial, de Hallvar Witzø)

Seleção Oficial - demais filmes: 

Sils Maria (Olivier Assayas); Saint Laurent (Bertrand Bonello); Deux Jours, une Nuit (Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne); Captives (Atom Egoyan) The Search (Michel Hazanavicius); The Homesman (Tommy Lee Jones); Futatsume no Mado / Still the Water (Naomi Kawase); Jimmy's Hall (Ken Loach); Timbuktu (Abderrahmane Sissako); Relatos Salvajes (Damián Szifrón).

Hors-Concours:
Grace of Monaco (Olivier Dahan) - filme de abertura; Gui lai / Coming Home (Zhang Yimou); How to Train Your Dragon 2 (Dean DeBlois); L'homme qu'on aimait trop (André Téchiné).

Veja ainda: "10 Filmes de Cannes 2013


quinta-feira, 30 de maio de 2013

10 Filmes de Cannes 2013


Cannes 2013 termina com um saldo positivo de bons filmes e poucas polêmicas.
Dos vinte participantes da Mostra Oficial, seis eram produções francesas e mais duas co-produções. Outros cinco filmes eram dos EUA, o que perfazia um cenário menos diversificado que de costume
O júri presidido este ano por Steven Spielberg, distribuiu os prêmios entre nove filmes.
Esta lista traz uma rápida descrição de cada um desses premiados e mais o interessante vencedor da mostra "Um Certo Olhar", uma espécie de seguinda divisão do Festival.
Espero que possamos ver todos esses filmes em breve...


1.  La Vie d'Adèle - Chapitre 1 et 2 (Palma de Ouro - Melhor Filme. dirigido pelo tunisiano Abdellatif Kechiche, dos ótimos "O Segredo do Grão" de 2007 e "A Esquiva" de 2003, ambos vencedores dos César de filme, diretor e roteiro. o filme de 187 minutos, conta a história de uma garota de 15 anos - Adèle Exarchopoulos -, que sonha ser professora, mas tem sua vida virada do avesso quando conhece uma universitária de cabelo azul, estudante de arte - Léa Seydoux -, por quem se apaixona loucamente. o filme é ousado nas cenas de sexo e caiu como uma bomba, num momento em que conservadores franceses protestam contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. o diretor e as duas atrizes receberam menções especiais por seu trabalho, já que o regulamento não permite que intérpretes do filme vencedor da Palma de Ouro recebam prêmios individuais) (psum melodrama intenso, onde as emoções afloram com sinceridade, que quebra paradigmas, ao expor o sexo sem pudores. Apesar da história de amadurecimento e descoberta da sexualidade não ser nova, o filme emociona e encanta. Belo!)

2.
  Inside Llewyn Davis (Grand Prix. este é o oitavo filme que os irmãos Joel e Ethan Coen colocam em competição e a sexta premiação que ganham, com este que é o considerado o segundo prêmio do Festival. o filme conta a história de um cantor folk de Nova York nos anos 1960 - Oscar Isaac. no estilo de "E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?", retrata um momento rico da cultura popular americana e já larga como um dos favoritos para o próximo Oscar) (psUm dos melhores filmes dos irmãos Coen, conta a história de um perdedor com ironia, mas também com carinho. Brilhante na criação do personagem e na reinvenção da época. Roteiro brilhante, melancólico e divertido. Isaac está excelente no papel central)

3.  Soshite Chichi ni Naru / Pais e Filhos (Prêmio do Juri e Prêmio do Júri Ecumênico. dirigido pelo japonês Hirokazu Kore-eda, autor de "Depois da Vida", "Andando", "O que eu Mais Desejo", entre outros. conta a história de um empresário workaholic que descobre que seu filho foi trocado na maternidade e tem que decidir se desfaz a troca. segundo a crítica, Kore-eda consegue evitar o melodrama com um tom de comédia  doce e amarga, num filme tocante. já sei que vou gostar) (ps: Koreeda surpreende com um melodrama sem maniqueísmo e sem solução fácil. Expõe as complicadas nuances da paternidade. Comovente!)

4.  Heli (Melhor Diretor. para o jovem diretor catalão Amat Escalante. unico representante latino-americano no Festival - representou o México -, o filme foi uma surpresa nas premiações por ter recebido críticas pesadas quando da sua exibição, por retratar com exotismo e extrema violência a situação chocante de pobreza e de envolvimento com as drogas de um jovem operário mexicano e sua família. a conferir) 

5.  Tian Zhu Ding / Um Toque de Pecado (Melhor Roteiro. com roteiro e direção do chinês Zhangke Jia, o filme teve muitos problemas com a censura em seu país para ser liberado para o Festival. conta quatro histórias supostamente reais da China contemporânea, estilizadas como contos wuxia, dos herois de artes marciais. foi bem recebido pela crítica, como "uma rara e envolvente dissecção da China atual") (psViolento e tenso, entrelaça a história de quatro personagens diferentes lidando com a realidade da China atual. Ótimo roteiro e direção firme)

6.  Le Passé / O Passado (Melhor Atriz para Bérénice Bejo. primeiro filme dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi na França, conta um drama familiar com várias reviravoltas e uma intrincada teia de relacionamentos. um iraniano separa-se da mulher francesa e dos filhos em Paris, para morar no Irã. depois de quatro anos ele volta para assinar o divórcio e a encontra com sua nova família, num confronto emocionalmente difícil. foi muito bem recebido) (psmais um belo filme do diretor de 'A Separação', outra vez focando a dificuldade de comunicação entre as pessoas que leva a malentendidos que acabam em rupturas e traumas insolúveis. a construção do roteiro é brilhante e os intérpretes perfeitos)

7.  Nebraska (Melhor Ator para o veterano Bruce Dern. o filme de Alexander Payne o credencia novamente ao próximo Oscar, ao contar a história da viagem de um velho pai com seu filho de Montana a Nebraska para receber um suposto prêmio de um milhão de dólares que ele teria ganho, numa dessas estratégias de marketing tão comuns quanto mentirosas. no caminho, o pai encontra vários amigos e familiares para quem ele deve dinheiro e pretende pagar com o prêmio que acredita mesmo ter ganho) (psbonito filme sobre a reaproximação de pai e filho. destaque para a ótima June como a esposa de Dern)

8.  Grigris (Prêmio Vulcain de Qualidade Técnica para o fotógrafo Antoine Heberlé. dirigido por Mahamat-Saleh Haroun, representou o Chade, mas tem produção franco-canadense. conta a história de um homem de 25 anos que tema perna paralizada e sonha tornar-se um dançarino, mas uma doença fatal de seu tio, o faz trabalhar para uma gangue de traficantes de petróleo. a crítica elogiou o começo e não gostou da solução simplista do filme) 

9.  Ilo Ilo (Caméra d'Or para melhor filme de um diretor estreante, Anthony Chen. exibido na Quinzaine des Réalisateurs, o filme de Cingapura conta a história da amizade entre uma empregada filipina e um garoto de 10 anos de idade, o que provoca o ciúme da mãe do menino, num cenário de recessão que atinge o sudeste asiático nos anos 1990)


10.  A Imagem Perdida / L'Image Manquante (Melhor Filme - Un Certain Regard. um documentário do Cambodja, dirigido por Rithy Panh, que conta as traumáticas  memórias da infância do próprio cineasta, preenchendo as imagens inexistentes de guerra e miséria - jamais capturadas pelo Khmer Vermelho, que apenas fazia filmes de propaganda oficial - com uma animação de bonecos de barro. no mínimo interessante) (psdocumentário orginal, ressaltando como uma cultura foi perdida e destruída durante um insano regime comunista que durou apenas de 1975 a 1979, mas deixou marcas profundas na população que sobreviveu ao período. a ideia de reconstruir com bonecos de barro e madeira as imagens perdidas ou nunca captadas do passado e das atrocidades de Pol Pot não ameniza o choque, já que de certa forma tangibiliza a história. brilhante e necessário)


Outros filmes da Mostra Oficial: Only God Forgives (Nicolas Winding Refn - França/Dinamarca), La Vénus à la Fourrure (Roman Polanski - França), Borgman (Alex van Warmerdam - Holanda), La grande bellezza (Paolo Sorrentino - Itália/França), Jeune & Jolie (François Ozon - França), Wara no Tate / Escudo de Palha (Takashi Miike - Japão), The Immigrant (James Gray - EUA), Jimmy P: Psychotherapy of a Plains Indian (Arnaud Desplechin - França), Michael Kohlhaas (Arnaud des Pallières - França/Alemanha), Un Château en Italie(Valeria Bruni Tedeschi - França), Only Lovers Left Alive (Jim Jarmusch - EUA). Hors-Concours: abertura: The Great Gatsby (Baz Luhrmann - EUA) e encerramento: Zulu (Jérôme Salle - França).

Veja ainda: "Todos os Vencedores de Cannes 2013"