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quinta-feira, 14 de julho de 2016

10 Filmes de Hector Babenco


Nascido em Mar del Plata na Argentina em 1946, Hector Babenco é um símbolo do cinema do Brasil, onde vivia desde os 19 anos, se naturalizou e desenvolveu sua carreira.
Sua estreia na direção foi com um documentário sobre o piloto Emerson Fittipaldi em 1973. Em seguida, fez dois filmes marcantes da década de 70, mas foi Pixote, de 1981 que lhe abriu as portas para o sucesso internacional.
A partir daí se credenciou para dirigir filmes com elencos de estrelas.
Por "O Beijo da Mulher Aranha", ele foi indicado ao Oscar de melhor diretor.
Nos anos 1990, sua carreira foi abruptamente interrompida com a descoberta de um câncer linfático. Ele se curou, mas sua carreira tomou uma direção mais plural, dirigindo peças de teatro e filmes mais intimistas.
Babenco, o mais brasileiro dos cineastas argentinos, morreu hoje, 14/07/2016 aos 70 anos, e nos deixa uma bela obra, da qual destaco 10 filmes.

1.  Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981. um garoto abandonado rouba para viver nas ruas. com apenas 11 anos, após passar por reformatórios e aprender a sobreviver, torna-se um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino. um importante retrato violento da infância perdida, com vários prêmios internacionais e uma atuação brilhante de Marília Pera, um filme que comoveu o mundo. e fez a carreira de Babenco decolar) 
2.  O Beijo da Mulher Aranha (1985. primeira grande co-produção Brasil - Estados Unidos. em uma prisão na América do Sul, dois prisioneiros são colocados na mesma cela, um é homossexual - William Hurt - e foi preso por comportamento imoral, o outro é preso político - Raul Julia. para fugir da dura realidade, o primeiro inventa histórias cheias de mistério protagonizadas pela tal mulher aranha - Sônia Braga lindíssima. a convivência faz com que surja amizade e respeito entre eles. falado em inglês, é o único filme brasileiro a ganhar um Oscar, de melhor ator para Hurt. também foi indicado para melhor filme, roteiro e direção)

3. Ironweed (1987. durante a grande depressão, Jack Nicholson é um ex-jogador de baseball que abandonou a família há 22 anos para viver nas ruas, quando, bêbado, deixou seu filho bebê cair no chão e morrer. agora com uma companheira - Meryl Streep -, também alcoólatra e doente, que vive das lembranças de quando era uma cantora e pianista de sucesso, ele tenta conseguir trabalho para dar a ela um pouco de conforto. um filme muito triste, com interpretações espetaculares do par central, ambos indicados ao Oscar)

4.  Carandiru (2003. a visão de um médico, que trata de prisioneiros daquele que foi o maior presídio da América Latina, até a tragédia que matou 111 pessoas e culminou com sua desativação. várias histórias humanas contadas em paralelo e ótimos atores secundários, entre eles Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Wagner Moura e Aílton Graça. um grande sucesso de bilheteria, que gerou uma série de televisão)

5. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977. um notório marginal - Reginaldo Faria -, em seu leito de morte, descreve a um repórter a sua carreira de crimes desde o primeiro roubo a banco. inspirado em personagens reais, o filme mostra a atuação do chamado 'Esquadrão da Morte' nos anos 60, os roubos à banco e a corrupção policial. outro sucesso do diretor, o filme teve mais de 5,4 milhões de espectadores nos cinemas)

6.  Brincando nos Campos do Senhor (1991. um casal de missionários evangélicos e seu filho pequeno se embrenham na selva amazônica, para catequizar os índios. na tribo, confrontam um padre católico e a eles se une a um outro casal. em paralelo, dois mercenários americanos, são forçados por um funcionário do governo a atacar a aldeia. a linda trilha de Zbignew Preissner foi indicada ao Golden Globe. no elenco internacional estão Tom Berenger, John Lithgow, Daryl Hannah, Aidan Quinn, Tom Waits e Kathy Bates)

7. O Passado (2007. Gael Garcia Bernal é um jovem tradutor que termina um casamento de 12 anos com sua primeira namorada. a tranquilidade com a qual ambos conduzem a separação acaba quando ele começa a namorar uma modelo de 22 anos que morre atropelada. o trauma faz com que ele apague do seu cérebro o conhecimento dos idiomas que ele traduz. uma reconciliação de Hector com seu passado e com a Argentina, num filme apenas razoável,)

8.  Coração Iluminado (1998. após 20 anos ausente, Juan - Miguel Angel Sola - retorna a sua cidade natal, Buenos Aires, para visitar seu pai doente. lá descobre que Ana - Maria Luísa Mendonça -, seu grande amor está viva e decide procurá-la, na busca conhece uma mulher misteriosa, por quem se apaixona. outro filme intimista, feito quando logo que Babenco se viu livre do câncer, marcou sua 'ressureição')

9.  O Rei da Noite (1975. nos anos 1940, Tezinho - Paulo José - sofre uma grande reviravolta em sua vida quando descobre que sua noiva precisará se mudar para tratar de uma grave doença cardíaca. sem notícias e quase sem esperanças, torna-se um boêmio e envolve-se com duas irmãs de uma amiga de sua mãe, mas acaba se casando com uma geniosa mulher - Marília Pera -, com quem briga o tempo todo. primeiro longa de ficção de Babenco, é ainda um tanto amador, mas o ótimo elenco vale o ingresso)

10. Meu Amigo Hindu (2015. Willem Dafoe é um cineasta diagnosticado com câncer terminal, cuja única chance de sobrevivência é se submeter a um transplante de medula óssea experimental, que apenas é realizado nos Estados Unidos. no hospital, ele conhece um menino hindu de apenas oito anos, que também está internado e passa a vivenciar com ele aventuras fantasiosas, inspiradas no cinema, que ajudam a suportar sua dura realidade. ecos autobiográficos de Babenco e uma estrutura similar ao"Beijo da Mulher Aranha". um filme irregular, com outra boa trilha de Zbignew Preissner)

Outros filmes: O Fabuloso Fittipaldi (1973), Words with Gods (segmento "The Man That Stole a Duck") (2014) e A Terra é Redonda Como uma Laranja (1984). 







sábado, 2 de janeiro de 2016

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2015


Foi um bom ano para o cinema nacional, com cerca de 130 lançamentos.
Nossos filmes estão melhores tecnicamente, os roteiros mais apurados, os diretores mais autorais e a variedade de temas impressiona.
Não vi todos os filmes nacionais lançados nos cinemas em 2015, nem conseguiria, mas vi boa parte deles. Por isso mesmo, a lista e 10 poderia ser bem maior.
Confira meus favoritos do ano! Prestigie os filmes brasileiros!

1.  A História da Eternidade (um mosaico de emoções humanas concentrado numa pequena vila no sertão pernambucano. o filme é contado através dos olhos de três mulheres ancoradas naquele lugar, os homens representam os sonhos e perigos da vida distante. linda fotografia, interpretações poderosas, notadamente de Irandhir Santos e Claudio Jaborandy. ótima estreia do diretor Camilo Cavalcante)

2.  Ausência (o filme de Chico Teixeira mostra, com delicadeza, o amadurecimento forçado de um garoto de 14 anos, através das suas perdas sucessivas. o bom roteiro nos leva a criar empatia pela falta de afeto que o aflige. mais uma atuação brilhante de Irandhir Santos num papel coadjuvante. belíssimo filme)

3.  Últimas Conversas (com a súbita morte do diretor Eduardo Coutinho, o filme foi concluído sem a sua supervisão, mas isso até o favorece, pois fortalece a imagem de testamento às novas gerações. um artista genial, que estava no auge aos 80 anos de idade, entrevista jovens de ensino médio, prestes a encarar seu futuro profissional. um raro cineasta capaz de assimilar profunda empatia por seus entrevistados e imprimi-la na tela. fará falta)

4 Casa Grande (um casal carioca leva uma vida bastante confortável, até irem à falência, ninguém sabe de seus problemas financeiros, nem mesmo o filho adolescente, que eventualmente terá que enfrentar a realidade. o diretor Felipe Barbosa acerta a mão em sua estreia em longas, ao dar o ritmo e o tom perfeitos. nada muito apressado, revelando aos poucos os dramas de cada personagem e sempre com um olhar irônico, quase malvado sobre a burguesia carioca. um ótimo filme, com a cara do novo cinema brasileiro)

5.  Sangue Azul (um circo monta lona em Fernando de Noronha. Daniel de Oliveira é o homem-bala, que foi criado na ilha, junto com a irmã, até o dia em que a mãe o mandou para longe temendo um incesto entre as duas crianças. agora adulto, ele reecontra a família para resolver as questões do passado que ainda o atormentam. a grande estrela do filme é a paisagem que proporciona uma fotografia hipnotizante. a atmosfera de ilha reforça os laços dos personagens e as relações nunca plenamente explicadas entre elas. todo elenco é sensacional, com destaque para a mãe Sandra Corveloni e seus sentimentos divididos)

6.  Cássia Eller (o melhor dos documentários é sempre a história que têm para contar e Cássia é uma grande história. o diretor Paulo Henrique Fontenelle não foge do convencional e perde algumas chances de produzir uma obra-prima, faltam shows, falta alma. mas com uma personagem assim, não dá para errar muito e a biografia, mesmo assim, emociona às lágrimas e é um dos melhores filmes do ano)

7.  Que Horas Ela Volta? (uma babá trabalha por anos na casa de uma família paulistana, criando o filho dos patrões, tendo deixado a própria filha em sua cidade natal para ser criada por outros. quando a filha muda-se para São Paulo, os seus mundos colidem. o melhor filme de Anna Muylaert conta com boas atuações, especialmente de Regina Casé. é, ao meu ver, sobre três mulheres que terceirizam a criação dos respectivos filhos em busca de sentido em suas vidas. o que estraga é o hype criado como panfleto de luta de classes, tolo e descabido)

8.  Califórnia (no início dos anos 1980. uma adolescente vive os conflitos típicos da idade. ela tem como ídolo um tio jornalista musical  - Caio Blat sempre bem -, que vive nos Estados Unidos. o maior sonho da menina é visitá-lo na Califórnia, durante as férias. mas seus planos vão por água abaixo quando ele volta doente para o Brasil. embora falte tarimba para Marina Person na direção de atores e a produção por vezes evidencie a falta de recursos, o filme me atingiu o coração por tratar com conhecimento de causa da mesma época da minha adolescência. a música está lá, os hábitos, as roupas e até aquele sentimento de um mundo em transformação)

9.  Entre Abelhas (Fábio Porchat é um editor de imagens, recém-separado da mulher, que começa a deixar de enxergar as pessoas. ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. o filme de estreia da turma do Porta dos Fundos não foi uma comédia histérica, mas um drama sutil, com, obviamente, toques de humor. talvez tanta sutileza não prenda o espectador, mas mantém a coerência de um roteiro bem construído fiel ao tema original. se não empolga, faz pensar. é mais do que se esperaria)

10.  Depois da Chuva (em 1984, quando a ditadura militar se enfraquece, dois jovens baianos de 16 anos começam a perceber que estão vivendo uma fase importante do país. a descoberta do contexto político, com as eleições diretas para presidente, mistura-se às descobertas sexuais e ao fim da adolescência. bom retrato de uma época importante de transição da política brasileira. nas entrelinhas,o filme mostra a gênese do pensamento político atual, com seus vícios e virtudes. boa atuação de Pedro Maia)

Extra:  O Sal da Terra (o documentário produzido por Brasil, França e Itália, com um diretor alemão e outro brasileiro, me deixou na dúvida se pode ser considerado "filme brasileiro", por isso entra como extra nesta lista. conta um pouco da trajetória de Sebastião Salgado, um dos maiores brasileiros da história. um fotógrafo genial que fez o mundo enxergar-se por outro ponto de vista. o filme tem a marca dos documentários de Wim Wenders, que consegue tirar segredos da alma do biografado, sem sensacionalismos. um filme digno do mestre)

Menções honrosas:
- Amor, Plástico e Barulho
- Ponte Aérea
- Branco Sai, Preto Fica
- Orestes
- Operações Especiais
- Beira-Mar
- Romance Policial
- O Duelo
- A Estrada 47
- O Vendedor de Passados


Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2015"




domingo, 2 de fevereiro de 2014

10 Filmes de Eduardo Coutinho


Eduardo Coutinho era paulistano, nascido em 11 de maio de 1933. Morreu aos 80 anos, neste 2 de fevereiro de 2014, aparentemente assassinado pelo póprio filho.
Coutinho foi o maior documentarista que o Brasil já teve, um dos maiores do mundo.
Começou sua carreira dirigindo teatro, mas no final da década de 1950, participou de um game-show de televisão, onde respondeu perguntas sobre a vida de Charles Chaplin. Com o dinheiro que ganhou como prêmio, foi para Paris, onde estudou direção e edição de cinema e fez seus primeiros documentários.
De volta ao Brasil, uniu-se ao Centro Popular de Cultura da UNE, com o qual começou a filmar um longa de ficção, baseado no caso real do assassinato de um líder camponês na Paraíba. Mas o golpe militar de 1964 interrompeu as filmagens e os negativos ficaram escondidos por 17 anos.
Em 1966 fundou a produtora Saga Filmes com Leon Hirszman e Marcos Faria, participando como roteirista, editor e eventualmente diretor de vários filmes de ficção.
Na década de 1970, participou da equipe do Globo Repórter, aprimorando sua visão de documentarista.
Mas foi com a retomada do filme interrompido pelos militares que criou sua primeira obra-prima, "Cabra Marcado Para Morrer", revisitando a comunidade que servia de cenário para o longa original e entrevistando os personagens reais.
Seu estilo de conversar através da câmera era único. Ele era capaz de entrar nas residências e na alma de cada entrevistado.
Eduardo Coutinho deixa saudades e uma obra magnífica que merece ser conhecida por todos que amam o cinema. Veja uma lista com 10 de seus filmes!

1.  Cabra Marcado Para Morrer (a história das filmagens do longa sobre o líder camponês João Pedro Teixeira, interrompidas pelo golpe militar de 1964. o foco passa a ser a viúva do líder, Elisabeth, que participara das filmagens originais, mas passou a viver na clandestinidade, separada dos filhos, desde o golpe. o filme mistura cenas da época em preto e branco com entrevistas atualizadas em 1981, num resultado genial, premiado em vários festivais)

2.  Jogo de Cena (convidadas num anúncio de jornal a contar suas histórias de vida, 83 mulheres se inscrevem e algumas delas são selecionadas para contá-las, agora, num palco diante de câmeras. em meio a personagens reais, atrizes contam ao seu modo as mesmas histórias, criando uma confusão entre o que é real e o que é atuação. uma obra-prima do cinema documental)

3.  Edifício Master (em 2002, Coutinho entra num velho edifício de kitchnetes de Copacabana, onde vivem figuras decadentes e empobrecidas do bairro, que abrem seus pequenos apartamentos para a câmera amistosa de Coutinho. terno e genial)

4.  As Canções (pessoas comuns são convidadas a cantar canções que marcaram suas vidas, o que possibilita a Coutinho tirar delas toda emoção e nostalgia contidas na música. tocante e simpático) 

5.  O Fim e o Princípio (Coutinho sempre é muito cuidadoso com o roteiro de suas obras. aqui ele abre mão da preparação e joga seu olhar numa comunidade rural no interior da Paraíba, para que cada um dos habitantes conte sua história. um retrato do Brasil profundo, que vai ficar como legado para as gerações futuras conhecerem seu passado. um filme importante)

6.  Moscou (durante o ensaio de "As Três Irmãs", de Anton Chekhov pela Companhia Galpão de Belo Horizonte, Coutinho filma os ensaios no palco e nas coxias,sem interferir, mostrando o processo de construção de uma peça clássica)

7.  Peões (o documentário retrata o momento em que os metalúrgicos do ABC estavam prestes a eleger um dos seus, Lula, presidente do país. é um dos lados da história, de gente que admirava quase cegamente o passado sindicalista de Lula. um retrato interessante, que mereceria uma continuação para saber o que as mesmas pessoas pensam hoje do mesmo político)

8.  Babilônia 2000 (gravado na virada do ano de 1999 para 2000, no morro da Babilônia, Rio de Janeiro. mostra os preparativos para a festa por doze horas e depoimentos dos moradores locais, falando das suas expectativas sobre o ano que viria)

9.  O Homem que Comprou o Mundo (uma inesperada comédia nonsense de Coutinho, conta a história de um jovem funcionário público - Flávio Migliaccio -, que ganha uma fortuna incalculável de um árabe a beira da morte e é obrigado a ficar sob guarda do governo militar, já que seu dinheiro poderia colocar o país num novo patamar. o roteiro é muito bom e mereceria ser atualizado. o elenco surpreende com presenças ilustres em pequenos papéis. faltam recursos de produção e um desfecho convincente, mas é uma agradável surpresa)

10.  Um Dia na Vida (durante 24 horas, Coutinho gravou a programação de televisão aberta, incluindo comerciais e montou um documentário provocativo e digno de debate, questionando o que consumimos. por não ter os direitos autorais sobre as imagens, o filme foi exibido uma única vez, na Mostra de Cinema de São Paulo em 2010, numa sessão gratuita, com a presença do diretor... após a morte do diretor, este filme vazou no YouTube e pude conferir. trata-se de uma coletânea do pior que se encontra na programação cotidiana da TV, sem narração e sem comentários. interessante)


Veja ainda: "10 Filmes de Walter Salles"




sábado, 5 de janeiro de 2013

10 Melhores Filmes Brasileiros de 2012


Como todos os anos, o blog seleciona os melhores filmes nacionais lançados em nossos cinemas.
2012 foi um ano especialmente frutífero para o cinema brasileiro, com dezenas de bons filmes lançados e boas bilheterias, que só incentivam a sua produção e exibição.
Esta lista destaca 10 filmes, mas muitos outros merecem ser lembrados.
Confiram e comentem!

1.  Xingu (bem dirigido por Cao Hamburger, é importante para conhecermos a história dos povos indígenas da Amazônia e a fantástica contribuição dos irmãos Villas Bôas, figuras que deveriam ser mais lembradas e reverenciadas na nossa história. produção impecável, com destaque para as belas trilha sonora e a fotografia. o elenco - profissional e amador - está ótimo e o roteiro não faz concessões fáceis ao drama ou romance. uma obra emocionante e relevante, que deve ser vista no cinema - e não mutilada na rede Globo)

2.  Febre do Rato (a história de um poeta inconformado, que banca seu próprio tablóide, e o universo de liberdade que o cerca. poesia em estado puro, a arte como necessidade fisiológica. Cláudio Assis consegue tirar uma visceralidade única de seu filme. ao contrário de suas obras anteriores, este é alegre, sensual, espontâneo. um belo filme, com linda fotografia em PB de Walter Carvalho)

3.  Histórias que Só Existem Quando Lembradas (uma jovem fotógrafa, seguindo a pé pelos trilhos de trem, chega a uma cidade abandonada do Vale do Paraíba, onde uma pequena comunidade de idosos sobrevive, mantendo as tradições locais. a história começa com aparência de documentário, tem uma narrativa lenta, mas tudo vai se encaixando até o desfecho perfeito. um filme surpreendente, com um quê de sobrenatural. visto por poucos, que merece ser conhecido)

4.  Girimunho (numa cidadezinha do sertão mineiro, duas senhoras acompanham o girar do redemoinho. a primeira lida com naturalidade com a perda do marido, suas lembranças e seu fantasma. a segunda carrega no tambor a alegria de seu povo. a vida segue um ritmo totalmente diferente do nosso e nos causa estranheza. é fascinante entrar na vida dessas mulheres, acompanhar sua visão do mundo e sua razão de viver. belo filme!)

5.  Cara ou Coroa (um diretor de teatro convence seu irmão a abrigar dois militantes comunistas na casa da namorada, trazendo perigo para todos. o diretor Ugo Giorgetti é um grande construtor de tipos. aqui ele traz sua memória carinhosa de 1971, auge da ditadura militar, onde os jovens ainda eram idealistas e até ingênuos. o filme é excelente como um todo, mas brilha com dois grandes atores, Otávio Augusto como o tio reacionário e Walmor Chagas como um general rigoroso e, ao mesmo tempo, um avô terno)

6.  Gonzaga, de Pai para Filho (a história de Luís Gonzaga, sua carreira de altos e baixos e sua relação conflituosa com o filho Gonzaguinha. deixando de lado as liberdades históricas, o roteiro é bem estruturado, a música épica e o drama bem contado, que comove sem apelações. um bom filme de Breno Silveira, que em 2012 também lançou o irregular 'À Beira do Caminho')

7.  Uma Longa Viagem (o Brasil vem criando uma tradição de bons documentários. dentre as dezenas de ótimos exemplares lançados em 2012, destaco este, que foi o grande vencedor do festival de Gramado em 2011, tanto pelo conteúdo, quanto pela forma. a diretora Lúcia Murat conta a história de seu irmão mais novo, que para fugir da ditadura nos anos 1970, viveu num mundo de aventuras e, apesar de inteligente e articulado, acabou consumido por elas e pelas drogas. o filme parece não fazer juízo de valor, afinal, nos cerca de 8 anos de loucuras, ele deu duas voltas ao mundo, mas fica claro que pagou o preço, por não ter conseguido voltar ao mundo real como seus amigos. um belo documentário, com uma boa interpretação de Caio Blat, lendo as cartas do irmão quando jovem)

8.  Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (no interior da Amazônia, um fotógrafo de passagem acaba se envolvendo com a linda e instável esposa de um pastor, com consequências desastrosas. o talentoso diretor Beto Brant consegue dar fluidez ao filme. cercou-se de atores dedicados, que criaram personagens ricos e profundos. destaque para Camila Pitanga, que se entrega a um personagem difícil e faz um trabalho memorável. ótimo filme)

9.  2 Coelhos (um intrincado e elaborado thriller policial paulistano, que busca sua própria fórmula, sem copiar os similares americanos. um jovem decide fazer justiça com as próprias mãos através de um complexo plano, que vamos desvendando aos poucos. empolgante e visualmente inventivo, é um bom exemplo da maturidade técnica do nosso cinema)

10.  Raul Seixas: o Início, o Fim, o Meio (outra tendência do cinema nacional são os documentários musicais. Raul é um personagem perfeito por sua trajetória e sua personalidade. o diretor Walter Carvalho consegue, através de bons depoimento e alguns bons achados, construir o lado humano do ícone pop, da infância à morte precoce. um retrato digno)

Menções honrosas: A Música Segundo Tom Jobim, À Beira do Caminho, Vou Rifar Meu Coração, Era uma Vez Eu Verônica, Tropicália, Paraísos Artificiais, Menos que Nada, Corações Sujos, Heleno, Boca.

Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2012"