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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

10+ Filmes de Hirokazu Koreeda

Hirokazu Koreeda é o mais importante cineasta japonês em atividade e, provavelmente, o melhor autor de filmes sobre 'família' no cinema atual.
Nascido em Tóquio em 1962, estudou literatura, mas logo decidiu-se pelo cinema.
Costuma ser comparado ao clássico diretor Yasujiro Ozu, mas admite-se mais influenciado pelo britânico Ken Loach.
Em seus filmes, os atores e temas costumam se repetir. Há sempre uma peça faltando nas famílias que retrata, mas há também muita delicadeza neste retrato que ele produz.
Apesar de algumas diferenças culturais óbvias entre o povo japonês e nós ocidentais, o ser humano é sempre parecido e não há como não nos identificarmos com a maior parte das situações abordadas.
Esta lista deveria ter 10 filmes, mas já que Koreeda dirigiu 12 longas de ficção até esta data, preferi falar de todos eles.

1. Andando
2008. Num dia de verão, um filho e uma filha, já adultos, vão, com as respectivas famílias, visitar os pais idosos. O objetivo do encontro é honrar a memória do filho mais velho, que morreu afogado quinze anos antes, ao salvar o irmão. O conforto da velha casa dos pais, vai dando lugar aos ressentimentos adormecidos, tornando o clima insuportável. Koreeda gosta de imagens simbólicas, como ao destacar a estatura do filho em relação ao pé direito da casa, sempre tendo que se abaixar, como quem já não cabe mais ali. É um filme belíssimo, meu favorito do diretor, que deixa um nó na garganta do espectador.

2. Assunto de Família
2018. O filme que deu finalmente a Palma de Ouro de Cannes a Koreeda. O roteiro engenhoso parece juntar ideias de alguns de seus filmes anteriores,as mais óbvias de 'Depois da Tempestade' e 'Ninguém Pode Saber'. Uma família nada convencional e absolutamente amoral se une na casa de uma velha senhora, com objetivo comum de sobreviver, ainda que a custa de pequenos e grandes golpes. Cada um tem sua própria história e seus motivos para estar no grupo e o filme desvenda isso aos poucos.  

3. Pais e Filhos
2013. A vida de um homem de negócios sofre uma grande transformação quando ele descobre que está criando o filho de outro casal há seis anos, já que seu filho biológico foi trocado por engano na maternidade. O diretor desenvolve um melodrama sem maniqueísmo e sem solução fácil. Expõe as complicadas nuances da paternidade em diversos níveis. Constrói ainda algumas sequências geniais, como a do reencontro entre pai e filho num caminho que se separa e volta a convergir. Comovente e genial. 

4. Nossa Irmã Mais Nova
2015. Um drama sensível sobre três irmãs que vão ao enterro do pai, onde conhecem sua meia-irmã adolescente e a convidam para morar com elas. Desta convivência descobrem os pontos que há em comum entre elas e com o falecido pai. Sensível e delicado, não exagera nos dramas, privilegia a integração harmônica da garota ao novo ambiente. 

5. Ninguém Pode Saber
2004. Quatro irmãos mudam-se com sua mãe para um pequeno apartamento em Tóquio. Apenas o filho mais velho entra normalmente no novo lar, os demais chegam escondidos em malas. Ninguém pode ficar sabendo que mais de três pessoas vivem ali, sob o risco de serem expulsos. Tudo vai bem até que a mãe os abandona, deixando para o filho mais velho de 12 anos, um bilhete e um pouco de dinheiro. Começa então o duro processo de amadurecimento precoce do garoto. Como em qualquer grande cidade, as crianças passeiam como fantasmas pelas ruas, sem serem percebidos, verdadeiros párias sociais. A empatia que elas nos despertam quase nos deixa sem ar. Baseado numa história real, foi o primeiro grande sucesso de Koreeda. 

6. Depois da Tempestade
2016. O Japão está prestes a receber o 23º tufão do ano. A matriarca Yoshiko, uma mulher idosa que mora sozinha, recebe a visita de dois filhos que não costumam ir à sua casa: ele é um escritor fracassado que ainda sofre com o divórcio e vive de bicos como detetive, e a filha mais velha, que tenta passar por exemplo da família, também tem seus problemas. Juntos, eles aguardam a chegada do tufão e relembram a morte recente do pai. No espaço exíguo do apartamento da mãe, as relações tendem a ficar mais tensas, as pessoas se esbarram e nunca chegam a uma distância confortável. Mesmo o esconderijo no playground é claustrofóbico. Um Koreeda mais intimista. Um pequeno grande filme.

7. O Que Eu Mais Desejo
2011. Depois do divórcio de seus pais, o irmão mais velho vai morar com sua mãe na casa dos avós, enquanto o irmão mais novo fica com o pai, guitarrista em outra cidade. O maior sonho do garoto é ver sua família reunida novamente e para isso elabora um complicado plano, que envolve a energia mágica gerada do cruzamento de dois trens bala. Delicado, ingênuo e comovente, conta através da visão das crianças que nossos sonhos infantis permanecem por toda nossa vida. É apenas lindo, 

8. Depois da Vida
1998. Depois de morrer, cada indivíduo passa por um processo onde é aconselhado por mortos mais antigos na tarefa de escolher uma lembrança que será a única memória que eles poderão levar para o além-vida e descrevê-lo para uma equipe de cineastas filmar essa recordação. Uma ideia estranha e original, que chamou a atenção do cineasta no ocidente. Se encaixa nos temas de Koreeda, na medida que preeenchem o outro lado dos personagens ausentes nos demais filmes.

9. Boneca Inflável
2009. Um garçom de meia idade vive sozinho com uma boneca inflável, que trata como se fosse uma mulher de verdade, contando de seu dia, cuidando dela e, claro, tendo relações sexuais. Um dia, sem que ele perceba, a boneca ganha vida e sai para explorar o mundo. As alegorias à vida moderna são óbvias, mostrando um mundo onde as pessoas são vazias e o dia a dia mecanizado. Quando ela descobre que tem um coração, também conhece o amor e o senso de maternidade. 

10. A Luz da Ilusão
1995. Aos 12 anos, uma menina testemunha o desaparecimento de sua avó, quando esta decide voltar à sua cidade natal para que possa morrer. Anos depois, a moça se casa com um amigo de infância, com quem tem um filho. Até o dia em que, sem explicação, ele se suicida. Com medo de perder tudo novamente e com um sentimento de culpa, cinco anos mais tarde, ela se casa novamente. Mas os pesadelos do passado nunca vão deixá-la em paz novamente. Um drama valorizado pela interpretação contida de Makiko Esumi. Primeiro longa de Koreeda.

11. O Terceiro Assassinato
2017. Um advogado de elite obrigado a defender o suspeito de assassinato de um industrial. O acusado já cumprira pena por outro assassinato há 30 anos e não tem problemas em se considerar culpado, mesmo com a provável pena de morte a qual seria condenado. Ao investigar familiares do suspeito e da vítima, o advogado passa a ter dúvidas sobre a autoria do crime. Um filme policial intrigante, com a digital do diretor impressa.

12. Tão Distante
2004. Membros de um culto religioso realizaram um ataque terrorista ao abastecimento de água de Tóquio, matando centenas e envenenando milhares, para, em seguida, cometem um suicídio em massa às margens de um lago. Desde o acontecimento, três anos antes, alguns familiares dos membros da seita se encontram anualmente no lago para prestar homenagem aos seus entes queridos. Em flashbacks, conhecemos um pouco do que teria levado aquelas pessoas a um ato tão absurdo e o impacto que isso teve nas famílias, também vítimas. Belo filme.








quinta-feira, 14 de julho de 2016

10 Filmes de Hector Babenco


Nascido em Mar del Plata na Argentina em 1946, Hector Babenco é um símbolo do cinema do Brasil, onde vivia desde os 19 anos, se naturalizou e desenvolveu sua carreira.
Sua estreia na direção foi com um documentário sobre o piloto Emerson Fittipaldi em 1973. Em seguida, fez dois filmes marcantes da década de 70, mas foi Pixote, de 1981 que lhe abriu as portas para o sucesso internacional.
A partir daí se credenciou para dirigir filmes com elencos de estrelas.
Por "O Beijo da Mulher Aranha", ele foi indicado ao Oscar de melhor diretor.
Nos anos 1990, sua carreira foi abruptamente interrompida com a descoberta de um câncer linfático. Ele se curou, mas sua carreira tomou uma direção mais plural, dirigindo peças de teatro e filmes mais intimistas.
Babenco, o mais brasileiro dos cineastas argentinos, morreu hoje, 14/07/2016 aos 70 anos, e nos deixa uma bela obra, da qual destaco 10 filmes.

1.  Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981. um garoto abandonado rouba para viver nas ruas. com apenas 11 anos, após passar por reformatórios e aprender a sobreviver, torna-se um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino. um importante retrato violento da infância perdida, com vários prêmios internacionais e uma atuação brilhante de Marília Pera, um filme que comoveu o mundo. e fez a carreira de Babenco decolar) 
2.  O Beijo da Mulher Aranha (1985. primeira grande co-produção Brasil - Estados Unidos. em uma prisão na América do Sul, dois prisioneiros são colocados na mesma cela, um é homossexual - William Hurt - e foi preso por comportamento imoral, o outro é preso político - Raul Julia. para fugir da dura realidade, o primeiro inventa histórias cheias de mistério protagonizadas pela tal mulher aranha - Sônia Braga lindíssima. a convivência faz com que surja amizade e respeito entre eles. falado em inglês, é o único filme brasileiro a ganhar um Oscar, de melhor ator para Hurt. também foi indicado para melhor filme, roteiro e direção)

3. Ironweed (1987. durante a grande depressão, Jack Nicholson é um ex-jogador de baseball que abandonou a família há 22 anos para viver nas ruas, quando, bêbado, deixou seu filho bebê cair no chão e morrer. agora com uma companheira - Meryl Streep -, também alcoólatra e doente, que vive das lembranças de quando era uma cantora e pianista de sucesso, ele tenta conseguir trabalho para dar a ela um pouco de conforto. um filme muito triste, com interpretações espetaculares do par central, ambos indicados ao Oscar)

4.  Carandiru (2003. a visão de um médico, que trata de prisioneiros daquele que foi o maior presídio da América Latina, até a tragédia que matou 111 pessoas e culminou com sua desativação. várias histórias humanas contadas em paralelo e ótimos atores secundários, entre eles Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Wagner Moura e Aílton Graça. um grande sucesso de bilheteria, que gerou uma série de televisão)

5. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977. um notório marginal - Reginaldo Faria -, em seu leito de morte, descreve a um repórter a sua carreira de crimes desde o primeiro roubo a banco. inspirado em personagens reais, o filme mostra a atuação do chamado 'Esquadrão da Morte' nos anos 60, os roubos à banco e a corrupção policial. outro sucesso do diretor, o filme teve mais de 5,4 milhões de espectadores nos cinemas)

6.  Brincando nos Campos do Senhor (1991. um casal de missionários evangélicos e seu filho pequeno se embrenham na selva amazônica, para catequizar os índios. na tribo, confrontam um padre católico e a eles se une a um outro casal. em paralelo, dois mercenários americanos, são forçados por um funcionário do governo a atacar a aldeia. a linda trilha de Zbignew Preissner foi indicada ao Golden Globe. no elenco internacional estão Tom Berenger, John Lithgow, Daryl Hannah, Aidan Quinn, Tom Waits e Kathy Bates)

7. O Passado (2007. Gael Garcia Bernal é um jovem tradutor que termina um casamento de 12 anos com sua primeira namorada. a tranquilidade com a qual ambos conduzem a separação acaba quando ele começa a namorar uma modelo de 22 anos que morre atropelada. o trauma faz com que ele apague do seu cérebro o conhecimento dos idiomas que ele traduz. uma reconciliação de Hector com seu passado e com a Argentina, num filme apenas razoável,)

8.  Coração Iluminado (1998. após 20 anos ausente, Juan - Miguel Angel Sola - retorna a sua cidade natal, Buenos Aires, para visitar seu pai doente. lá descobre que Ana - Maria Luísa Mendonça -, seu grande amor está viva e decide procurá-la, na busca conhece uma mulher misteriosa, por quem se apaixona. outro filme intimista, feito quando logo que Babenco se viu livre do câncer, marcou sua 'ressureição')

9.  O Rei da Noite (1975. nos anos 1940, Tezinho - Paulo José - sofre uma grande reviravolta em sua vida quando descobre que sua noiva precisará se mudar para tratar de uma grave doença cardíaca. sem notícias e quase sem esperanças, torna-se um boêmio e envolve-se com duas irmãs de uma amiga de sua mãe, mas acaba se casando com uma geniosa mulher - Marília Pera -, com quem briga o tempo todo. primeiro longa de ficção de Babenco, é ainda um tanto amador, mas o ótimo elenco vale o ingresso)

10. Meu Amigo Hindu (2015. Willem Dafoe é um cineasta diagnosticado com câncer terminal, cuja única chance de sobrevivência é se submeter a um transplante de medula óssea experimental, que apenas é realizado nos Estados Unidos. no hospital, ele conhece um menino hindu de apenas oito anos, que também está internado e passa a vivenciar com ele aventuras fantasiosas, inspiradas no cinema, que ajudam a suportar sua dura realidade. ecos autobiográficos de Babenco e uma estrutura similar ao"Beijo da Mulher Aranha". um filme irregular, com outra boa trilha de Zbignew Preissner)

Outros filmes: O Fabuloso Fittipaldi (1973), Words with Gods (segmento "The Man That Stole a Duck") (2014) e A Terra é Redonda Como uma Laranja (1984). 







terça-feira, 12 de julho de 2016

10 Filmes de Abbas Kiarostami


Nascido em Teerã em 1940 e falecido no último 4 de julho de 2016 em Paris, Kiarostami tem lugar garantido dentre os mais importantes cineastas da história.
Formado em Belas Artes pela Universidade de Teerã, iniciou sua carreira como designer gráfico, e aos 30 anos passou a dedicar-se ao cinema. 
Roteirista, produtor, cineasta, fotógrafo, artista plástico e poeta, Abbas nunca abandonou o Irã, apesar de todas as dificuldades provocadas pelos turbulentos regimes políticos e religiosos. 
Dono de um estilo peculiar, adaptado às dificuldades e aos parcos recursos de produção de que dispunha, dirigiu cerca de 25 longas entre ficção e documentário e outros tantos curtametragens. 
Foi o maior responsável pela divulgação e valorização do vibrante cinema iraniano, hoje reconhecido por qualquer cinéfilo.
Esta lista traz dez dos filmes dirigidos por este grande artista.

1.  Gosto de Cereja (1997. obra-prima do cinesta, vencedora da Palma de Ouro de Cannes em 1997. um filme que nos angustia conforme se desvenda. nos arredores de Teerã, um homem de seus 50 anos aborda alguns desempregados para oferecer-lhes um trabalho fácil e bem remunerado, que ele reluta em revelar qual seria. no meu ponto de vista, a montanha constantemente percorrida pelo carro do protagonista representaria seu cérebro. apesar da secura, o filme comove. obra de gênio)

2.  Através das Oliveiras (1994. após um grande terremoto, um diretor de cinema vai ao interior do Irã para pacientemente filmar com atores amadores, os habitantes locais. o rapaz de um casal escalado para uma cena, faz questão de errar as falas mais simples, para que possam ficar mais tempo juntos. eles se amam, mas são de classes sociais diferentes e as famílias não permitem seu casamento. uma metáfora da tradição ameaçada pelos novos tempos. um filme encantador, vencedor de vários prêmios, entre eles o da Mostra de São Paulo 1994, com a qual o cineasta tinha forte ligação)

3.  A Vida Continua (1992. outro filme que aborda os efeitos do violento terremoto de Guilan, um cineasta sai pelo campo em busca de pessoas que trabalharam com ele no passado. no caminho encontra um cenário de destruição, mas também de fé e de esperança. um lindo filme, também premiado na Mostra de São Paulo)

4.  O Vento nos Levará (1999. um jornalista da televisão, vai até uma aldeia no Curdistão iraniano por uma estrada sinuosa e sem asfalto, onde mora uma senhora centenária, que eles esperam falecer para fazer uma cobertura das celebrações de sua morte, porém guardam isso em segredo. estão aqui temas caros ao diretor: paisagens secas, as estradas sinuosas e as motivações escondidas que aos poucos vão se revelando. o filme tem uma fotografia linda, um timing perfeito e uma trama bem construída, cheia de simbolismos a partir de um homem misterioso e antipático que chega a uma vila remota, onde aos poucos se vê acolhido. genial. premiado em Veneza)

5.  Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987. o filme que projetou a carreira de Kiarostami em nível internacional. narra a história de um menino de 8 anos do vilarejo de Koker que desobedece a mãe e foge de casa para procurar um companheiro de turma, numa aldeia vizinha, na ânsia de lhe devolver um caderno que pegou por engano, o que causou problemas para o amigo. simples e encantador, um retrato da inocência e do senso de responsabilidade)

6.  Cópia Fiel (2010. brilhante exercício de metalinguagem, confundindo o encontro de um escritor e uma marchand na Toscana com o livro sobre cópias e um casal com uma história de 15 anos que eles reproduzem ou copiam... Kiarostami, mesmo fora do Irã, é um cineasta precioso, que sabe mexer com a imaginação e dar fluidez à narrativa. abrilhantado pela excepcional Juliette Binoche)

7.  Um Alguém Apaixonado (2012. se era difícil imaginar Kiarostami no Japão, a surpresa é muito boa. em seu segundo filme fora do Irã, uma jovem universitária, que trabalha como prostituta, é chamada para atender um velho professor viúvo, por quem descobre uma forte ligação. as longas sequências com o carro em movimento não deixa dúvidas da sua marca registrada. o final abrupto é adequado. as personagens são profundas, mesmo que as vejamos de longe).

8.  Close-Up (1990. um jovem cinéfilo, apaixonado pelo trabalho do diretor iraniano Mohsen Makhmalbaf acaba preso ao se fazer passar pelo famoso diretor e vai a julgamento, acusado por uma família rica de falsidade ideológica, roubo e extorsão. o estilo documental de Kiarostami se sobressai, recriando fatos reais com os próprios envolvidos. curioso notar o respeito que a população iraniana parece ter por seus cineastas, um povo culto)

9.  Dez (2002. rodado como documentário, foi rodado inteiramente com câmeras instaladas no interior de um carro e sem roteiro fixo. são dez episódios que se passam em dias diferentes no carro de uma jovem mulher. divorciada e recém-casada com outro homem, ela tem um filho pré-adolescente, que não cansa de culpá-la pela separação. além do filho, ela dá carona a várias mulheres, uma prostituta, uma jovem apaixonada e uma senhora religiosa, criando um mosaico da feminialidade no Irã)

10.  Shirin (2008. uma experiência tão interessante, quanto tediosa. Kiarostami propõe a leitura de um filme sobre uma história de amor do século 12, através das expressões de 114 espectadoras. para ficar claro que não se trata de um documentário, a plateia é formada por atrizes, várias delas conhecidas. como Juliette Binoche e Golshifteh Farahani. a proposta é mesmo inovadora e provocativa, mas o resultado é naturalmente chato de ver)


Veja ainda: "10 Filmes Iranianos"





domingo, 2 de fevereiro de 2014

10 Filmes de Eduardo Coutinho


Eduardo Coutinho era paulistano, nascido em 11 de maio de 1933. Morreu aos 80 anos, neste 2 de fevereiro de 2014, aparentemente assassinado pelo póprio filho.
Coutinho foi o maior documentarista que o Brasil já teve, um dos maiores do mundo.
Começou sua carreira dirigindo teatro, mas no final da década de 1950, participou de um game-show de televisão, onde respondeu perguntas sobre a vida de Charles Chaplin. Com o dinheiro que ganhou como prêmio, foi para Paris, onde estudou direção e edição de cinema e fez seus primeiros documentários.
De volta ao Brasil, uniu-se ao Centro Popular de Cultura da UNE, com o qual começou a filmar um longa de ficção, baseado no caso real do assassinato de um líder camponês na Paraíba. Mas o golpe militar de 1964 interrompeu as filmagens e os negativos ficaram escondidos por 17 anos.
Em 1966 fundou a produtora Saga Filmes com Leon Hirszman e Marcos Faria, participando como roteirista, editor e eventualmente diretor de vários filmes de ficção.
Na década de 1970, participou da equipe do Globo Repórter, aprimorando sua visão de documentarista.
Mas foi com a retomada do filme interrompido pelos militares que criou sua primeira obra-prima, "Cabra Marcado Para Morrer", revisitando a comunidade que servia de cenário para o longa original e entrevistando os personagens reais.
Seu estilo de conversar através da câmera era único. Ele era capaz de entrar nas residências e na alma de cada entrevistado.
Eduardo Coutinho deixa saudades e uma obra magnífica que merece ser conhecida por todos que amam o cinema. Veja uma lista com 10 de seus filmes!

1.  Cabra Marcado Para Morrer (a história das filmagens do longa sobre o líder camponês João Pedro Teixeira, interrompidas pelo golpe militar de 1964. o foco passa a ser a viúva do líder, Elisabeth, que participara das filmagens originais, mas passou a viver na clandestinidade, separada dos filhos, desde o golpe. o filme mistura cenas da época em preto e branco com entrevistas atualizadas em 1981, num resultado genial, premiado em vários festivais)

2.  Jogo de Cena (convidadas num anúncio de jornal a contar suas histórias de vida, 83 mulheres se inscrevem e algumas delas são selecionadas para contá-las, agora, num palco diante de câmeras. em meio a personagens reais, atrizes contam ao seu modo as mesmas histórias, criando uma confusão entre o que é real e o que é atuação. uma obra-prima do cinema documental)

3.  Edifício Master (em 2002, Coutinho entra num velho edifício de kitchnetes de Copacabana, onde vivem figuras decadentes e empobrecidas do bairro, que abrem seus pequenos apartamentos para a câmera amistosa de Coutinho. terno e genial)

4.  As Canções (pessoas comuns são convidadas a cantar canções que marcaram suas vidas, o que possibilita a Coutinho tirar delas toda emoção e nostalgia contidas na música. tocante e simpático) 

5.  O Fim e o Princípio (Coutinho sempre é muito cuidadoso com o roteiro de suas obras. aqui ele abre mão da preparação e joga seu olhar numa comunidade rural no interior da Paraíba, para que cada um dos habitantes conte sua história. um retrato do Brasil profundo, que vai ficar como legado para as gerações futuras conhecerem seu passado. um filme importante)

6.  Moscou (durante o ensaio de "As Três Irmãs", de Anton Chekhov pela Companhia Galpão de Belo Horizonte, Coutinho filma os ensaios no palco e nas coxias,sem interferir, mostrando o processo de construção de uma peça clássica)

7.  Peões (o documentário retrata o momento em que os metalúrgicos do ABC estavam prestes a eleger um dos seus, Lula, presidente do país. é um dos lados da história, de gente que admirava quase cegamente o passado sindicalista de Lula. um retrato interessante, que mereceria uma continuação para saber o que as mesmas pessoas pensam hoje do mesmo político)

8.  Babilônia 2000 (gravado na virada do ano de 1999 para 2000, no morro da Babilônia, Rio de Janeiro. mostra os preparativos para a festa por doze horas e depoimentos dos moradores locais, falando das suas expectativas sobre o ano que viria)

9.  O Homem que Comprou o Mundo (uma inesperada comédia nonsense de Coutinho, conta a história de um jovem funcionário público - Flávio Migliaccio -, que ganha uma fortuna incalculável de um árabe a beira da morte e é obrigado a ficar sob guarda do governo militar, já que seu dinheiro poderia colocar o país num novo patamar. o roteiro é muito bom e mereceria ser atualizado. o elenco surpreende com presenças ilustres em pequenos papéis. faltam recursos de produção e um desfecho convincente, mas é uma agradável surpresa)

10.  Um Dia na Vida (durante 24 horas, Coutinho gravou a programação de televisão aberta, incluindo comerciais e montou um documentário provocativo e digno de debate, questionando o que consumimos. por não ter os direitos autorais sobre as imagens, o filme foi exibido uma única vez, na Mostra de Cinema de São Paulo em 2010, numa sessão gratuita, com a presença do diretor... após a morte do diretor, este filme vazou no YouTube e pude conferir. trata-se de uma coletânea do pior que se encontra na programação cotidiana da TV, sem narração e sem comentários. interessante)


Veja ainda: "10 Filmes de Walter Salles"




quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

10 Filmes de Lars von Trier


Lars Trier nasceu em Copenhagen em 30 de abril de 1956. A partícula "von" - que identifica as famílias nobres - ele acrescentou durante a escola de cinema, um detalhe que reafirma sua ambição.
Polêmico e ousado, Trier é o cineasta dinamarquês mais bem sucedido desde Carl Dreyer.
Ganhou até aqui cerca de 76 prêmios e mais as indicações. Dentre eles está uma Palma de Ouro em Cannes por "Dançando no Escuro", festival que sempre o recebeu bem até 2011, quando após a exibição de "Melancolia" fez uma declaração infeliz simpática a Hitler, o que o fez ser expulso da competição.
Confira uma lista com 10 dos filmes que ele dirigiu!

1.  Ninfomaníaca (Charlotte Gainsbourg é uma mulher jogada num beco que é ajudada por um homem mais velho, a quem conta sua história, marcada pelo vício em sexo. um filme concebido para chocar com cenas explícitas de sexo, mas que coloca a questão central de forma artificial. a duração absurda faz com que o filme se arraste sem necessidade, precisando ser dividido em duas partes, um desrespeito ao público. afogado pelo marketing e pela megalomania, a obra acaba escondendo suas qualidades)

2.  Dançando no Escuro (obra-prima de Trier, vencedora da Palma de Ouro em 2000, uma imigrante tcheca - a cantora pop Björk - muda-se para a América com intenção de curar o filho da doença congênita que a está deixando cega. um filme denso, lento, triste e belíssimo)

3.  Dogville (Nicole Kidman é uma mulher que, fugindo de mafiosos, pede abrigo numa comunidade do Colorado. em troca da proteção tem que trabalhar para os moradores, até que seus perseguidores a encontram. brilhante e original, se destaca pelos cenários compostos apenas de marcações no chão e alguns objetos de cena. o elenco excepcional ajuda a torná-lo um clássico)

4.  Melancolia (um filme-metáfora pouco sutil sobre a depressão, o grande mal moderno, que nos aflige e destrói nosso mundo particular, que surge aqui forma de um planeta inteiro. fala da relação entre duas irmãs, que durante o casamento de uma delas ficam sabendo que o mundo vai acabar com a colisão de um planeta com a Terra. grandes interpretações de todo o elenco - Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg á frente -, ótimos diálogos e direção segura e inventiva de Trier. um filme que provoca e faz pensar)

5.  Anticristo (a ação dos filmes de Trier costumam se passar dentro da mente dos protagonistas. neste ele explora a alma torturada de um casal que perde o filho bebê num acidente caseiro e confronta-se com seus próprios demônios. as cenas feitas para deixar o espectador desconfortável são tão fortes, que ficam acima do tom. não dá para assistir impune)

6.  Ondas do Destino (Emily Watson - indicada ao Oscar - é uma mulher ingênua de uma cidadezinha religiosa na Escócia que se casa virgem com um operário de uma plataforma de petróleo. eles vivem felizes até ele sofrer um acidente e ficar paraplégico. de volta, ele pede a ela que faça sexo com vários homens e lhe descreva tudo com detalhes. um filme angustiante e cheio de surpresas)

7.  Europa (logo após a segunda guerra, um americano descendente de alemães, vai trabalhar numa ferrovia na Alemanha, com a ideia de ajudar a reconstruir o país. acaba se envolvendo com a filha de um magnata das ferrovias, possivelmente uma simpatizante do nazismo. o roteiro é confuso, mas o visual é deslumbrante e valeu três prêmios em Cannes)

8.  Os Idiotas (um grupo de jovens intelectualizados resolve se passar por retardados, como forma de protesto e anarquizar a sociedade. um dos expoentes do manifesto Dogma 95, feito com recursos muito limitados, mas muita imaginação. provocativo, cáustico e divertido)

9.  Elemento de um Crime (numa Europa distópica, um detetive tenta desvendar os crimes de um serial-killer, usando métodos pouco convencionais. o filme tem um clima onírico, reforçado pela fotografia em tons de sépia. sua estética radical foi laureada com o Grande Prêmio Técnico em Cannes 1984. primeiro longa de Trier não envelheceu bem)

10.  Manderlay (continuação de 'Dogville', com Bryce Dallas Howard no papel que era de Nicole Kidman. após saírem do Colorado, Grace, o pai e sua caravana de mafiosos para numa fazenda do Alabama, onde, em 1933, ainda persiste um regime de escravidão. a América imaginária de Trier é muito real)

Outros filmes: O Grande Chefe, Cada um com seu Cinema, Medea, Epidemic,...

Veja ainda: "10 Filmes da Dinamarca"