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terça-feira, 23 de agosto de 2011

10 Filmes Portugueses



Para elaborar esta lista, assisti ao longo de meses um grande número de filmes feitos em Portugal, alguns bons, outros nem tanto e alguns até impossíveis de assistir. Mas foi uma viagem das mais agradáveis.
Os portugueses têm alguns hábitos culturais muito diferentes dos brasileiros, são muito mais contidos, respeitosos e por vezes até ingênuos. Seu sotaque é carregado e exige legendas para ouvidos destreinados.  
O cinema chegou a Portugal apenas seis meses após a exibição inaugural dos irmãos Lumière em Paris, em 1896. Já em 1900, Manuel Maria da Costa Veiga fez seu primeiro filme, "Aspectos da Praia de Cascais" com imagens do Rei Dom Carlos na praia.
A produção local nunca foi muito grande, sendo que boa parte desses filmes eram adaptações de sua rica literatura. Nos anos 1940, surgiu o Novo Cinema, a versão portuguesa do Neo-Realismo Italiano, com alguns clássicos. Mas após este período voltou a produzir poucos filmes.
Neste século, cada vez mais e melhores filmes portugueses vêm sendo feitos. Esta lista traz 10 bons exemplos deste novo cinema Português, que merece ser conhecido.


1.  Um Filme Falado (Manoel de Oliveira, 2003. uma obra-prima narrativa. uma professora de história com sua filha pequena embarcam num cruzeiro pelo Mediterrâneo, conhecendo os locais que sempre ensinou e nós viajamos junto com elas, imaginando mais do que vemos. no navio três mulheres famosas e o capitão conversam em suas próprias línguas, o que simboliza que o entendimento está nas mulheres. obra de gênio, Oliveira merece os elogios que sempre recebeu)


2.  Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz, 2010. baseado na obra do grande Camilo Castelo Branco, é um delicioso novelão de mais de quatro horas de duração recheado de amores e intrigas dos fidalgos portugueses do século 19. uma trama cheia de surpresas e reviravoltas, muito bem costuradas pelo bom diretor chileno radicado no França Ruiz, falecido no último dia 19 de agosto) 


3.  O Fantasma (João Pedro Rodrigues, 2000um filme ousado e provocativo sobre um jovem lixeiro, que passa seus dias entre uma pensão e os encontros com outros homens. sem sutileza, o diretor equipara o comportamento sexual do personagem ao de um animal, agindo em função de sua libido, sem qualquer inibição. com muitas cenas explícitas, não serve para qualquer público. bem dirigido, pelo promissor Rodrigues, do também original e bom 'Odete' de 2005)


4.  Coisa Ruim (Tiago Guedes e Frederico Serra, 2006. uma família de Lisboa muda-se para a casa herdada de um tio, numa pequena vila. com a casa, eles herdam também sua maldição e suas assombrações. um ótimo suspense, mas com uma solução um tanto anticlimática, embora faça sentido)


5.  Singularidades de uma Rapariga Loura (Manoel de Oliveira, 2009. baseado na obra de Eça de Queirós, conta a história de um rapaz que se apaixona por uma bela jovem que mora na casa em frente ao empório onde ele trabalha. o tio dele, dono do comércio, não aprova a relação, o demite e o expulsa de casa. com a ação transposta para os dias de hoje, a trama soaria anacrônica em qualquer lugar, mas aqui parece caber bem no jeito contido dos portugueses)


6.  Capitães de Abril (Maria de Medeiros, 2000. a Revolução dos Cravos foi perfeita, única, com total apoio da população e quase sem vítimas, trouxe a democracia de volta para Portugal depois de anos de ditadura. os portugueses conhecem bem a história e se orgulham muito dela, o que talvez leve aos maiores defeitos do filme. nota-se que os atores estão entusiasmados com seus personagens, é um clima muito bom, mas nada é bem explicado. o roteiro é cheio de furos, algumas situações são pessimamente dirigidas. muitas boas intenções, mas como cinema é bem fraquinho)


7.  Ossos (Pedro Costa, 1997. num bairro pobre de Lisboa, um casal jovem acaba de ter um filho, que irá sobreviver a tentativa de suicídio da mãe, à vida nas ruas do pai, que tenta vender o bebê por uns trocados. gente feia, desgraças, tramas ininteligíveis. um filme desagradável, lento demais e que se acha genial. ruim, mas curiosamente premiado)


8.  Os Mutantes (Teresa Villaverde, 1998. uma espécie de 'Pixote' português, mostrando a realidade de adolescentes abandonados ou infratores num tom quase documental. é pesado e com narrativa excessivamente fragmentada, principalmente na primeira metade. não é bom cinema, mas é relevante)


9.  Amália, o Filme (Carlos Coelho da SIlva, 2010. uma bela produção, com elenco bonito, fotografia deslumbrante, as canções inesquecíveis de Amália dubladas, mas... não funciona. a edição não linear, em vez de ser um diferencial criativo, apenas torna o filme confuso. alguns dramas mal explicados parecem saídos de novelas mexicanas e não do fado. é uma pena desperdiçar um dos mais importantes símbolos da cultura portuguesa com um filme ruim. mal dirigido e mal editado)


10.  A Comédia de Deus (João César Monteiro, 1995. uma comédia iconoclasta, com um personagem com sua própria versão de valores. muitas frases feitas, tentando sem sucesso emular Grouxo Marx, e uma notável ausência de ritmo, o filme tem 162 minutos, ganhou o prêmio do júri em Veneza, mas não imagino o porquê)

Atualização (01/11/2012):

11.  Sangue do Meu Sangue (João Canijo, 2011. uma mãe solteira cuida dos dois filhos já crescidos com a ajuda da irmã, num bairro pobre de Lisboa. até que o filho se envolve com traficantes e a filha com um professor da faculdade com quem a mãe tivera um romance. respresentante português na disputa pelo Oscar, tem vícios de novela, é um tanto longo demais, mas é um bom filme)

12.  Adeus, Pai (Luís Filipe Rocha, 1996. um garoto de 13 anos consegue o sonho de conhecer melhor o pai, sempre atarefado demais, quando eles vão juntos passar férias nos Açores. belo filme português sobre a relação de pai e filho, sob a ótica do menino. bem dirigido, com intérpretes carismáticos, um filme a ser conhecido)

13.  Jaime (António-Pedro Vasconcelos, 1999. um garoto de 14 anos, sonha reconciliar seus pais, trabalhando para comprar uma moto para o pai poder trabalhar e se reerguer. denúncia social do trabalho infantil e uma visão triste do país empobrecido antes do euro. bom filme)


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