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sexta-feira, 16 de junho de 2017

10 Filmes Chilenos


O cinema chileno remonta ao início do século XX, com as primeiras imagens gravadas em 1902 e o primeiro filme em 1910. Nas décadas seguintes foram poucos os filmes de sucesso localmente, como "El Diamante de Maharajá" de 1946.
A década de 1960 viu o desenvolvimento do chamado "Novo Cinema Chileno" com ótimos filmes como "Tres Tristes Tigres" de 1968, vencedor do festival de Locarno; "El Chacal de Nahueltoro" e "Valparaíso, Mi Amor", ambos de 1969.
Com o golpe militar de 1973, a produção local cessou quase completamente, com alguns de seus principais cineastas tendo que trabalhar no exílio.
Após o fim do regime de Pinochet, a produção voltou com força e sucessos como 
'Johnny Cien Pesos' (1993), 'Historias de Fútbol' (1997), 'Gringuito' (1998), 'El Chacotero Sentimental: la película' (1999), 'Sexo con Amor' (2003), 'Subterra' (2003) e 'Stefan v/s Kramer' (2012).
Esta lista traz 10 outros filmes feitos recentemente e que merecem ser conhecidos.

1.  A Vida dos Peixes (Matías Bize, 2010. um jornalista que optou por uma vida solitária, sempre viajando, visita seus amigos em Santiago durante uma festa, reabrindo velhas feridas. um filme intenso, com a câmera sempre em close ou em rápidas subjetivas, a trilha forte e envolvente, a ponto de suspender a respiração do espectador do começo ao fim. diálogos cortantes, brilhantes, num roteiro simples e sem concessões. uma excelente maniera de ser apresentado ao cinema chileno)

2.  Poesia Sem Fim (Alejandro Jodorowsky, 2016. autobiografia poética deste importante cineasta que, durante o regime militar, optou por seguir carreira na Europa e México realizando filmes surrealistas desconcertantes como 'A Montanha Sagrada' e 'El Topo'. o filme conta da sua infância ao seu amadurecimento como artista no Chile, chegando até sua partida. divertido e lúdico, é o filme mais linear do ousado diretor, um prazer a ser degustado por cinéfilos, mas difícil para o espectador comum)

3.  A Criada (Sebastián Silva, 2009. uma empregada trabalha para uma família de classe média alta chilena há 23 anos e sente-se parte da família. mas ela é infeliz e não tem uma vida fora de lá. quando ela adoece, a patroa tenta colocar uma ajudante para ela, mas ela dá um jeito de espantar todas as candidatas, até conhecer uma que vai mostrar-lhe que o mundo vai além da casa. um belo filme, que representou o Chile no Globo de Ouro de filme estrangeiro)

4.  O Clube (Pablo Larraín, 2015. quase um filme de terror. aos poucos a maldade de cada personagem vai se desvendando, causando um incômodo quase insuportável. a narrativa por vezes é confusa, mas até isso joga ao seu favor. um grupo eclético de sacerdotes convive com uma freira, em uma casa isolada na costa chilena. quando não estão orando, eles treinam seu cachorro de corrida. com a chegada de um novo sacerdote, começamos a descobrir os motivos que os levou até ali. indicado ao Golden Globe e vencedor do grande prêmio do júri em Berlim)

5.  Nostalgia da Luz (Patricio Guzmán, 2010. um belo documentário que parte da analogia entre a busca de estrelas no espaço com a busca pelos restos de prisioneiros políticos chilenos no deserto do Atacama. algumas passagens são tão poderosas quanto um soco no estômago. filosófico, agoniante, raro, lindo) 

6.  No (Pablo Larraín, 2012. importante retrato da história da América Latina, sobre o plebiscito que buscava legitimar o mandato do ditador Augusto Pinochet, mas acabou por derrubá-lo do poder depois de 15 anos de repressão e torturas. um filme bem estruturado e emocionante. um raro testemunho a favor dos marqueteiros políticos, tão denegridos hoje em dia)

7.  Na Cama (Matías Bize, 2005. outro - na verdade o primeiro - ótimo filme do jovem diretor, que na época tinha apenas 25 anos. como em 'A Vida dos Peixes', o ponto alto é o roteiro de Julio Rojas, bem tramado, com diálogos exatos e ótimo timing. a cama é o lugar onde as pessoas amam, sonham e traem. este filme, que tem como único cenário um quarto de motel e apenas dois personagens, apresenta a história do casal de estranhos Bruno e Daniela. eles se conheceram poucas horas antes em um café e agora estão numa cama de motel. sobre ela, os dois irão fazer amor, contar suas vidas, dividir sonhos, verdades, mentiras, medos e anseios. ao fim da noite, a intimidade entre ambos é tão forte quanto fugaz, pois irá durar apenas até o amanhecer.)

8.  Machuca (Andrés Wood, 2004. no Chile dos anos 70, onde a discriminação por raça ou classe social ainda eram corriqueiras, dois garotos de 11 anos vivem em Santiago. o primeiro, numa bela casa situada num bairro de classe média. o outro, num humilde povoado ilegal instalado a poucos metros de distância da escola. dois mundos separados por uma muralha invisível. em meio à política comunista instalada por Salvador Allende no país, o diretor decide fazer uma integração entre estes dois universos, abrindo as portas do colégio para os filhos das famílias do povoado. é assim que os dois meninos vão parar na mesma classe, ponto de partida para uma amizade cheia de descobertas e surpresas, que acontece paralelamente ao clima de enfrentamento que vive a sociedade chilena na violenta transição de Allende para Pinochet. um engenhoso painel que ilustra bem este conturabado período)

9.  Glória (Sebastián Lelio, 2013. uma história banal que cresce com a força surpreendente de sua protagonista, Paulina Garcia - premiada como melhor atriz em Berlim -, que dá verdade à personagem. em Santiago, uma mulher solitária de 58 anos, cujos filhos já saíram de casa há algum tempo se recusa a ficar sozinha em casa às noites e tem o hábito de ir a bailes dedicados à terceira idade. lá ela conhece vários homens, com os quais costuma se empolgar e, tempos depois, se decepcionar. a situação muda quando conhece um ex-oficial da Marinha por quem se apaixona, mas logo é obrigada a confrontar alguns dos seus segredos mais obscuros)

10.  Violeta foi para o Céu (Andrés Wood, 2011. a vida, a obra, a memória, os amores e as esperanças de Violeta Parra, cantora, compositora, poeta e pintora que é um dos maiores ícones da arte popular latino-americana. o filme destaca sua personalidade errática e explosiva até sua morte em 1967. a energética encarnação que Franciasca Gavilán fez da artista vale o filme)

Menções honrosas: Ilusões Óticas, Neruda, Tony Manero, O Botão de Pérola, Sexo com Amor, Post Mortem, Meu Melhor Inimigo, Matar a Todos, Matar um Homem, Drama, Bonsai, Nos Tons de Cinza, El Bosque de Karadim, La Memoria del Agua...


Veja ainda: "10 filmes Uruguaios"




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

10 Filmes Uruguaios


O Uruguai é um pequeno país ao sul do Brasil, com cerca de 3.500.000 de habitantes.
Chegou a ser parte do território brasileiro por 13 anos no começo do primeiro Império.
Até a metade do século XX, impulsionado pela pecuária e a agricultura, viveu seu período de bonança, ganhando o apelido de "Suíça Sul-Americana". Mas a partir da desvalorização das commodities, começou a empobrecer.
Hoje o Uruguai é um país de idosos e crianças. Há poucas oportunidades de trabalho e os jovens mais preparados emigram para poder evoluir. Mesmo assim, ainda é um belo país, com uma gente simpática, boa comida e muitas coisas em comum com o Brasil.
O cinema uruguaio produz pouco e geralmente em parceria com a Argentina ou mesmo com o Brasil, mas os poucos títulos que lança costumam ser interessantes.
Esta lista traz alguns desses filmes.

1.  Whisky (em Montevidéu, um homem de 60 anos, triste e solitário é o dono de uma pequena fábrica de meias quase falida. quando seu irmão mais novo, que tem uma indústria similar no Brasil, volta ao Uruguai depois de 20 anos para a celebração de um ano da morte da mãe deles, o homem pede à sua supervisora na fábrica que finja sua esposa. um filme sensível, com ótimos diálogos e um humor finíssimo)

2.  O Banheiro do Papa (em 1998, uma cidadezinha a fronteira entre o Brasil e o Uruguai. está agitada, devido à passagem do Papa por lá, em breve. milhares de pessoas deverão vir à cidade, o que anima o comércio local. um morador aproveita a oportunidade e decide construir um banheiro para alugar aos visitantes, mas para isso terá que conseguir mais dinheiro com seus contrabandos. co-dirigido por César Charlone, o premiado fotógrafo de Cidade de Deus. divertido e irônico)

3.  Gigante (um tímido e grandalhão segurança de supermercado acompanha, pelas câmeras de vigilância, a rotina da faxineira, apaixonando-se por ela, sem ter coragem de conhecê-la. uma comédia doce e simpática)

4.  Além da Estrada (um jovem argentino chega a Montevidéu para resolver pendências da herança de seus pais, mortos num acidente. a caminho de Punta del Este, dá carona a uma mochileira belga, que procura de um amigo numa comunidade neo-hippie. o maior atrativo deste road movie está nas lindas locações uruguaias. o diretor brasileiro Charly Braun conseguiu captar muito bem a alma uruguaia e fazer uma obra cativante)

5.  25 Watts (24 horas da vida de três jovens perdedores em Montevidéu. um trabalha dirigindo um tosco carro de som pela cidade. o segundo tem que estudar para passar em uma prova de italiano, mas está apaixonado pela professora. o último só quer assistir um filme pornô que alugou. ao longo do dia, eles esbarram nos mais estranhos tipos. retrato da juventude que sobrou no país. dirigido por Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll de 'Whisky')

6.  Sr. Kaplan (um velho judeu está cansado da velhice e de sua rotina. ansioso em fazer algo pelo qual será lembrado para sempre, ele resolve investigar um alemão que vive em uma praia distante, que tem o apelido de "nazista", que ele imagina ser um foragido do exército de Hitler. com a ajuda de um ex-policial, elabora um plano para capturá-lo. uma ótima comédia de humor negro, que toca em assuntos sérios como holocausto, velhice e sentido da vida)

7.  Anina (animação co-produzida pela Colômbia, mas que se passa em Montevidéu. Anina Yatay Salas é uma garotinha, cujo nome e sobrenomes são palíndromos - lê-se igualmente de trás para frente. ela estuda em uma escola primária, tem amigos, mas não se dá nada bem com uma colega gordinha, com quem tem uma briga feia e acaba recebendo uma suspensão. durante a semana de castigo conhece melhor a menina, a quem chama de "elefanta", cujo pai mudou-se para a Austrália a trabalho. um desenho que fala diretamente com o público infantil, mas tem seu encanto)

8.  A Demora (uma mãe solteira de meia-idade vive na periferia de Montevidéu com dificuldade de cuidar dos dois filhos e do pai idoso, que começa a dar sinais de senilidade. ela tenta conseguir um asilo para o velho, mas não é tão pobre a ponto de conseguir o benefício, nem tem dinheiro para uma instituição particular. então toma uma decisão drástica e abandona o pai numa praça. cruel e desesperado, um filme que choca pelo realismo)

9.  O Quarto de Léo (um jovem gay tentando definir e aceitar sua sexualidade, mas sem grandes pressões ou traumas, reencontra-se com uma ex-colega de escola primária de quem gostava quando eram crianças. este reencontro casual terá repercussões nos conflitos de cada um, sem que nenhum deles saiba realmente o que acontece com o outro. um bom filme, que mostra um pouco da juventude de Montevidéu através de um personagem muito simpático)

10.  En la Puta Vida (uma bela mãe de dois meninos sonha em abrir um salão de beleza na área nobre de Montevidéu, mas briga com sua mãe e sai com as crianças da casa pobre em que viviam para trabalhar num bordel. com seu jeito desinibido ela se destaca e acaba sendo aliciada para trabalhar em Barcelona, dividindo uma esquina com travestis brasileiras, mas logo percebe que é enganada por seu cafetão. inspirado em uma - ou muitas - história real)

Extra:  Um Lugar no Mundo (o melhor filme uruguaio que vi chegou a ser indicado ao Oscar, mas foi eliminado da disputa porque descobriu-se que a produção seria predominantemente argentina. pouco importa, o filme do argentino Adolfo Aristarain é uma obra-prima. Um casal de Buenos Aires vai viver numa cidadezinha no interior da Argentina com seu filho de doze anos. logo eles se integram à comunidade, que será abalada pela chegada de um geólogo. lindo filme, que valoriza as pequenas coisas da vida)

Outros filmes: Matar a Todos, A Vida Útil - Um Conto de Cinema, Tanta Água, A Casa Muda, La Redota - Uma História de Artigas, Plata Quemada, Ataque de Pânico! ...

Veja ainda: "10 Filmes Pernambucanos"





segunda-feira, 29 de abril de 2013

10 Filmes Japoneses Recentes


Uma das primeiras listas deste blog foi a de filmes japoneses. E ela já foi vista por cerca de 50 mil pessoas. Pois chegou a hora de atualizá-la.
O cinema japonês, que já teve muito prestígio quando Kurosawa, Ozu e Mizoguchi eram vivos, tem produzido ótimos filmes nos últimos anos, que merecem ser conhecidos.
Desta vez vou limitar a um filme por diretor e a filmes lançados a partir do ano 2000.
Confiram os 10 selecionados e, por favor, sugiram outros títulos recentes, até para que eu conheça mais alguns.

1.  Confissões (Tetsuya Nakashima, 2010. no último dia de aula em uma escola, a professora se despede dos alunos e diz que não mais voltará a lecionar. em seguida, ela afirma que sua filha de apenas quatro anos de idade, que supostamente morreu afogada na piscina da escola, na verdade fora assassinada por dois estudantes daquela classe. ela então anuncia que irá se vingar. contado a partir das confissões de seis pessoas, é um filme surpreendente, incorreto e maldoso, que nos faz torcer pela vingança e nos dá prazer com o resultado. um grande filme, inteligente e com ritmo preciso. do mesmo diretor: 'Kamikaze Girls' )

2.  Seguindo em Frente (Hirokazu Kore-eda, 2008. num dia de verão, um filho e uma filha, já adultos, vão, com as respectivas famílias, visitar os pais idosos. o objetivo do encontro é honrar a memória do filho mais velho, que morreu afogado quinze anos antes, ao salvar o irmão. o conforto da velha casa dos pais, vai dando lugar aos ressentimentos adormecidos, tornando o clima insuportável. inspirado no estilo do mestre Yasujiro Ozu,este é um filme belíssimo, que deixa um nó na garganta do espectador. do mesmo diretor: 'O Que Mais Desejo' e 'Boneca Inflável')

3.  Cold Fish (Shion Sono, 2010. o simplório dono de uma lojinha de peixes tropicais, vive com sua segunda esposa e sua filha adolescente, que não se entendem. um dia, por conta de um incidente com a filha, ele conhece o simpático dono de uma grande loja do mesmo ramo, a Amazon Gold, que se propõe a ajudá-lo. logo ele descobre estar diante de um perigoso serial killer. inspirado em fatos absurdos, mas reais. é um filme violentíssimo, com toques cômicos, que não aliviam, só aumentam a tensão. do mesmo diretor: 'Love Exposure' e 'O Pacto')

4.  Batalha Real (Kinji Fukasaku, 2000. em um futuro próximo, a violência e delinquência juvenil chegaram a níveis insuportáveis e, para controlar a situação, o governo institui um jogo compulsório para jovens estudantes entre 15 e 16 anos: uma classe escolar é sorteada e enviada a uma ilha. munidos de provisões, armas e mapas, eles são dispersados e têm três dias para encontrar e matar uns aos outros, pois apenas um deles poderá sair da ilha com vida. um roteiro engenhoso e brilhante, vergonhosamente plagiado por uma obscura escritora americana na série 'Jogos Vorazes'. do mesmo diretor: 'Batalha Real II')

5.  Aquiles e a Tartaruga (Takeshi Kitano, 2008. o filho único de um colecionador de artes demonstra enorme talento natural para a pintura na infância. mal orientado, primeiro tenta copiar estilos e depois busca ser original de qualquer maneira, perdendo-se no caminho. por conta disso, passa a vida sonhando tornar-se um pintor reconhecido, sempre incentivado pela esposa. uma belíssima ode de amor às artes. do mesmo diretor: 'Ultraje', 'Verão Feliz' e 'Dolls')

6.  O Samurai do Entardecer (Yôji Yamada, 2002. um samurai de segunda classe vive humildemente. sua esposa morreu de tuberculose e suas duas filhas pequenas dependem dele para sobreviver. quando sabe do divórcio de sua namorada de infância entra em crise, pois com seu baixo salário não pode dar uma vida digna a ela. sua fama de bom espadachim faz com que seja convocado para eliminar um experiente samurai, o que pode matá-lo ou melhorar a vida de sua família. ótimo filme, com uma abordagem diferenciada dos samurais, mostrando o lado social, as relações pessoais e de trabalho do fim de uma era. indicado ao Oscar de filme estrangeiro. do mesmo diretor: 'Kabei: Our Mother' e 'The Hidden Blade')

7.  13 Assassinos (Takashi Miike, 2010. no período feudal,  um homem  assassina e estupra inocentes, sempre protegido pela lei. para impedi-lo, é criada a força secreta dos treze assassinos, cada um com uma habilidade diferente, dispostos a uma missão suicida para acabar com o mal... a carreira do diretor é impressionante. em 20 anos ele fez 88 filmes e alguns deles bastante bons. recheada de humor, muita ação e violência gráfica, esta refilmagem traz vida nova a um tema muito tradicional. do mesmo diretor: 'Audição, o Teste Decisivo')

8.  Samurai X (Keishi Ohtomo, 2012. após a guerra que pôs fim ao shogunato, o lendário samurai conhecido como "Battousai, o Retalhador", tornou-se um andarilho gentil, que passeia incógnito pelas aldeias e, eventualmente, ajuda e protege quem necessita. ele conhece uma garota, dona de uma escola de kendô, prestes a ser fechada por um magnata local e decide ajudá-la, ficando de frente com seus inimigos do passado. um ótimo filme, razoável no conteúdo, mas espetacular na forma. todos os planos são enquadrados como num mangá, com uma linda fotografia. o samurai tem cara de ídolo pop e os vilões são caricatos... exatamente como um bom mangá deve ser. do mesmo diretor: 'Platinum Data')

9.  O Mundo dos Pequeninos (Hiromasa Yonebayashi, 2010. baseada nos livros da inglesa Mary Norton, conta a história de Arrietty, uma mini garota de 14 anos, com 10 centímetros de altura, que habita com seus mini-pais, uma região abaixo do assoalho de uma casa. quando ela decide explorar o mundo exterior, é descoberta por um menino humano. produzida pelos Estúdios Ghibli, com o roteiro do mestre Hayao Miyazaki, e dirigida por um de seus discípulos, esta animação é encantadora e irresistível. estreia do diretor, que atuou como chefe de animação em 'A Viagem de Chihiro' e 'Ponyo')

10.  Sonata de Tóquio (Kiyoshi Kurosawa, 2008. uma família aparentemente normal entra em colapso, quando o pai perde o emprego e não sabe como lidar com isso, escondendo da família; o filho mais velho se alista no exército americano; o mais novo, começa a fazer aulas de piano escondido dos pais, e a mãe não encontra forças para uni-los. um pesadelo urbano, com toques de humor negro e incivilidade. vencedor o prêmio de melhor filme asiático do ano. do mesmo diretor: 'Pulse')

Menções honrosas: Fish Story (Yoshihiro Nakamura, 2009), Almas Reencarnadas (Takashi Shimizu, 2005), From Up on Poppy Hill (Goro Myiazaki, 2011),...



Veja ainda: "10 Filmes de Hayao Myizaki", "10 Filmes de Akira Kurosawa", "10 Filmes Japoneses".


quarta-feira, 17 de abril de 2013

10 Filmes da Dinamarca


A Dinamarca é uma monarquia parlamentarista situada na escandinávia, Europa setentrional e membro da comunidade europeia. Tem uma área e um PIB igual ao estado do Rio de Janeiro, mas um terço da população. É também o país menos desigual e, segundo pesquisas, o mais feliz do mundo.
A história do cinema dinamarquês é muito rica e seu maior nome é Carl Theodor Dreyer, um dos grandes gênios percursores do cinema, que começou a fazer filmes na década de 1910.
Especialmente depois dos anos 1990, tornou-se uma das cinematografias mais originais e estimulantes do mundo.
Um dos motivos foi o manifesto Dogma'95 que possibilitou o surgimento de uma nova geração de cineastas como Lars von Trier, Thomas Vinterberg e Susanne Bier, entre outros.
O manifesto limitava as condições técnicas dos filmes, o que na prática possibilitava a produção de obras mais baratas e experimentais.
Esta lista traz, como sempre, apenas 10 filmes de uma filmografia imensa. Para facilitar, coloco apenas um filme por diretor (todos dinamarqueses), sendo que alguns deles mereceriam suas próprias listas,

1.  A Caça (Thomas Vinterberg, 2012. Mads Mikkelsen é um recém-divorciado, que trabalha numa escola infantil e é vítima da mentira de uma criança, que torna sua vida na comunidade insuportável. um filme urgente e brilhante sobre a sociedade atual, que prende a atenção do início ao fim. Vinterberg é um dos fundadores do Dogma, autor de filmes como 'Festa de Família' e 'Submarino') 

2.  Pusher (Nicolas Winding Refn, 1996. um pequeno traficante de Copenhage entra em desespero depois de um negócio fracassado o deixar com uma enorme dívida com o chefão das drogas. primeira parte da vibrante trilogia das drogas, que lançou Refn. mais tarde o diretor viria a realizar 'Bronson' e 'Drive')

3.  A Festa de Babette (Gabriel Axel, 1987. baseado num livro de Karen Blixen. uma misteriosa francesa emprega-se na casa de duas irmãs num pequeno povoado dinamarquês. um dia ela ganha uma pequena fortuna na loteria e para retribuir a acolhida da comunidade faz um banquete inesquecível para eles. vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 1988, chamou a atenção do mundo para o cinema dinamarquês)

4.  Pelle, o Conquistador (Bille August, 1987. versão do clássico da literatura de Martin Andersen Nexø. conta a história de um grupo de imigrantes suecos, que no final do século 19 mudam-se para uma ilha dinamarquesa em busca de uma vida melhor. entre eles está Lasse - Max von Sydow - e seu filho Pelle. eles são tratados com preconceito, mas nunca desistem dos seus sonhos. um belo filme, que ganhou outro Oscar em 1989 e mais a Palma de Ouro em Cannes. abriu espaço para August realizar 'As Melhores Intenções' - outra Palma de Ouro em 1992 -, 'A Casa dos Espíritos' e 'Marie Krøyer')

5.  O Amante da Rainha (Nikolaj Arcel, 2012. uma jovem rainha, casada com um rei louco - Mikkel Boe Følsgaard -, apaixona-se pelo médico de seu marido - Madds Mikkelsen, sempre ele - e, juntos começam uma revolução, que mudou a história da Dinamarca. ótimo drama histórico, indicado ao último Oscar, com bela direção de arte. o diretor já está preparando seu primeiro filme americano 'The Power of the Dog')

6.  Os Idiotas (Lars von Trier, 1998. um grupo de jovens intelectualizados resolve se passar por retardados, como forma de protesto e anarquizar a sociedade. um dos últimos filmes de Von Trier na Dinamarca, feito segundo os parâmetros do manifesto Dogma 95. é hoje um dos grandes nomes do cinema mundial, com filmes como 'Dançando no Escuro', 'Dogville' e 'Melancolia'. já está merecendo uma lista só dele)

7.  Em um Mundo Melhor (Susanne Bier, 2010. um médico dinamarquês divide o tempo entre seu trabalho humanitário na África, onde é ameaçado pelas violentas milícias e sua idílica vida no país natal. onde seu filho mais velho tenta lidar com o bullying na escola com a ajuda de seu novo melhor amigo, que perdeu a mãe e foi morar com o pai. bom filme, ganhador do Oscar de Filme Estrangeiro de 2011. Bier também participou do Dogma com 'Corações Livres' e fez sucesso com 'Depois do Casamento', 'Brødre, 'Coisas que Perdemos pelo Caminho', o recente 'Amor é Tudo o Que Você Precisa' e lança em setembro de 2013 'Serena' com Jennifer Lawrence e Bradley Cooper)

8.  Teddy Bear - 10 Horas Até o Paraíso (Mads Matthiesen, 2012. um fisiculturista de 38 anos vive com a mãe e nunca teve uma namorada. quando o tio dele casa-se com uma tailandesa, ele resolve fazer o mesmo caminho e viaja para a Tailândia em busca de um casamento. um romance singelo e nada convencional. boa estreia do diretor em longas)

9.  Praga (Ole Christian Madsen, 2006. Mads Mikkelsen é um homem que viaja com a esposa para a capital tcheca para trazer de volta o corpo do seu falecido pai. lá descobre que nada sabia sobre ele ou sobre os estranhos costumes do país. um filme simpático e irônico, que brinca com a estranheza dos dinamarqueses em contato com outras culturas, tema que o diretor repetiria em 'Superclásico', passado em Buenos Aires. ele ainda dirigiu 'Flammen e Citronen' sobre dois heróis da resistência na segunda guerra)

10.  Sequestro (Tobias Lindholm, 2012. um navio de uma transportadora dinamarquesa - um dos pilares da economia do país - é tomado por piratas na costa das Somália e seus tripulantes mantidos reféns por mais de quatro meses de desgastantes negociações entre o CEO da empresa e os sequestradores. bom filme, tenso e sem pirotecnias. vencedor do último Bodil Awards, o Oscar dinamarquês)

Menções honrosas: Nothing's All Bad (Mikkel Munch-Fals, 2010), Broderskab (Nicolo Donato, 2009), As Maçãs de Adam (Anders Thomas Jensen, 2005), Pretty Boy (Carsten Sønder, 1993), Dançando pela Vida (Kaspar Rostrup, 1989), Terribly Happy (Henrik Ruben Genz, 2008), Além do Desejo e En Familie (Pernille Fischer Christensen, 2006 e 2010), A Palavra e Gertrud (Carl Theodor Dreyer, 1955 e 1964),...

Veja ainda: "10 Filmes de Diretores Irmãos"

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

10 Filmes Turcos


A Turquia tem um pé na Europa e outro na Ásia,muçulmanos e cristãos convivem sem grandes conflitos e sua cultura reflete isso.
Muitos turcos imigraram para países europeus, principalmente Alemanha, Grécia e Itália e, mesmo fora de seu país, continuaram a produzir filmes sobre a cultura turca,
O cinema turco tem uma longa história, floresceu a partir dos anos 1950 ao redor da rua Yeşilçam em Istambul, que virou símbolo do seu cinema.
A partir da década de 70, período conturbado por diversos golpes de estado, o cinema começou a perder espaço para a televisão, produzindo menos filmes, caindo de 300 filmes lançados em 1973 para cerca de dois a três por ano na década de 90. Alguns deles eram muito bons, mas outros, em especial paródias de super heróis ocidentais, criaram a nada honrosa fama de filmes trash made-in-turkey.
Neste século XXI, sua indústria cinematográfica começa a recuperar-se, produzindo grandes filmes, reconhecidos e premiados em todo mundo. 
Aqui está uma lista com 10 dos melhores filmes turcos que assisti.

1.  Meu Pai e Meu Filho (de Çagan Irmak, 2005. um jornalista cuida sozinho de seu filho de 8 anos em Istambul após a morte da esposa no parto. perseguido pelos militares e com problemas de saúde, resolve voltar para a fazenda de sua família no interior e reconciliar-se com seu pai, com quem não fala desde que mudou-se para estudar. um filme belíssimo sobre a paternidade, envolvente e muito comovente)

2.  Era uma Vez na Anatólia (de Nuri Bilge Ceylan, 2011. um grupo composto por um promotor, policiais, um legista, dois coveiros e um criminoso percorrem durante a noite, as colinas da Anatólia até o limite da cidade, em busca do corpo de um homem assassinado. um estudo sobre as relações humanas, aparentemente prosaicas, mas muito complexas. prêmio do juri em Cannes e um grande filme)

3.  Yol, o Caminho (de Yılmaz Güney, 1982. conta a história de um grupo de prisioneiros curdos, que após serem libertados, têm que enfrentar uma longa viagem e os problemas que ficaram em suas casas. o roteiro é uma biografia do diretor curdo Güney, que foi ator, o maior astro do cinema turco nas décadas de 60 e 70, e que passou boa parte de sua vida na cadeia, por opor-se ao regime militar. durante as filmagens Güney estava de volta à prisão, desta vez cumprindo pena por assassinato. e quem comandou as captações foi seu assistente Şerif Gören. Güney então fugiu da cadeia e exilou-se em Paris, onde editou e finalizou sua obra-prima. descoberto pelo Ocidente, ganhou a Palme d'Or de Cannes. dois anos mais tarde, morreu de câncer aos 47 anos)

4.  Distante (de Nuri Bilge Ceylan, 2002. um fotógrafo de meia-idade, que vive sozinho e isolado na sua rotina em Istambul, é obrigado a hospedar um primo que segue seus passos e imagina que irá conseguir trabalho num navio que o leve para fora do país, mas como é inverno não consegue e a relação entre os dois começa a ficar difícil. vencedor do prêmio do juri em Cannes,  também premiou os dois ótimos atores Muzaffer Özdemir e Emin Toprak, que morreria naquele mesmo ano num acidente de carro aos 28 anos) 

5.  Ask Tesadüfleri Sever / Love Likes Coincidences (de Ömer Faruk Sorak, 2011. um homem e uma mulher, que nasceram no mesmo dia, lado a lado, numa maternidade de Ancara, se reencontram várias vezes ao longo de suas vidas sem se dar conta disso. um eficiente drama romântico, que arranca lágrimas, apesar dos inevitáveis clichês. como é comum nos filmes turcos, é muito focado nas relações familiares, que permite personagens simpáticos e marcantes, muito bonito)

6.  Um Doce Olhar (de Semih Kaplanoglu, 2010. a vida tranquila no campo, sob o ponto de vista de um garoto de seis anos, até o dia que seu pai não retorna de seu trabalho de colher mel na floresta local. doce e triste, um filme que leva facilmente às lágrimas. ganhou o Urso de Ouro em Berlim)

7.  A Conquista de Constantinopla (de Faruk Aksoy, 2012. superprodução épica de visual impressionante e batalhas bem coreografadas, contando a heroica conquista de Constantinopla pelo sultão Maomé II em 1453, que marcou a tomada de controle do Mediterrâneo oriental pelos otomanos e o fim do império Bizantino. a história contada pelo lado dos vencedores e sem a influência de Hollywood, com algumas liberdades históricas, mas muito interessante. levou três anos para ser feito ao custo aproximado de 17 milhões de dólares)

8.  At, o Cavalo (de Ali Özgentürk, 1962. um homem e seu filho pequeno deixam a vida miserável em sua cidadezinha no interior para tentar algo melhor em Istambul. o pai compra um carrinho de verduras e tenta vendê-las nas ruas, mesmo sem licença. enquanto ele sonha em ganhar dinheiro para poder colocar o menino na escola, o garoto sonha comprar um cavalo para ajudar o pai. o filme tem várias semelhanças com 'O Ladrão de Bicicletas' de DeSica, incluindo os revezes. um filme bom e triste)


9.  Gönül Yarasi / Mágoa (de Yavuz Turgul, 2005. um professor idealista, trabalhando por 15 anos numa comunidade rural pobre, se aposenta e volta a viver em Istambul. fazendo um bico como motorista de taxi, conhece uma cantora de casa noturna, que tem uma filha e é assombrada pelo abusivo ex-marido. um filme triste sobre pessoas tendo que lidar com as feridas causadas por suas escolhas no passado)

10.  Masumiyet / Inocência (de Zeki Demirkubuz, 1997. um jovem sai da prisão contra sua vontade após cumprir sua pena. sem perspectivas e quase sem familiares, que perdeu num terremoto, ele hospeda-se num hotel degradado, onde conhece uma prostituta, seu marido e a filha surda. um retrato da Turquia empobrecida do fim do século, num filme angustiante) 

Menções honrosas: 
 O Banho Turco (de Ferzan Ozpetek, 1997. nascido em Istambul, o bom diretor gay Ozpetek mudou-se adolescente para Roma, na Itália, onde construiu sua carreira. embora seus filmes tenham ligação com o país natal, e faça parte de diversas listas, não os considero turcos. aqui um italiano herda um imóvel de uma tia em Istambul. deixa a esposa na Itália, para vender a casa, mas descobre que tratava-se de um 'hamam', uma antiga casa de banhos. apaixona-se pela cidade, pela cultura e por um jovem turco)

 Contra a Parede / Do Outro Lado (de Fatih Akin, 2004 e 2007. no caminho oposto de Ozpetek, Akin nasceu em Hamburgo - Alemanha, de família turca, mas faz filmes sobre a cultura de seus ancestrais. o primeiro filme conta a tumultuada história de amor entre dois jovens descendentes, que se casam por conveniência, mas decidem viver juntos numa relação aberta e mal resolvida. no outro filme, uma jovem desaprova a relação de seu pai viúvo com uma prostituta, até descobrir que ela se esforçava para enviar dinheiro para custear os estudos da filha na Turquia. ambos os filmes são excepcionais e importantes para entender a vida da comunidade imigrante turca na Alemanha)

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