quarta-feira, 16 de março de 2022
10 Filmes de Isabelle Huppert
terça-feira, 15 de março de 2022
10 Filmes de David Cronenberg
segunda-feira, 14 de março de 2022
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Os Melhores Filmes de 2021 - Quo Vadis, Aida?
Quando os sérvios ocupam a cidade e iniciam o que seria um dos maiores massacres do final do século XX, os moradores fogem para em busca de abrigo na base da ONU, que não tem capacidade para salvá-los e só permite a entrada de poucos refugiados, a maioria mulheres e crianças.
Ao mesmo tempo que tenta salvar seus amigos e vizinhos, Aida - uma atuação iluminada de Jasna Đuričić - tenta esconder os homens de sua família na base.
Um drama devastador da diretora Jasmila Žbanić, para que não esqueçamos das atrocidades que seres humanos podem perpetrar.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
Os Melhores Filmes de 2021 - The Father (Meu Pai)
É quase um filme de terror. Poucas coisas podem ser mais reais e angustiantes que a confusão mental causada pela demência senil.
O diretor Florian Zeller adapta sua peça brilhantemente, colocando o espectador na posição do personagem central, experimentando a sensação de desconforto de quem está perdendo a sanidade.
Anthony Hopkins empresta muito de si ao personagem, que acabou lhe dando seu segundo e merecido Oscar, na melhor atuação de sua carreira. Olivia Colman não fica atrás. Como a filha torturada pelo crepúsculo do pai.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
Os Melhores Filmes de 2021 - Flee
O documentário nasce da curiosidade do próprio diretor Jonas Poher Rasmussen, sobre o passado de seu companheiro, que conheceu como um refugiado, já adaptado à vida ocidental, mas que guardava as cicatrizes dessa dura travessia.
Essa jornada acontece em paralelo ao amadurecimento do menino, descobrindo sua sexualidade, o que acabou por colocar ainda mais obstáculos em seu caminho.
Para proteger sua identidade, o nome e aparência do imigrante foram alterados, mas sua história foi recriada minuciosamente, com um olhar empático, que imediatamente nos envolve e comove os corações mais duros.
Um filme que nos ajuda a perceber que as tragédias humanitárias podem entrar em nosso universo particular a qualquer momento e que estamos todos inescapavelmente interligados.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
Os Melhores Filmes de 2021 - C'mon C'mon (Sempre em Frente)
Johnny (Joaquin Phoenix) é um jornalista solteiro, que trabalha num projeto de entrevistar crianças e adolescentes sobre esse tema, quando se depara com a necessidade de cuidar do sobrinho pequeno por alguns dias.
Ambos fora da zona de conforto, terão que entender os mundos um do outro, com os quais têm pouca intimidade, mas têm o laço de sangue que os une.
As entrevistas em paralelo dão um ar de documentário ao filme, reforçado pela opção pela fotografia em preto e branco. E a proximidade com a vida real do sobrinho, nos ajuda a tangibilizar os depoimentos.
Sem apelar para clichês ou soluções fáceis, o roteiro do diretor Mike Mills envolve, enternece e nos aproxima desse pequeno recorte da vida, tão banal quanto poderoso. A química entre os atores ajuda a elevar o filme, o garoto Woody Norman é adorável e Phoenix segue sendo um dos grandes de sua geração.
Um filme belo como a vida deve ser.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2022
Os Melhores Filmes de 2021 - West Side Story (Amor Sublime Amor)
O original de 1961, de Jerome Robbins e Robert Wise é um dos grandes momentos da história do cinema, um marco de passagem da estética dos grandes estúdios para uma grande experiência imersiva, ousada e inovadora.
Reproduzir esse momento é impossível. Então, por que uma refilmagem? Porque Steven Spielberg achava que tinha algo a acrescentar, com um olhar atualizado, e apresentar essa obra-prima às novas gerações.
Artisticamente ele se superou. Com mudanças sutis no roteiro original, consegue colocar em perspectiva uma época de grande transformação na cidade de Nova York e mesmo nas relações sociais.
Sua direção é fluida como nos seus melhores trabalhos e cada detalhe é cuidadosamente polido. Na falta de outro adjetivo, o resultado é extasiante. A coreografia, a fotografia, a edição, o som, os figurinos e a direção de arte são das melhores coisas que o cinema é capaz de produzir hoje e assim será por muito tempo.
Peça por peça, o elenco é todo melhor que o do filme de 1961. Até porque a melhor coisa do original era Rita Moreno, que volta aqui em um outro papel escrito especialmente para ela. Comecemos pelo casal central: Rachel Zegler, uma latina no papel de uma latina, ao contrário de Natalie Wood, que além de ser dublada nas canções era filha de imigrantes russos. Ansel Elgort é infinitamente mais expressivo que Richard Beymer.
Ariana DeBose no papel de Anita é uma força da natureza, no nível de Moreno. Os líderes das gangs, David Alvarez e Mike Faist são duas revelações que certamente veremos muito num futuro próximo.
O grande problema são os momentos. O público atual é exposto a infinitos estímulos diariamente e dificilmente será seduzido por um musical longo, por mais bonito que seja. Mas Spielberg fez sua parte e surpreendeu, sua versão é ainda melhor que o original. Um dos filmes mais lindos que já vi.
* Uma observação importante: este filme deve e merece ser visto no cinema, mas infelizmente a distribuidora decidiu colocar nas legendas das canções o texto do libreto da montagem musical no Brasil. Como resultado, o que é cantado pelos atores é muito diferente da tradução na legenda, o que atrapalha demais o espectador. Parece uma versão livre, como por exemplo: "Tonight, tonight" vira "Você, você". É insuportável. Uma absurda falta de respeito com a obra e com o público. Se você entende minimamente o inglês, recomendo fortemente que tente ignorar as legendas.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
Os Melhores Filmes de 2021 - The Power of the Dog (Ataque dos Cães)
“Livrai a minha alma da espada; minha querida do poder do cão".
Esta citação do salmo da bíblia do Rei James é a chave para a compreensão da história. Sem entrar muito em spoilers, a frase traduz o confronto de Peter, o aparentemente frágil filho de Rose, com Phil Burbank, que seria o próprio "cão", cuja postura homofóbica e misógina ameaça a própria existência do jovem e, especialmente, da sua mãe.
Um parênteses: o título nacional dá uma falsa impressão de que haveriam literalmente cachorros na história, o que acabaria atraindo o público errado e afastando o capaz de compreender suas nuances sutis.
O personagem de Benedict Cumberbatch é um dos mais multifacetados do cinema mainstream dos últimos anos. De família de ricos fazendeiros, formado com destaque na prestigiosa Yale, Phil volta para cuidar de suas terras ao lado do irmão sob a máscara de um personagem que ele criou para sobreviver aos próprios preconceitos.
O Phil fazendeiro é grosseiro, sujo e desagradável. Quando o irmão se casa e o equilíbrio do ambiente se desfaz, ele radicaliza sua postura e passa a atacar diretamente a cunhada intrusa, que aos poucos sucumbe.
Quando o garoto retorna em férias da faculdade, logo percebe o perigo que sua mãe corre e se aproxima do inimigo para entendê-lo e tentar neutralizá-lo. Aos poucos descobre suas fraquezas e passa a miná-las, aproveitando-se das semelhanças que o desarmam.
Jane Campion é uma cineasta sensível, que faz aqui um de seus melhores trabalhos, desde o roteiro, baseado no livro de Thomas Savage, à direção inspirada, que mantém sempre a tensão no ar.
Tecnicamente impecável, com destaque para a linda fotografia da australiana Ari Wegner, que apesar das amplas paisagens abertas, ainda assim parece claustrofóbica. E ainda a trilha sonora de Jonny Greenwood, igualmente tensa.
Mas, claro, o ponto alto está no elenco, notadamente na cuidadosa seleção do casting. Cumberbatch - em seu melhor trabalho - de traços finos e pálidos, parece deslocado, como Phil de fato deveria estar. Ao contrário do personagem de Jesse Plemons, tão à vontade naquele ambiente, que não tem problemas em demonstrar sua sensibilidade, mesmo sem ganhar destaque, é o centro de gravidade da história. Kirsten Dunst - igualmente em seu melhor - faz uma Rose frágil e destruída, incapaz de lidar com os confrontos. E a surpresa vem com Kodi Smit-McPhee, uma escolha ousada e perfeita. Seu Peter é quase um alienígena na aridez da vida rural, nunca é possível prever seu próximo passo.
"The Power of the Dog" é meu favorito até agora para as premiações do ano. Não é um filme para todos os públicos, mas merece o esforço mesmo de olhos menos treinados.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Os Melhores Filmes de 2021 - Madres Paralelas
Pedro Almodóvar é um cineasta que foi claramente refinando seu cinema. De um início nada sutil, onde fazia questão de provocar até chegar a este perfeito Madres Paralelas, foram erros e acertos, mas sempre evoluindo.
Madres Paralelas é tanto sobre maternidade quanto sobre paternidade. As histórias aparentemente desconexas, na verdade amarram o drama atual até as raízes da dissolução da figura paterna, brilhantemente simbolizado por um chocalho desenterrado.
Tudo começa pela ditadura franquista, época de violenta perseguição política, mas também de roubo de crianças, onde quase 30 mil bebês teriam sido separados de "mães inadequadas".
Penelope Cruz é Janis, uma mulher independente e bem sucedida, que ao mesmo tempo que sente a urgência em ser mãe, tenta se reconectar às suas origens. Ela conhece um arqueólogo forense casado e engravida dele, já sabendo das barreiras para a construção de uma família.
Na maternidade conhece uma garota que representa a nova geração dessa verdadeira maldição histórica, filha de pais ausentes, prestes parir mais um bebê sem a figura paterna.
Desnecessário incensar o estilo do diretor, suas cores e diálogos cortantes, bem como a atuação impecável de Cruz e de todo elenco de apoio. O ponto principal aqui é o roteiro sofisticado que parece explicar e exorcizar mais de 50 anos de dores.
Madres Paralelas é um filme necessário, que, através dos temas sensíveis em que toca, pode e deve ajudar a curar as feridas ainda abertas de toda uma sociedade.












