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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2016


2016 não foi um grande ano para o cinema nacional, que teve 126 lançamentos, mas nenhum realmente memorável.
Infelizmente, o grande sucesso do ano foi uma ridícula condensação de novela bíblica, que teve sua bilheteria garantida pelas igrejas envolvidas na produção.
Neste ano destacaram-se as interpretações de atores como Júlio Andrade, Sônia Braga ou Glória Pires. Alguns dos filmes surpreenderam tecnicamente, alguns roteiros foram bem acabados e a variedade de temas continua sendo a maior prova de vitalidade do nosso cinema.
Não vi todos os filmes nacionais lançados nos cinemas em 2016, nem conseguiria, mas vi boa parte deles. 
Confira meus favoritos do ano! Prestigie os filmes brasileiros!

1.  Boi Neon (Juliano Cazarré é um vaqueiro de curral que viaja pelo Nordeste e sonha largar tudo para iniciar uma carreira como estilista..o diretor Gabriel Mascaro foge da narrativa convencional e se concentra num instantâneo da vida de seus personagens, desconstruindo estereótipos do mundo rude dos rodeios, através da vaidade e dos sonhos dos seus integrantes. uma experiência gratificante, um melhor nacional do ano)

2.  Ponto Zero (um grande filme sobre o ponto zero entre a infância e a vida adulta de um garoto, que parte de uma atmosfera hostil e disfuncional para a aventura da vida adulta, tudo de forma lírica e simbólica. tecnicamente impecável, onde se destacam a ótima trilha sonora e o desenho de som. boa estreia em longas de José Pedro Goulart)

3.  Mãe Só Há Uma (Anna Muylaert é uma cineasta privilegiada por conseguir fazer filmes quase todos os anos, o que a leva a uma clara evolução técnica de um para o seguinte. este é seu melhor filme, enxuto, envolvente e menos maniqueísta que o anterior. seu grande trunfo está em não apelar ao melodrama fácil e centrar o roteiro no garoto - interpretado pela revelação Naomi Nero. muito bom filme. que a diretora continue evoluindo!)

4.  Aquarius (prejudicado pelos "protestos" marqueteiros de seu diretor, o filme não é ruim, mas parte de uma premissa equivocada de que devemos nos solidarizar com a teimosia chata da personagem central. os vilões são caricatos e atingem um clímax risível no final, quando confrontados em seu escritório. dito isso, o filme só atinge um outro nível, graças à interpretação delicada de Sônia Braga. expressiva e intensa, ela toma cada milimetro da tela, quando em cena. há de se destacar ainda a linda trilha sonora, composta de clássicos. embora inferior ao seu filme de estreia, o cineasta Mendonça Filho mostra grande talento em sua mise-en-scène)

5.  Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo (melhor que Rocky e o melhor filme sobre MMA já feito até hoje - o que nem era tão difícil. o bom diretor Afonso Poyart coreografa espetacularmente as lutas e as cenas de ação. José Loreto está ótimo no papel central. o filme é pouco eficiente nas subtramas, especialmente no conflito um tanto onírico com o 'playboy' de Rômulo Neto. mas, na média, está muito acima da média)

6.  Campo Grande (uma mulher de classe média alta carioca é procurada por um casal de crianças que são deixadas à sua porta apenas com seu nome num pedaço de papel.sem saber onde encontrar pela mãe, os leva para um orfanato, mas o menino foge e volta a procurá-la. apesar do roteiro com algumas pontas soltas e problemas como o som direto. a opção da diretora Sandra Kogut pelo naturalismo funciona bem. o elenco é ótimo, com destaque para Carla Ribas e o garoto Ygor Manoel, muito expressivo. ao final consegue provocar empatia)

7.  Maresia (um raro filme brasileiro sobre arte e sua força. o destaque é a atuação de Júlio Andrade em papel duplo, do perito que se confunde com o artista em que se especializou. a trama central mantém o suspense, revelado aos poucos, mas traz algumas situações periféricas mal resolvidas. no geral, um bom filme)

8.  Nise: O Coração da Loucura (biografias de cientistas tendem a ser superficiais. mas a personagem da doutora Nise da Silveira é forte o bastante para instigar o interesse. para efeitos de roteiro, claro que o desenvolvimento dos pacientes é muito simplificado. a atuação sempre precisa de Glória Pires sustenta o filme, que ainda tem ao seu favor uma direção de arte caprichada e bons coadjuvantes).

9.  Tamo Junto (uma comédia de situação com ótimos diálogos, uma estrutura coerente, bons atores, mas... falta emoção para envolver o espectador. no roteiro um rapaz termina um relacionamento e se vê solteiro pela primeira vez em muito tempo, mas logo descobre que o novo estado civil não é tão divertido quanto ele idealizava. o diretor Matheus Souza, tem desenvolvido uma filmografia autoral e está evoluindo)

10.  Amores Urbanos (os bons diálogos, a entrega dos jovens atores e a ótima trilha de Thiago Pethit compensam com sobra a direção irregular de Verra Egito e a falta de um bom storytelling. no geral é um retrato bastante crível da juventude paulistana e um bom representante do cinema nacional independente e urbano)

Decepção do Ano:  Pequeno Segredo (escolhido para representar o país no Oscar num processo polêmico, o drama de David Schurmann, baseado na história de sua família, foi a grande decepção de 2016. o roteiro é mal feito, com idas e vindas temporais que só servem para confundir e tirar qualquer chance de engajamento dramático. além disso uma sucessão de clichês tentam arrancar lágrimas a qualquer custo, culminando com um "amar é..." embalado por música sentimental. Júlia Lemmertz se esforça em dar credibilidade ao seu papel, enquanto a experiente Fionnula Flanagan derrapa num personagem grotesco. só se salvam Julia e a fotografia)

Menções honrosas:
- Elis
- Sob Pressão
- A Vizinhança do Tigre
- O Futebol 
- Zoom 
- A Luneta do Tempo
- De Onde te Vejo
- Trago Comigo
- Meu Nome é Jacque
- O Escaravelho do Diabo
- Para Minha Amada Morta
- Big Jato
- Menino 23
- O Silêncio do Céu
- A Frente Fria que a Chuva Traz
- Entre Idas e Vindas
- O Caseiro
- Mundo Cão
- Em Nome da Lei

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sábado, 2 de janeiro de 2016

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2015


Foi um bom ano para o cinema nacional, com cerca de 130 lançamentos.
Nossos filmes estão melhores tecnicamente, os roteiros mais apurados, os diretores mais autorais e a variedade de temas impressiona.
Não vi todos os filmes nacionais lançados nos cinemas em 2015, nem conseguiria, mas vi boa parte deles. Por isso mesmo, a lista e 10 poderia ser bem maior.
Confira meus favoritos do ano! Prestigie os filmes brasileiros!

1.  A História da Eternidade (um mosaico de emoções humanas concentrado numa pequena vila no sertão pernambucano. o filme é contado através dos olhos de três mulheres ancoradas naquele lugar, os homens representam os sonhos e perigos da vida distante. linda fotografia, interpretações poderosas, notadamente de Irandhir Santos e Claudio Jaborandy. ótima estreia do diretor Camilo Cavalcante)

2.  Ausência (o filme de Chico Teixeira mostra, com delicadeza, o amadurecimento forçado de um garoto de 14 anos, através das suas perdas sucessivas. o bom roteiro nos leva a criar empatia pela falta de afeto que o aflige. mais uma atuação brilhante de Irandhir Santos num papel coadjuvante. belíssimo filme)

3.  Últimas Conversas (com a súbita morte do diretor Eduardo Coutinho, o filme foi concluído sem a sua supervisão, mas isso até o favorece, pois fortalece a imagem de testamento às novas gerações. um artista genial, que estava no auge aos 80 anos de idade, entrevista jovens de ensino médio, prestes a encarar seu futuro profissional. um raro cineasta capaz de assimilar profunda empatia por seus entrevistados e imprimi-la na tela. fará falta)

4 Casa Grande (um casal carioca leva uma vida bastante confortável, até irem à falência, ninguém sabe de seus problemas financeiros, nem mesmo o filho adolescente, que eventualmente terá que enfrentar a realidade. o diretor Felipe Barbosa acerta a mão em sua estreia em longas, ao dar o ritmo e o tom perfeitos. nada muito apressado, revelando aos poucos os dramas de cada personagem e sempre com um olhar irônico, quase malvado sobre a burguesia carioca. um ótimo filme, com a cara do novo cinema brasileiro)

5.  Sangue Azul (um circo monta lona em Fernando de Noronha. Daniel de Oliveira é o homem-bala, que foi criado na ilha, junto com a irmã, até o dia em que a mãe o mandou para longe temendo um incesto entre as duas crianças. agora adulto, ele reecontra a família para resolver as questões do passado que ainda o atormentam. a grande estrela do filme é a paisagem que proporciona uma fotografia hipnotizante. a atmosfera de ilha reforça os laços dos personagens e as relações nunca plenamente explicadas entre elas. todo elenco é sensacional, com destaque para a mãe Sandra Corveloni e seus sentimentos divididos)

6.  Cássia Eller (o melhor dos documentários é sempre a história que têm para contar e Cássia é uma grande história. o diretor Paulo Henrique Fontenelle não foge do convencional e perde algumas chances de produzir uma obra-prima, faltam shows, falta alma. mas com uma personagem assim, não dá para errar muito e a biografia, mesmo assim, emociona às lágrimas e é um dos melhores filmes do ano)

7.  Que Horas Ela Volta? (uma babá trabalha por anos na casa de uma família paulistana, criando o filho dos patrões, tendo deixado a própria filha em sua cidade natal para ser criada por outros. quando a filha muda-se para São Paulo, os seus mundos colidem. o melhor filme de Anna Muylaert conta com boas atuações, especialmente de Regina Casé. é, ao meu ver, sobre três mulheres que terceirizam a criação dos respectivos filhos em busca de sentido em suas vidas. o que estraga é o hype criado como panfleto de luta de classes, tolo e descabido)

8.  Califórnia (no início dos anos 1980. uma adolescente vive os conflitos típicos da idade. ela tem como ídolo um tio jornalista musical  - Caio Blat sempre bem -, que vive nos Estados Unidos. o maior sonho da menina é visitá-lo na Califórnia, durante as férias. mas seus planos vão por água abaixo quando ele volta doente para o Brasil. embora falte tarimba para Marina Person na direção de atores e a produção por vezes evidencie a falta de recursos, o filme me atingiu o coração por tratar com conhecimento de causa da mesma época da minha adolescência. a música está lá, os hábitos, as roupas e até aquele sentimento de um mundo em transformação)

9.  Entre Abelhas (Fábio Porchat é um editor de imagens, recém-separado da mulher, que começa a deixar de enxergar as pessoas. ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. o filme de estreia da turma do Porta dos Fundos não foi uma comédia histérica, mas um drama sutil, com, obviamente, toques de humor. talvez tanta sutileza não prenda o espectador, mas mantém a coerência de um roteiro bem construído fiel ao tema original. se não empolga, faz pensar. é mais do que se esperaria)

10.  Depois da Chuva (em 1984, quando a ditadura militar se enfraquece, dois jovens baianos de 16 anos começam a perceber que estão vivendo uma fase importante do país. a descoberta do contexto político, com as eleições diretas para presidente, mistura-se às descobertas sexuais e ao fim da adolescência. bom retrato de uma época importante de transição da política brasileira. nas entrelinhas,o filme mostra a gênese do pensamento político atual, com seus vícios e virtudes. boa atuação de Pedro Maia)

Extra:  O Sal da Terra (o documentário produzido por Brasil, França e Itália, com um diretor alemão e outro brasileiro, me deixou na dúvida se pode ser considerado "filme brasileiro", por isso entra como extra nesta lista. conta um pouco da trajetória de Sebastião Salgado, um dos maiores brasileiros da história. um fotógrafo genial que fez o mundo enxergar-se por outro ponto de vista. o filme tem a marca dos documentários de Wim Wenders, que consegue tirar segredos da alma do biografado, sem sensacionalismos. um filme digno do mestre)

Menções honrosas:
- Amor, Plástico e Barulho
- Ponte Aérea
- Branco Sai, Preto Fica
- Orestes
- Operações Especiais
- Beira-Mar
- Romance Policial
- O Duelo
- A Estrada 47
- O Vendedor de Passados


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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2014


O cinema nacional está cada vez mais maduro.
Os filmes ficaram melhores tecnicamente, os roteiros mais apurados, os diretores mais autorais e cada vez é maior e mais plural o número de lançamentos.
Sempre separo minhas listas de melhores entre nacionais e internacionais, mas neste ano, os brasileiros poderiam perfeitamnete dividir a lista geral.
Não vi todos os filmes nacionais lançados nos cinemas em 2014, mas vi a maior parte deles. Por isso mesmo, a lista e 10 poderia ser bem maior.
Mas confira meus favoritos, quem sabe você não se aniuma a ver mais dos nossos filmes.

1.  Praia do Futuro (Karim é um cineasta raro. Ele não tem medo de deixar lacunas na sua narração para que as completemos ou não, segundo nosso repertório. O roteiro dele e de Felipe Bragança se divide em três capítulos bem definidos e faz questão de subverter as tolas regras de 'storytelling', tão em moda. O filme está ainda repleto de lindos planos cheios de significado implícito e sequências fortes, de uma secura aterradora. Wagner Moura entrega a melhor interpretação de sua carreira, com uma angústia contida sempre prestes a explodir. Seu encontro com o irmão já adulto - Jesuíta Barbosa excepcional - traz algumas das melhores cenas do cinema, transmitindo ternura e raiva com a mesma intensidade. Nada menos que uma obra-prima.)

2.  Ventos de Agosto (Um retrato quase documental e, ao mesmo tempo, metafórico da vida cotidiana numa comunidade isolada de Alagoas. Cada personagem entrende o isolamento do seu jeito, a menina que viveu na cidade e está presa, condenada a cuidar da avó, mas mantém seus elos através do rock pesado, o bronzeamento com coca-cola e a prática de tatuagem nos porcos. O rapaz, preocupado em manter seus mortos sob a terra e a levar embora os mortos de fora. A vida na quarta curva a esquerda depois do rio. Belo, belíssimo!)

3.  O Lobo Atrás da Porta (Desde 'Rashomon', filmes narrados sob diferentes pontos de vista se tornaram praticamente um gênero. O suspense de Fernando Coimbra utiliza-se deste recurso, mas deixa um pouco a desejar justamente na montagem. O principal flashback é muito longo e precisava de mais retornos ao presente para pontuar melhor a tensão da opção narrativa. Um outro descuido é de produção, e que parece bobo: num filme com tantos planos fechados, a protagonista nunca muda o penteado e quase nunca muda de brinco, apesar do longo período de tempo abordado. Apesar dos poucos escorregões, a história é fortíssima, que choca a cada revelação e as interpretações são ótimas, com destaque para Leandra Leal. Uma obra que mostra o amadurecimento mais que bem vindo do nosso cinema.)

4.  Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Baseado num premiado curta-metragem.do diretor e roteirista Daniel Ribeiro, que nesta versão pode dar o ritmo necessário para que a história se desenrolasse. O resultado é um filme simples e singelo. A história todos já conhecem: um adolescente cego, busca sua independência e sua sexualidade, quando se apaixona por um novo aluno recèm chegado à sua escola)

5.  De Menor (Rita Batata é uma defensora pública de menores infratores e vive com seu irmão caçula. Órfãos, os dois têm um relacionamento de muita cumplicidade, até o dia em que o rapaz comete um delito e torna-se réu na Vara da Infância onde ela trabalha.Um belo exemplar do novo cinema brasileiro. Num tom naturalista, constrói sua tese e envolve o espectador com uma câmera ágil e planos pouco usuais. O cenário, a cidade de Santos, é raro e mais um ponto a favor do filme. Estreia promissora da diretora Caru Alves de Souza em longas.)

6.  Os Amigos (Claramente influenciada pelo cinema francês - Varda e Resnais -, a diretora Lina Chamie constrói uma narrativa fragmentada e poética do dia de um arquiteto - Marco Ricca -, a partir da notícia da morte de um amigo de infância. Mistura memórias, nonsense e realidade, criando diversos detalhes originais na trama. Seja bem vinda a liberdade poética ao cinema nacional!)

7.  Boa Sorte (João Pedro Zappa é um adolescente viciado em "frontal com fanta", combinação que ele fantasia o tornar invisível. É internado pelos pais e na clínica ele conhece uma garota mais velha - Deborah Secco -, que além de dependente química, é portadora de HIV e hepatite. Eles se apaixonam, mas... Ao escolher o interior de uma clínica de internação psiquiátrica, a estreante Carolina Jabor cria um cenário poderoso, quase um personagem. O filme não é perfeito, mas graças ás boas atuações, o resultado é muito simpático)

8.  Trinta (Ótima cinebiografia, ainda que um tanto convencional, de um personagem icônico da cultura brasileira. Matheus Nachtergaele dá um show de interpretação, não imitando, mas recriando seu Joãosinho Trinta. Ótimo elenco de apoio e uma produção excelente, da direção de arte de Daniel Flaksman à trilha de André Abujamra, tudo funciona perfeitamente. O roteiro é bem amarrado, embora não ouse muito, acerta ao concentrar-se no turning point do biografado, o carnaval da Salgueiro de 1974. Belo filme.)

9.  Riocorrente (O cult-film do ano, construído sobre símbolos e metáforas, em que a tensão das relações é o fio condutor, mais do que propriamente a história que conta. Seus personagems se confundem, talvez como partes de uma única consciência e mesclam-se com o ambiente. De tão conceitual, a obra de Paulo Sacramento é difícil de ser compreendida pelo espectador médio, mas é um exercício bem construído e muito interessante e oportuno.)

10.  Alguém Qualquer (Quantos são os Zés que passam pela nossa vida e nós nem damos conta? Pessoas que levam vidas simples, dedicadas ao trabalho, vivendo e morrendo "pela vontade de deus". Logo antes do início do filme já temos uma pista do que virá a seguir, produzido por um certo Instituto Stanislavsky, pressupõe atores de método, o que realmente acontece. Tristan Aronovich, diretor, ator, roteirista, compositor e editor, constrói uma obra obviamente pessoal. Seu personagem é caricato, mas num mundo normal, ele também é verossímil e comovente. O filme tem alguns escorregões, especialmente no final redentor, mas  o resultado é acima da média. Trata-se de um filme pequeno, universal e emocionante. A trilha bem encaixada provoca lágrimas inevitáveis. Deixe-se levar!)

Outros ótimos lançamentos nacionais de 2014:

11. Apneia 
12. O Menino e o Mundo
13. Entre Vales
14. Entre Nós
15. Quando Eu Era Vivo 

Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes Internacionais de 2014"


sábado, 5 de janeiro de 2013

10 Melhores Filmes Brasileiros de 2012


Como todos os anos, o blog seleciona os melhores filmes nacionais lançados em nossos cinemas.
2012 foi um ano especialmente frutífero para o cinema brasileiro, com dezenas de bons filmes lançados e boas bilheterias, que só incentivam a sua produção e exibição.
Esta lista destaca 10 filmes, mas muitos outros merecem ser lembrados.
Confiram e comentem!

1.  Xingu (bem dirigido por Cao Hamburger, é importante para conhecermos a história dos povos indígenas da Amazônia e a fantástica contribuição dos irmãos Villas Bôas, figuras que deveriam ser mais lembradas e reverenciadas na nossa história. produção impecável, com destaque para as belas trilha sonora e a fotografia. o elenco - profissional e amador - está ótimo e o roteiro não faz concessões fáceis ao drama ou romance. uma obra emocionante e relevante, que deve ser vista no cinema - e não mutilada na rede Globo)

2.  Febre do Rato (a história de um poeta inconformado, que banca seu próprio tablóide, e o universo de liberdade que o cerca. poesia em estado puro, a arte como necessidade fisiológica. Cláudio Assis consegue tirar uma visceralidade única de seu filme. ao contrário de suas obras anteriores, este é alegre, sensual, espontâneo. um belo filme, com linda fotografia em PB de Walter Carvalho)

3.  Histórias que Só Existem Quando Lembradas (uma jovem fotógrafa, seguindo a pé pelos trilhos de trem, chega a uma cidade abandonada do Vale do Paraíba, onde uma pequena comunidade de idosos sobrevive, mantendo as tradições locais. a história começa com aparência de documentário, tem uma narrativa lenta, mas tudo vai se encaixando até o desfecho perfeito. um filme surpreendente, com um quê de sobrenatural. visto por poucos, que merece ser conhecido)

4.  Girimunho (numa cidadezinha do sertão mineiro, duas senhoras acompanham o girar do redemoinho. a primeira lida com naturalidade com a perda do marido, suas lembranças e seu fantasma. a segunda carrega no tambor a alegria de seu povo. a vida segue um ritmo totalmente diferente do nosso e nos causa estranheza. é fascinante entrar na vida dessas mulheres, acompanhar sua visão do mundo e sua razão de viver. belo filme!)

5.  Cara ou Coroa (um diretor de teatro convence seu irmão a abrigar dois militantes comunistas na casa da namorada, trazendo perigo para todos. o diretor Ugo Giorgetti é um grande construtor de tipos. aqui ele traz sua memória carinhosa de 1971, auge da ditadura militar, onde os jovens ainda eram idealistas e até ingênuos. o filme é excelente como um todo, mas brilha com dois grandes atores, Otávio Augusto como o tio reacionário e Walmor Chagas como um general rigoroso e, ao mesmo tempo, um avô terno)

6.  Gonzaga, de Pai para Filho (a história de Luís Gonzaga, sua carreira de altos e baixos e sua relação conflituosa com o filho Gonzaguinha. deixando de lado as liberdades históricas, o roteiro é bem estruturado, a música épica e o drama bem contado, que comove sem apelações. um bom filme de Breno Silveira, que em 2012 também lançou o irregular 'À Beira do Caminho')

7.  Uma Longa Viagem (o Brasil vem criando uma tradição de bons documentários. dentre as dezenas de ótimos exemplares lançados em 2012, destaco este, que foi o grande vencedor do festival de Gramado em 2011, tanto pelo conteúdo, quanto pela forma. a diretora Lúcia Murat conta a história de seu irmão mais novo, que para fugir da ditadura nos anos 1970, viveu num mundo de aventuras e, apesar de inteligente e articulado, acabou consumido por elas e pelas drogas. o filme parece não fazer juízo de valor, afinal, nos cerca de 8 anos de loucuras, ele deu duas voltas ao mundo, mas fica claro que pagou o preço, por não ter conseguido voltar ao mundo real como seus amigos. um belo documentário, com uma boa interpretação de Caio Blat, lendo as cartas do irmão quando jovem)

8.  Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (no interior da Amazônia, um fotógrafo de passagem acaba se envolvendo com a linda e instável esposa de um pastor, com consequências desastrosas. o talentoso diretor Beto Brant consegue dar fluidez ao filme. cercou-se de atores dedicados, que criaram personagens ricos e profundos. destaque para Camila Pitanga, que se entrega a um personagem difícil e faz um trabalho memorável. ótimo filme)

9.  2 Coelhos (um intrincado e elaborado thriller policial paulistano, que busca sua própria fórmula, sem copiar os similares americanos. um jovem decide fazer justiça com as próprias mãos através de um complexo plano, que vamos desvendando aos poucos. empolgante e visualmente inventivo, é um bom exemplo da maturidade técnica do nosso cinema)

10.  Raul Seixas: o Início, o Fim, o Meio (outra tendência do cinema nacional são os documentários musicais. Raul é um personagem perfeito por sua trajetória e sua personalidade. o diretor Walter Carvalho consegue, através de bons depoimento e alguns bons achados, construir o lado humano do ícone pop, da infância à morte precoce. um retrato digno)

Menções honrosas: A Música Segundo Tom Jobim, À Beira do Caminho, Vou Rifar Meu Coração, Era uma Vez Eu Verônica, Tropicália, Paraísos Artificiais, Menos que Nada, Corações Sujos, Heleno, Boca.

Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2012"