Mostrando postagens com marcador brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os 10 Melhores Filmes Nacionais de 2018

Esta lista refletem um escolha pessoal do editor e obedece critérios subjetivos, por isso raramente surgirão duas listas iguais.
O critério aqui são os filmes brasileiros lançados no circuito comercial de cinemas no país no ano de 2018. 
Espero que as indicações desta lista ajudem a valorizar alguns filmes que podem ter passado despercebidos pelo grande público.

1. Ex-Pajé
Brasil 2018 - 81' - Direção e Roteiro: Luiz Bolognesi
Num momento em que a identidade indígena é rebaixada pelas políticas públicas, este misto de drama e documentário é mais que relevante, é necessário.
Um outrora poderoso pajé passa a questionar sua fé depois de uma missão evangelizadora intolerante impor sua própria cultura à aldeia.
Belíssimo filme de Bolognesi, possivelmente o único nacional de 2018 que vai ficar na minha memória.

2. Paraíso Perdido
Brasil 2018 - 110' - Direção: Monique Gardenberg
Um clube noturno gerenciado por Erasmo Carlos e movimentado por apresentações musicais ultra românticas de sua família nada convencional.
O melhor filme da diretora, conduzido como um poema brega, sempre um tom acima da realidade, mas bem amarrado e agradável.

3. O Animal Cordial
Brasil 2017 - 96' - Direção: Gabriela Amaral Almeida
Murilo Benício é o dono de um restaurante, sempre em atrito com os funcionários. Quando o estabelecimento é assaltado a situação sai completamente do controle.
Um filme de terror criativo e violentíssimo, com muito humor negro e crítica social, representada na variedade dos personagens e suas características extrapoladas além dos limites.
Agradável surpresa de uma talentosa diretora estreante em longas.

4. Benzinho
Brasil / Uruguai / Alemanha 2018 - 95' - Direção: Gustavo Pizzi
Karine Teles é uma mulher de classe média baixa, lutando com as instabilidades de seu marido, de sua irmã e tendo que encarar a saída de seu primogênito de casa para jogar handball na Alemanha.
Um show da atriz em um personagem amoroso, sobre um roteiro cotidiano, mas complexo como a vida real.  

5. Todas as Razões para Esquecer
Brasil 2018 - 91' - Direção e Roteiro: Pedro Coutinho
Ao fim de um relacionamento, um jovem acreditava que não teria dificuldades em esquecer a ex-namorada. Mas à medida que o tempo passa, a dor da perda só aumenta.
Johnny Massaro consegue capturar nossa empatia ao retratar com perfeição essa fraqueza. Uma comédia romântica muito acima da média.

6. Arábia
Brasil 2017 - 97' - Direção: Affonso Uchoa e João Dumans
As memórias da vida difícil de um operário metalúrgico sempre marginalizado pelo interior de Minas, contada a partir do seu diário, encontrado por um jovem.
Um drama da vida de pessoas simples, que quase toca o panfletário, mas escapa graças à direção segura. 

7. Alguma Coisa Assim
Brasil / Alemanha 2017 - 81' - Direção e Roteiro: Esmir Filho e Mariana Bastos
A relação de amizade entre dois jovens, intercalado entre três momentos distintos de suas vidas ao longo de 10 anos, nas ruas de São Paulo e de Berlim.
Complemento de um curta metragem de 2006, tem o frescor da sinceridade e cumplicidade tanto entre os atores, quanto os diretores.

8. Yonlu
Brasil 2017 - 88' - Direção e Roteiro: Hique Montanari
A história de um personagem real, Vinícius Gageiro, mais conhecido como Yonlu, um jovem poeta, músico e desenhista. Apesar de tanto talento, em 2006, aos 16 anos, ele decidiu dar fim à sua vida, com a ajuda de uma comunidade virtual de potenciais suicidas.
O diretor opta por um registro experimental, que rende belas sequências, embalado pela música do próprio Yonlu. Não é um filme fácil, mas é ousado e interessante.

9. As Boas Maneiras
Brasil / França / Alemanha 2017 - 135' - Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra
Uma mulher grávida e sozinha contrata uma enfermeira para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, ela começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente a babá.
Rojas e Dutra já criaram um universo próprio que mistura terror, música e crítica social, que ainda assim nos surpreende a cada nova obra. Seu maior mérito é conseguir que nos identifiquemos com as situações mais absurdas e relevemos eventuais desvios éticos das personagens.

10. Baronesa
Brasil 2017 - 71' - Direção: Juliana Antunes
Duas amigas vivem em uma comunidade de Belo Horizonte, quando uma guerra entre traficantes deixa o clima tenso, e uma delas passa a se organizar para construir uma casa numa região mais distante.
Um documentário fluido, que consegue colocar a câmera num cotidiano feminino pouco familiar da nossa realidade.

Outros Destaques:
  • Unicórnio
  • Quase Memória
  • Praça Paris
  • Ferrugem
  • Aos Teus Olhos
  • 10 Segundos para Morrer
  • Uma Quase Dupla
  • Todo Clichê de Amor
  • O Paciente
  • O Segredo de Davi
  • O Beijo no Asfalto
  • Tinta Bruta
  • Diamantino





quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2017


2017 foi especialmente marcante para o cinema nacional. Apesar de as bilheterias não terem sido tão espetaculares, a qualidade dos filmes melhorou a olhos vistos. Não são apenas três ou quatro exceções, houveram pelo menos 20 ótimos lançamentos.
A minha lista destaca dez deles e é injusta com muitos outros que ficaram de fora. Por isso recomendo a vocês: Prestigiem o cinema brasileiro!

1.  Corpo Elétrico (Elias - Kelner Macêdo - é estilista numa pequena confecção do centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Quando ele começa a fazer amizade com os outros funcionários, é desencorajado pelo chefe. Mas Elias não gosta muito de máquinas, ele prefere gente. Um lindo filme sobre o ser humano, apesar das diferenças, poder coexistir harmonicamente) (veja a crítica)

2.  O Filme da Minha Vida (O jovem Tony - Johnny Massaro - retorna à cidade natal e descobre que seu pai - Vincent Cassel -, voltou para França, abandonando a mãe. Ele consegue emprego como professor e resolve sair em busca do pai. Selton Mello parece ter encontrado sua voz como diretor. Uma voz doce, carregada de nostalgia e da sensibilidade de quem entende muito bem o que se passa no íntimo de suas personagens. Mas também é a voz de um artesão rigoroso, caprichoso em cada detalhe) (veja a crítica)

3.  Bingo, o Rei das Manhãs (Biografia disfarçada do primeiro ator a representar o palhaço Bozo no Brasil. Dirigido por Daniel Rezende, o filme tem um ritmo raro e uma atuação excepcional de Vladimir Brichta. O filme foi a escolha brasileira para concorrer ao Oscar, mas passou longe de uma indicação) (veja a crítica

4.  Pendular (Em um galpão abandonado, um casal de artistas contemporâneos observa a arte, a performance e sua intimidade se misturarem. Dirigido opor Júlia Murat, não é uma obra fácil, mas é muito elaborada e inteligente. É um daqueles filmes que nos estimula a pensar, não apenas sobre ele, mas sobre a vida) (veja a crítica

5.  Entre Irmãs (No interior de Pernambuco, nos anos 30, duas irmãs - Nanda Costa e Marjorie Estiano -, separadas pelo destino, terão que enfrentar as dificuldades do sertão e da cidade. Um épico folhetinesco, com romances e dramas exarcebados, que nas mãos do habilidoso Breno Silveira, consegue emocionar até os mais mal humorados) (veja a crítica

6.  Vazante (No início do século dezenove, em uma fazenda imponente e decadente, situada na região dos diamantes em Minas Gerais, brancos, negros nativos e recém-chegados da África sofrem com os conflitos e a incomunicabilidade gerada pela solidão e pelas tensões raciais. A diretora Daniela Thomas reconstrói com maestria as dificuldades cotidianas e da convivência forçada nas fazendas de então entre patrões e escravos)  (veja a crítica

7.  Mulher do Pai (Uma adolescente precisa cuidar do pai cego - Marat Descartes -, após a morte da avó que os criou como irmãos. Quando ele percebe o amadurecimento da filha, surge uma desconcertante intimidade entre eles. Mas, com a chegada de Rosário, o ciúme ganhará espaço na vida de ambos. O novo cinema brasileiro passa necessariamente pelo olhar feminino. A cineasta Cristiane Oliveira estreia na direção de longas com um trabalho minucioso sobre um roteiro recheado de nuances e significados que vão além da superfície)  (veja a crítica

8.  Gabriel e a Montanha (A história real de Gabriel Buchmann, um jovem aventureiro brasilero que decide ir para a África. Durante a viagem, Gabriel decide subir o Monte Mulanje, um dos mais altos do Malawi, mas por conta disso sua história se torna trágica. Fellipe Barbosa compôs um filme complexo e tenso. Utiliza um tom documental sem julgar seu protagonista e nos deixa tirar nossas próprias conclusões) (veja a crítica

9.  Divinas Divas (dirigido por Lendra Leal, este ótimo documentário aborda a primeira geração de artistas travestis do Brasil.na década de 1970,O filme acompanha o reencontro das artistas para a a montagem de um espetáculo, trazendo para a cena as histórias e memórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época) 

10.  Pitanga (Dirigido por Camila Pitanga, documenta a vida de Antônio Pitanga, um dos maiores atores do cinema nacional de todos os tempos, protagonista de momentos marcantes da cinematografia brasileira nas décadas de 1960 e 1970. Uma linda e merecida homenagem) 

Outros filmes que poderiam e deveriam fazer parte desta lista:

- As Duas Irenes

- Como Nossos Pais
- Divórcio
- A Cidade Onde Envelheço
- Fala Comigo
- No Intenso Agora
- Eu Fico Loko
- Redemoinho
- TOC - Transtornada Obsessiva Compulsiva
- Jonas e o Circo de Lona
- Esteros
- Martírio
- Era o Hotel Cambridge
- Amor.com


Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes Estrangeiros de 2017"














segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2016


2016 não foi um grande ano para o cinema nacional, que teve 126 lançamentos, mas nenhum realmente memorável.
Infelizmente, o grande sucesso do ano foi uma ridícula condensação de novela bíblica, que teve sua bilheteria garantida pelas igrejas envolvidas na produção.
Neste ano destacaram-se as interpretações de atores como Júlio Andrade, Sônia Braga ou Glória Pires. Alguns dos filmes surpreenderam tecnicamente, alguns roteiros foram bem acabados e a variedade de temas continua sendo a maior prova de vitalidade do nosso cinema.
Não vi todos os filmes nacionais lançados nos cinemas em 2016, nem conseguiria, mas vi boa parte deles. 
Confira meus favoritos do ano! Prestigie os filmes brasileiros!

1.  Boi Neon (Juliano Cazarré é um vaqueiro de curral que viaja pelo Nordeste e sonha largar tudo para iniciar uma carreira como estilista..o diretor Gabriel Mascaro foge da narrativa convencional e se concentra num instantâneo da vida de seus personagens, desconstruindo estereótipos do mundo rude dos rodeios, através da vaidade e dos sonhos dos seus integrantes. uma experiência gratificante, um melhor nacional do ano)

2.  Ponto Zero (um grande filme sobre o ponto zero entre a infância e a vida adulta de um garoto, que parte de uma atmosfera hostil e disfuncional para a aventura da vida adulta, tudo de forma lírica e simbólica. tecnicamente impecável, onde se destacam a ótima trilha sonora e o desenho de som. boa estreia em longas de José Pedro Goulart)

3.  Mãe Só Há Uma (Anna Muylaert é uma cineasta privilegiada por conseguir fazer filmes quase todos os anos, o que a leva a uma clara evolução técnica de um para o seguinte. este é seu melhor filme, enxuto, envolvente e menos maniqueísta que o anterior. seu grande trunfo está em não apelar ao melodrama fácil e centrar o roteiro no garoto - interpretado pela revelação Naomi Nero. muito bom filme. que a diretora continue evoluindo!)

4.  Aquarius (prejudicado pelos "protestos" marqueteiros de seu diretor, o filme não é ruim, mas parte de uma premissa equivocada de que devemos nos solidarizar com a teimosia chata da personagem central. os vilões são caricatos e atingem um clímax risível no final, quando confrontados em seu escritório. dito isso, o filme só atinge um outro nível, graças à interpretação delicada de Sônia Braga. expressiva e intensa, ela toma cada milimetro da tela, quando em cena. há de se destacar ainda a linda trilha sonora, composta de clássicos. embora inferior ao seu filme de estreia, o cineasta Mendonça Filho mostra grande talento em sua mise-en-scène)

5.  Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo (melhor que Rocky e o melhor filme sobre MMA já feito até hoje - o que nem era tão difícil. o bom diretor Afonso Poyart coreografa espetacularmente as lutas e as cenas de ação. José Loreto está ótimo no papel central. o filme é pouco eficiente nas subtramas, especialmente no conflito um tanto onírico com o 'playboy' de Rômulo Neto. mas, na média, está muito acima da média)

6.  Campo Grande (uma mulher de classe média alta carioca é procurada por um casal de crianças que são deixadas à sua porta apenas com seu nome num pedaço de papel.sem saber onde encontrar pela mãe, os leva para um orfanato, mas o menino foge e volta a procurá-la. apesar do roteiro com algumas pontas soltas e problemas como o som direto. a opção da diretora Sandra Kogut pelo naturalismo funciona bem. o elenco é ótimo, com destaque para Carla Ribas e o garoto Ygor Manoel, muito expressivo. ao final consegue provocar empatia)

7.  Maresia (um raro filme brasileiro sobre arte e sua força. o destaque é a atuação de Júlio Andrade em papel duplo, do perito que se confunde com o artista em que se especializou. a trama central mantém o suspense, revelado aos poucos, mas traz algumas situações periféricas mal resolvidas. no geral, um bom filme)

8.  Nise: O Coração da Loucura (biografias de cientistas tendem a ser superficiais. mas a personagem da doutora Nise da Silveira é forte o bastante para instigar o interesse. para efeitos de roteiro, claro que o desenvolvimento dos pacientes é muito simplificado. a atuação sempre precisa de Glória Pires sustenta o filme, que ainda tem ao seu favor uma direção de arte caprichada e bons coadjuvantes).

9.  Tamo Junto (uma comédia de situação com ótimos diálogos, uma estrutura coerente, bons atores, mas... falta emoção para envolver o espectador. no roteiro um rapaz termina um relacionamento e se vê solteiro pela primeira vez em muito tempo, mas logo descobre que o novo estado civil não é tão divertido quanto ele idealizava. o diretor Matheus Souza, tem desenvolvido uma filmografia autoral e está evoluindo)

10.  Amores Urbanos (os bons diálogos, a entrega dos jovens atores e a ótima trilha de Thiago Pethit compensam com sobra a direção irregular de Verra Egito e a falta de um bom storytelling. no geral é um retrato bastante crível da juventude paulistana e um bom representante do cinema nacional independente e urbano)

Decepção do Ano:  Pequeno Segredo (escolhido para representar o país no Oscar num processo polêmico, o drama de David Schurmann, baseado na história de sua família, foi a grande decepção de 2016. o roteiro é mal feito, com idas e vindas temporais que só servem para confundir e tirar qualquer chance de engajamento dramático. além disso uma sucessão de clichês tentam arrancar lágrimas a qualquer custo, culminando com um "amar é..." embalado por música sentimental. Júlia Lemmertz se esforça em dar credibilidade ao seu papel, enquanto a experiente Fionnula Flanagan derrapa num personagem grotesco. só se salvam Julia e a fotografia)

Menções honrosas:
- Elis
- Sob Pressão
- A Vizinhança do Tigre
- O Futebol 
- Zoom 
- A Luneta do Tempo
- De Onde te Vejo
- Trago Comigo
- Meu Nome é Jacque
- O Escaravelho do Diabo
- Para Minha Amada Morta
- Big Jato
- Menino 23
- O Silêncio do Céu
- A Frente Fria que a Chuva Traz
- Entre Idas e Vindas
- O Caseiro
- Mundo Cão
- Em Nome da Lei

Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2016"





quinta-feira, 14 de julho de 2016

10 Filmes de Hector Babenco


Nascido em Mar del Plata na Argentina em 1946, Hector Babenco é um símbolo do cinema do Brasil, onde vivia desde os 19 anos, se naturalizou e desenvolveu sua carreira.
Sua estreia na direção foi com um documentário sobre o piloto Emerson Fittipaldi em 1973. Em seguida, fez dois filmes marcantes da década de 70, mas foi Pixote, de 1981 que lhe abriu as portas para o sucesso internacional.
A partir daí se credenciou para dirigir filmes com elencos de estrelas.
Por "O Beijo da Mulher Aranha", ele foi indicado ao Oscar de melhor diretor.
Nos anos 1990, sua carreira foi abruptamente interrompida com a descoberta de um câncer linfático. Ele se curou, mas sua carreira tomou uma direção mais plural, dirigindo peças de teatro e filmes mais intimistas.
Babenco, o mais brasileiro dos cineastas argentinos, morreu hoje, 14/07/2016 aos 70 anos, e nos deixa uma bela obra, da qual destaco 10 filmes.

1.  Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981. um garoto abandonado rouba para viver nas ruas. com apenas 11 anos, após passar por reformatórios e aprender a sobreviver, torna-se um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino. um importante retrato violento da infância perdida, com vários prêmios internacionais e uma atuação brilhante de Marília Pera, um filme que comoveu o mundo. e fez a carreira de Babenco decolar) 
2.  O Beijo da Mulher Aranha (1985. primeira grande co-produção Brasil - Estados Unidos. em uma prisão na América do Sul, dois prisioneiros são colocados na mesma cela, um é homossexual - William Hurt - e foi preso por comportamento imoral, o outro é preso político - Raul Julia. para fugir da dura realidade, o primeiro inventa histórias cheias de mistério protagonizadas pela tal mulher aranha - Sônia Braga lindíssima. a convivência faz com que surja amizade e respeito entre eles. falado em inglês, é o único filme brasileiro a ganhar um Oscar, de melhor ator para Hurt. também foi indicado para melhor filme, roteiro e direção)

3. Ironweed (1987. durante a grande depressão, Jack Nicholson é um ex-jogador de baseball que abandonou a família há 22 anos para viver nas ruas, quando, bêbado, deixou seu filho bebê cair no chão e morrer. agora com uma companheira - Meryl Streep -, também alcoólatra e doente, que vive das lembranças de quando era uma cantora e pianista de sucesso, ele tenta conseguir trabalho para dar a ela um pouco de conforto. um filme muito triste, com interpretações espetaculares do par central, ambos indicados ao Oscar)

4.  Carandiru (2003. a visão de um médico, que trata de prisioneiros daquele que foi o maior presídio da América Latina, até a tragédia que matou 111 pessoas e culminou com sua desativação. várias histórias humanas contadas em paralelo e ótimos atores secundários, entre eles Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Wagner Moura e Aílton Graça. um grande sucesso de bilheteria, que gerou uma série de televisão)

5. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977. um notório marginal - Reginaldo Faria -, em seu leito de morte, descreve a um repórter a sua carreira de crimes desde o primeiro roubo a banco. inspirado em personagens reais, o filme mostra a atuação do chamado 'Esquadrão da Morte' nos anos 60, os roubos à banco e a corrupção policial. outro sucesso do diretor, o filme teve mais de 5,4 milhões de espectadores nos cinemas)

6.  Brincando nos Campos do Senhor (1991. um casal de missionários evangélicos e seu filho pequeno se embrenham na selva amazônica, para catequizar os índios. na tribo, confrontam um padre católico e a eles se une a um outro casal. em paralelo, dois mercenários americanos, são forçados por um funcionário do governo a atacar a aldeia. a linda trilha de Zbignew Preissner foi indicada ao Golden Globe. no elenco internacional estão Tom Berenger, John Lithgow, Daryl Hannah, Aidan Quinn, Tom Waits e Kathy Bates)

7. O Passado (2007. Gael Garcia Bernal é um jovem tradutor que termina um casamento de 12 anos com sua primeira namorada. a tranquilidade com a qual ambos conduzem a separação acaba quando ele começa a namorar uma modelo de 22 anos que morre atropelada. o trauma faz com que ele apague do seu cérebro o conhecimento dos idiomas que ele traduz. uma reconciliação de Hector com seu passado e com a Argentina, num filme apenas razoável,)

8.  Coração Iluminado (1998. após 20 anos ausente, Juan - Miguel Angel Sola - retorna a sua cidade natal, Buenos Aires, para visitar seu pai doente. lá descobre que Ana - Maria Luísa Mendonça -, seu grande amor está viva e decide procurá-la, na busca conhece uma mulher misteriosa, por quem se apaixona. outro filme intimista, feito quando logo que Babenco se viu livre do câncer, marcou sua 'ressureição')

9.  O Rei da Noite (1975. nos anos 1940, Tezinho - Paulo José - sofre uma grande reviravolta em sua vida quando descobre que sua noiva precisará se mudar para tratar de uma grave doença cardíaca. sem notícias e quase sem esperanças, torna-se um boêmio e envolve-se com duas irmãs de uma amiga de sua mãe, mas acaba se casando com uma geniosa mulher - Marília Pera -, com quem briga o tempo todo. primeiro longa de ficção de Babenco, é ainda um tanto amador, mas o ótimo elenco vale o ingresso)

10. Meu Amigo Hindu (2015. Willem Dafoe é um cineasta diagnosticado com câncer terminal, cuja única chance de sobrevivência é se submeter a um transplante de medula óssea experimental, que apenas é realizado nos Estados Unidos. no hospital, ele conhece um menino hindu de apenas oito anos, que também está internado e passa a vivenciar com ele aventuras fantasiosas, inspiradas no cinema, que ajudam a suportar sua dura realidade. ecos autobiográficos de Babenco e uma estrutura similar ao"Beijo da Mulher Aranha". um filme irregular, com outra boa trilha de Zbignew Preissner)

Outros filmes: O Fabuloso Fittipaldi (1973), Words with Gods (segmento "The Man That Stole a Duck") (2014) e A Terra é Redonda Como uma Laranja (1984). 







sábado, 12 de abril de 2014

10 Filmes Pernambucanos


O Brasil é um país continental e as particularidades regionais se refletem também no cinema.
De alguns anos para cá, o cinema do Estado do Pernambuco tem se destacado positivamente, graças a cineastas como Cláudio Assis, Kleber Mendonça Filho, Lírio Ferreira, entre outros.
Embora as fronteiras se confundam, algumas produções podem ser consideradas genuinamente pernambucanas, como as 10 desta lista:

1.  O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012. numa rua de classe média de Recife, onde quase todos os imóveis pertencem a um rico usineiro, um grupo de seguranças chega para oferecer proteção aos moradores. personagens bem construídos, um roteiro recheado de ironia e uma direção precisa, valeram dezenas de prêmios a este belo filme)

2.  A Febre do Rato (Cláudio Assis, 2011. Irandhir Santos é um poeta visceral e inconformado, que banca a publicação de seu tablóide, que difunde ideias anárquicas, praticadas pelo seu grupo de amigos. um belo filme alegre, sensual, espontâneo e com uma linda fotografia em P&B de Walter Carvalho)

3.  Tatuagem (Hilton Lacerda, 2013. em 1978, uma trupe teatral ocupa um casarão do Recife, onde encenam shows repletos de deboche, desafiando a censura militar vigente. neste ambiente de efervescência cultuural, surge uma história de amor entre o líder do grupo e um jovem soldado - Irandhir Santos e Jesuíta Barbosa -, que se une a eles. ótimo filme!)

4.  Eles Voltam (Marcelo Lordello, 2014. uma família de Recife sai em férias de carro, mas após uma discussão, os pais deixam os filhos adolescentes na estrada. logo em seguida, o rapaz sai para procurar ajuda e também desaparece. abandonada no interior de Pernambuco, a garota de classe média alta é forçada a interagir com uma realidade que não conhece bem até poder voltar para casa. um ótimo ponto de partida)

5.  Era uma Vez, Eu, Verônica (Marcelo Gomes, 2012. Hermila Guedes é uma jovem, recém formada em medicina, que vive com o pai num apartamento em Recife e está num momento de transição e amadurecimento. um bom filme  uma história simples bem contada) 

6.  Árido Movie (Lírio Ferreira, 2006. um meteorologista de televisão em São Paulo recebe a notíca da morte de seu pai assassinado, no interior de Pernambuco. ele viaja para o enterro, acompanhado de três amigos. quando chega, seus familiares exigem que ele vingue a honra do pai. elenco 'global', num filme confuso, mas com bons momentos)

7.  Deserto Feliz (Paulo Caldas, 2008. depois de ser abusada pelo padrasto, uma garota de 15 anos vai de sua cidadezinha para Recife, onde se prostitui para sobreviver. lá ela conhece um jovem turista alemão por quem se apaixona e muda-se com ele para Berlim. um filme triste)

8.  Baile Perfumado (Paulo Caldas e Lírio Ferreira, 1997. com locações em quatro estados, é considerado um marco do renascimento do cinema pernambucano. conta a história do fotógrafo libanês, responsável pelas imagens conhecidas do cangaceiro Lampião. bom filme)

9.  Amarelo Manga (Cláudio Assis, 2002. primeiro longa de Assis, explora pequenas histórias paralelas de habitantes da periferia de Recife, que de uma maneira ou de outra falam de sexo. um açougueiro e sua mulher evangélica, um necrófilo apaixonado pela dona de um bar decadente, um homossexual apaixonado pelo açougueiro. uma colagem interessante)

10.  Doméstica (Gabriel Mascaro, 2012. sete adolescentes recebem a missão de filmar suas empregadas domésticas durante uma semana e entregar as imagens para o diretor editar. um documentário experimental, com um resultado muito interessante. Mascaro é pernambucano, mas a ação se passa em diversas cidades, incluindo Recife)

Outros filmes: Na Quadrada das Águas Perdidas, O Baixio das Bestas, Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo, Cinema Aspirinas e Urubus, ...

Veja ainda: "10 Filmes sobre o Carnaval"



Todas as Listas