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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os 10 Melhores Filmes Nacionais de 2018

Esta lista refletem um escolha pessoal do editor e obedece critérios subjetivos, por isso raramente surgirão duas listas iguais.
O critério aqui são os filmes brasileiros lançados no circuito comercial de cinemas no país no ano de 2018. 
Espero que as indicações desta lista ajudem a valorizar alguns filmes que podem ter passado despercebidos pelo grande público.

1. Ex-Pajé
Brasil 2018 - 81' - Direção e Roteiro: Luiz Bolognesi
Num momento em que a identidade indígena é rebaixada pelas políticas públicas, este misto de drama e documentário é mais que relevante, é necessário.
Um outrora poderoso pajé passa a questionar sua fé depois de uma missão evangelizadora intolerante impor sua própria cultura à aldeia.
Belíssimo filme de Bolognesi, possivelmente o único nacional de 2018 que vai ficar na minha memória.

2. Paraíso Perdido
Brasil 2018 - 110' - Direção: Monique Gardenberg
Um clube noturno gerenciado por Erasmo Carlos e movimentado por apresentações musicais ultra românticas de sua família nada convencional.
O melhor filme da diretora, conduzido como um poema brega, sempre um tom acima da realidade, mas bem amarrado e agradável.

3. O Animal Cordial
Brasil 2017 - 96' - Direção: Gabriela Amaral Almeida
Murilo Benício é o dono de um restaurante, sempre em atrito com os funcionários. Quando o estabelecimento é assaltado a situação sai completamente do controle.
Um filme de terror criativo e violentíssimo, com muito humor negro e crítica social, representada na variedade dos personagens e suas características extrapoladas além dos limites.
Agradável surpresa de uma talentosa diretora estreante em longas.

4. Benzinho
Brasil / Uruguai / Alemanha 2018 - 95' - Direção: Gustavo Pizzi
Karine Teles é uma mulher de classe média baixa, lutando com as instabilidades de seu marido, de sua irmã e tendo que encarar a saída de seu primogênito de casa para jogar handball na Alemanha.
Um show da atriz em um personagem amoroso, sobre um roteiro cotidiano, mas complexo como a vida real.  

5. Todas as Razões para Esquecer
Brasil 2018 - 91' - Direção e Roteiro: Pedro Coutinho
Ao fim de um relacionamento, um jovem acreditava que não teria dificuldades em esquecer a ex-namorada. Mas à medida que o tempo passa, a dor da perda só aumenta.
Johnny Massaro consegue capturar nossa empatia ao retratar com perfeição essa fraqueza. Uma comédia romântica muito acima da média.

6. Arábia
Brasil 2017 - 97' - Direção: Affonso Uchoa e João Dumans
As memórias da vida difícil de um operário metalúrgico sempre marginalizado pelo interior de Minas, contada a partir do seu diário, encontrado por um jovem.
Um drama da vida de pessoas simples, que quase toca o panfletário, mas escapa graças à direção segura. 

7. Alguma Coisa Assim
Brasil / Alemanha 2017 - 81' - Direção e Roteiro: Esmir Filho e Mariana Bastos
A relação de amizade entre dois jovens, intercalado entre três momentos distintos de suas vidas ao longo de 10 anos, nas ruas de São Paulo e de Berlim.
Complemento de um curta metragem de 2006, tem o frescor da sinceridade e cumplicidade tanto entre os atores, quanto os diretores.

8. Yonlu
Brasil 2017 - 88' - Direção e Roteiro: Hique Montanari
A história de um personagem real, Vinícius Gageiro, mais conhecido como Yonlu, um jovem poeta, músico e desenhista. Apesar de tanto talento, em 2006, aos 16 anos, ele decidiu dar fim à sua vida, com a ajuda de uma comunidade virtual de potenciais suicidas.
O diretor opta por um registro experimental, que rende belas sequências, embalado pela música do próprio Yonlu. Não é um filme fácil, mas é ousado e interessante.

9. As Boas Maneiras
Brasil / França / Alemanha 2017 - 135' - Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra
Uma mulher grávida e sozinha contrata uma enfermeira para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, ela começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente a babá.
Rojas e Dutra já criaram um universo próprio que mistura terror, música e crítica social, que ainda assim nos surpreende a cada nova obra. Seu maior mérito é conseguir que nos identifiquemos com as situações mais absurdas e relevemos eventuais desvios éticos das personagens.

10. Baronesa
Brasil 2017 - 71' - Direção: Juliana Antunes
Duas amigas vivem em uma comunidade de Belo Horizonte, quando uma guerra entre traficantes deixa o clima tenso, e uma delas passa a se organizar para construir uma casa numa região mais distante.
Um documentário fluido, que consegue colocar a câmera num cotidiano feminino pouco familiar da nossa realidade.

Outros Destaques:
  • Unicórnio
  • Quase Memória
  • Praça Paris
  • Ferrugem
  • Aos Teus Olhos
  • 10 Segundos para Morrer
  • Uma Quase Dupla
  • Todo Clichê de Amor
  • O Paciente
  • O Segredo de Davi
  • O Beijo no Asfalto
  • Tinta Bruta
  • Diamantino





quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2017


2017 foi especialmente marcante para o cinema nacional. Apesar de as bilheterias não terem sido tão espetaculares, a qualidade dos filmes melhorou a olhos vistos. Não são apenas três ou quatro exceções, houveram pelo menos 20 ótimos lançamentos.
A minha lista destaca dez deles e é injusta com muitos outros que ficaram de fora. Por isso recomendo a vocês: Prestigiem o cinema brasileiro!

1.  Corpo Elétrico (Elias - Kelner Macêdo - é estilista numa pequena confecção do centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Quando ele começa a fazer amizade com os outros funcionários, é desencorajado pelo chefe. Mas Elias não gosta muito de máquinas, ele prefere gente. Um lindo filme sobre o ser humano, apesar das diferenças, poder coexistir harmonicamente) (veja a crítica)

2.  O Filme da Minha Vida (O jovem Tony - Johnny Massaro - retorna à cidade natal e descobre que seu pai - Vincent Cassel -, voltou para França, abandonando a mãe. Ele consegue emprego como professor e resolve sair em busca do pai. Selton Mello parece ter encontrado sua voz como diretor. Uma voz doce, carregada de nostalgia e da sensibilidade de quem entende muito bem o que se passa no íntimo de suas personagens. Mas também é a voz de um artesão rigoroso, caprichoso em cada detalhe) (veja a crítica)

3.  Bingo, o Rei das Manhãs (Biografia disfarçada do primeiro ator a representar o palhaço Bozo no Brasil. Dirigido por Daniel Rezende, o filme tem um ritmo raro e uma atuação excepcional de Vladimir Brichta. O filme foi a escolha brasileira para concorrer ao Oscar, mas passou longe de uma indicação) (veja a crítica

4.  Pendular (Em um galpão abandonado, um casal de artistas contemporâneos observa a arte, a performance e sua intimidade se misturarem. Dirigido opor Júlia Murat, não é uma obra fácil, mas é muito elaborada e inteligente. É um daqueles filmes que nos estimula a pensar, não apenas sobre ele, mas sobre a vida) (veja a crítica

5.  Entre Irmãs (No interior de Pernambuco, nos anos 30, duas irmãs - Nanda Costa e Marjorie Estiano -, separadas pelo destino, terão que enfrentar as dificuldades do sertão e da cidade. Um épico folhetinesco, com romances e dramas exarcebados, que nas mãos do habilidoso Breno Silveira, consegue emocionar até os mais mal humorados) (veja a crítica

6.  Vazante (No início do século dezenove, em uma fazenda imponente e decadente, situada na região dos diamantes em Minas Gerais, brancos, negros nativos e recém-chegados da África sofrem com os conflitos e a incomunicabilidade gerada pela solidão e pelas tensões raciais. A diretora Daniela Thomas reconstrói com maestria as dificuldades cotidianas e da convivência forçada nas fazendas de então entre patrões e escravos)  (veja a crítica

7.  Mulher do Pai (Uma adolescente precisa cuidar do pai cego - Marat Descartes -, após a morte da avó que os criou como irmãos. Quando ele percebe o amadurecimento da filha, surge uma desconcertante intimidade entre eles. Mas, com a chegada de Rosário, o ciúme ganhará espaço na vida de ambos. O novo cinema brasileiro passa necessariamente pelo olhar feminino. A cineasta Cristiane Oliveira estreia na direção de longas com um trabalho minucioso sobre um roteiro recheado de nuances e significados que vão além da superfície)  (veja a crítica

8.  Gabriel e a Montanha (A história real de Gabriel Buchmann, um jovem aventureiro brasilero que decide ir para a África. Durante a viagem, Gabriel decide subir o Monte Mulanje, um dos mais altos do Malawi, mas por conta disso sua história se torna trágica. Fellipe Barbosa compôs um filme complexo e tenso. Utiliza um tom documental sem julgar seu protagonista e nos deixa tirar nossas próprias conclusões) (veja a crítica

9.  Divinas Divas (dirigido por Lendra Leal, este ótimo documentário aborda a primeira geração de artistas travestis do Brasil.na década de 1970,O filme acompanha o reencontro das artistas para a a montagem de um espetáculo, trazendo para a cena as histórias e memórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época) 

10.  Pitanga (Dirigido por Camila Pitanga, documenta a vida de Antônio Pitanga, um dos maiores atores do cinema nacional de todos os tempos, protagonista de momentos marcantes da cinematografia brasileira nas décadas de 1960 e 1970. Uma linda e merecida homenagem) 

Outros filmes que poderiam e deveriam fazer parte desta lista:

- As Duas Irenes

- Como Nossos Pais
- Divórcio
- A Cidade Onde Envelheço
- Fala Comigo
- No Intenso Agora
- Eu Fico Loko
- Redemoinho
- TOC - Transtornada Obsessiva Compulsiva
- Jonas e o Circo de Lona
- Esteros
- Martírio
- Era o Hotel Cambridge
- Amor.com


Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes Estrangeiros de 2017"














sábado, 2 de janeiro de 2016

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2015


Foi um bom ano para o cinema nacional, com cerca de 130 lançamentos.
Nossos filmes estão melhores tecnicamente, os roteiros mais apurados, os diretores mais autorais e a variedade de temas impressiona.
Não vi todos os filmes nacionais lançados nos cinemas em 2015, nem conseguiria, mas vi boa parte deles. Por isso mesmo, a lista e 10 poderia ser bem maior.
Confira meus favoritos do ano! Prestigie os filmes brasileiros!

1.  A História da Eternidade (um mosaico de emoções humanas concentrado numa pequena vila no sertão pernambucano. o filme é contado através dos olhos de três mulheres ancoradas naquele lugar, os homens representam os sonhos e perigos da vida distante. linda fotografia, interpretações poderosas, notadamente de Irandhir Santos e Claudio Jaborandy. ótima estreia do diretor Camilo Cavalcante)

2.  Ausência (o filme de Chico Teixeira mostra, com delicadeza, o amadurecimento forçado de um garoto de 14 anos, através das suas perdas sucessivas. o bom roteiro nos leva a criar empatia pela falta de afeto que o aflige. mais uma atuação brilhante de Irandhir Santos num papel coadjuvante. belíssimo filme)

3.  Últimas Conversas (com a súbita morte do diretor Eduardo Coutinho, o filme foi concluído sem a sua supervisão, mas isso até o favorece, pois fortalece a imagem de testamento às novas gerações. um artista genial, que estava no auge aos 80 anos de idade, entrevista jovens de ensino médio, prestes a encarar seu futuro profissional. um raro cineasta capaz de assimilar profunda empatia por seus entrevistados e imprimi-la na tela. fará falta)

4 Casa Grande (um casal carioca leva uma vida bastante confortável, até irem à falência, ninguém sabe de seus problemas financeiros, nem mesmo o filho adolescente, que eventualmente terá que enfrentar a realidade. o diretor Felipe Barbosa acerta a mão em sua estreia em longas, ao dar o ritmo e o tom perfeitos. nada muito apressado, revelando aos poucos os dramas de cada personagem e sempre com um olhar irônico, quase malvado sobre a burguesia carioca. um ótimo filme, com a cara do novo cinema brasileiro)

5.  Sangue Azul (um circo monta lona em Fernando de Noronha. Daniel de Oliveira é o homem-bala, que foi criado na ilha, junto com a irmã, até o dia em que a mãe o mandou para longe temendo um incesto entre as duas crianças. agora adulto, ele reecontra a família para resolver as questões do passado que ainda o atormentam. a grande estrela do filme é a paisagem que proporciona uma fotografia hipnotizante. a atmosfera de ilha reforça os laços dos personagens e as relações nunca plenamente explicadas entre elas. todo elenco é sensacional, com destaque para a mãe Sandra Corveloni e seus sentimentos divididos)

6.  Cássia Eller (o melhor dos documentários é sempre a história que têm para contar e Cássia é uma grande história. o diretor Paulo Henrique Fontenelle não foge do convencional e perde algumas chances de produzir uma obra-prima, faltam shows, falta alma. mas com uma personagem assim, não dá para errar muito e a biografia, mesmo assim, emociona às lágrimas e é um dos melhores filmes do ano)

7.  Que Horas Ela Volta? (uma babá trabalha por anos na casa de uma família paulistana, criando o filho dos patrões, tendo deixado a própria filha em sua cidade natal para ser criada por outros. quando a filha muda-se para São Paulo, os seus mundos colidem. o melhor filme de Anna Muylaert conta com boas atuações, especialmente de Regina Casé. é, ao meu ver, sobre três mulheres que terceirizam a criação dos respectivos filhos em busca de sentido em suas vidas. o que estraga é o hype criado como panfleto de luta de classes, tolo e descabido)

8.  Califórnia (no início dos anos 1980. uma adolescente vive os conflitos típicos da idade. ela tem como ídolo um tio jornalista musical  - Caio Blat sempre bem -, que vive nos Estados Unidos. o maior sonho da menina é visitá-lo na Califórnia, durante as férias. mas seus planos vão por água abaixo quando ele volta doente para o Brasil. embora falte tarimba para Marina Person na direção de atores e a produção por vezes evidencie a falta de recursos, o filme me atingiu o coração por tratar com conhecimento de causa da mesma época da minha adolescência. a música está lá, os hábitos, as roupas e até aquele sentimento de um mundo em transformação)

9.  Entre Abelhas (Fábio Porchat é um editor de imagens, recém-separado da mulher, que começa a deixar de enxergar as pessoas. ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. o filme de estreia da turma do Porta dos Fundos não foi uma comédia histérica, mas um drama sutil, com, obviamente, toques de humor. talvez tanta sutileza não prenda o espectador, mas mantém a coerência de um roteiro bem construído fiel ao tema original. se não empolga, faz pensar. é mais do que se esperaria)

10.  Depois da Chuva (em 1984, quando a ditadura militar se enfraquece, dois jovens baianos de 16 anos começam a perceber que estão vivendo uma fase importante do país. a descoberta do contexto político, com as eleições diretas para presidente, mistura-se às descobertas sexuais e ao fim da adolescência. bom retrato de uma época importante de transição da política brasileira. nas entrelinhas,o filme mostra a gênese do pensamento político atual, com seus vícios e virtudes. boa atuação de Pedro Maia)

Extra:  O Sal da Terra (o documentário produzido por Brasil, França e Itália, com um diretor alemão e outro brasileiro, me deixou na dúvida se pode ser considerado "filme brasileiro", por isso entra como extra nesta lista. conta um pouco da trajetória de Sebastião Salgado, um dos maiores brasileiros da história. um fotógrafo genial que fez o mundo enxergar-se por outro ponto de vista. o filme tem a marca dos documentários de Wim Wenders, que consegue tirar segredos da alma do biografado, sem sensacionalismos. um filme digno do mestre)

Menções honrosas:
- Amor, Plástico e Barulho
- Ponte Aérea
- Branco Sai, Preto Fica
- Orestes
- Operações Especiais
- Beira-Mar
- Romance Policial
- O Duelo
- A Estrada 47
- O Vendedor de Passados


Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2015"




quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2013


O ano de 2013 foi superlativo em número de lançamentos de filmes brasileiros, algo em torno de 128 novos filmes entraram em cartaz nas salas de todo país.
Mas infelizmente não foi tão bom qualitativamente, com honrosas exceções.
Esta é a minha lista pessoal dos 10 melhores filmes nacionais de 2013, com a torcida que a quantidade se traduza em qualidade daqui para frente.

1.  O Som ao Redor (existencialista e paranóico ao mesmo tempo, fala das relações entre moradores e empregados de uma vizinhança de classe média de Recife. tem uma direção primorosa e um desenho de som genial do próprio diretor Kleber Mendonça Filho. o roteiro capricha na ironia, que muitas vezes nos serve de espelho e ainda se fecha brilhantemente. uma obra rara, sinal de amadurecimento técnico do nosso cinema. o melhor filme do ano)

2.  O Que se Move (extremamente impactante, fala de sentimentos de três famílias, com destaque para as mães, lidando com a insuportável dor da perda. as atuações são sinceras e a forma surpreende por sua brilhante experimentação. Fernanda Vianna ganhou o prêmio de melhor atriz em Gramado, mas o prêmio deveria ser dividido com as outras mães. belíssimo filme de Caetano Gotardo, que infelizmente foi visto por poucos)

3.  Tatuagem (outro grande exemplar do pulsante cinema de Recife, contando a inesperada história de amor entre um ator de teatro marginal e um soldado - Irandhir Santos e Jesuíta Barbosa excelentes - em plena ditadura militar. lembra "A Febre do Rato", que tinha roteiro de Hilton Lacerda, que aqui também é o diretor)

4.  Jorge Mautner - O Filho do Holocausto (muito bem fotografado por Gustavo Hadba, o documentário procura traçar um paralelo entre o livro de memórias de Mautner com suas canções. as participações carinhosas de Caetano, Gil, a filha Amora valorizam bastante este filme original e bem roteirizado)

5.  A Busca (muito bem dirigido por Luciano Moura, o filme compensa alguns absurdos do roteiro com muita emoção. atuação belíssima de Wagner Moura e também de Lima Duarte garantem o bom resultado. um belo filme num gênero ainda novo para o nosso cinema, que assim amadurece ainda mais)

6.  Faroeste Caboclo (a grata surpresa do filme é o diretor René Sampaio, que vinha direcionando seu talento para a publicidade e estreia com um trabalho muito competente. o roteiro felizmente não segue literalmente a canção ruim de Renato Russo, mas apenas a toma como inspiração. o filme é feito de belos planos, cuidadosamente executados pelo fotógrafo Gustavo Hadba e ainda revela um bom ator principal, Fabrício Boliveira)

7.  Elena (contada como uma carta à irmã morta, o documentário é uma colagem de velhos VHS da década de 1990. interessante pela imersão da mãe e da própria diretora em sua história, o que permite a empatia da audiência. um bom filme)

8.  O Abismo Prateado (inspirado na canção "Olhos nos Olhos" de Chico Buarque, o filme segue seu espírito e sua cadência triste ao contar a história do desespero de uma mulher - Alessandra Negrini ótima - abandonada pelo marido. dirigido com delicadeza por Karim Aïnouz, é um dos bons filmes de 2013)

9.  Flores Raras (o brilho das duas atrizes centrais apaga qualquer defeito que o filme eventualmente tenha. Glória Pires e Miranda Otto em personagens de naturezas opostas, têm interpretações marcantes. o filme de Bruno Barreto ainda tem ao seu favor uma boa direção de arte, que nos transporta fielmente à época retratada; a naturalidade que expõe a relação homossexual e a coragem de colocar na fala de Elizabeth algumas observações críticas sobre a natureza do brasileiro)

10.  Serra Pelada (bela fotografia e uma impressionante reconstituição do garimpo-formigueiro que assombrou o Brasil nos anos 1980 são o pano de fundo para uma história um tanto caricata, recheada de personagens bizarros, mas valorizada pelo bom elenco, bem dirigido por Heitor Dhalia. a superprodução do ano não chegou aonde poderia, mas ainda assim merece ser vista)

Maior Sucesso:  Minha Mãe é uma Peça (o ator Paulo Gustavo conseguiu transferir bem o humor de sua peça de sucesso para o cinema, numa comédia simples, mas realmente engraçada. mesmo sem ser um grande filme, foi o melhor no seu gênero, merecendo o posto de maior bilheteria nacional do ano, com mais de 4 milhões de espectadores) 


Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2013"





sábado, 5 de janeiro de 2013

10 Melhores Filmes Brasileiros de 2012


Como todos os anos, o blog seleciona os melhores filmes nacionais lançados em nossos cinemas.
2012 foi um ano especialmente frutífero para o cinema brasileiro, com dezenas de bons filmes lançados e boas bilheterias, que só incentivam a sua produção e exibição.
Esta lista destaca 10 filmes, mas muitos outros merecem ser lembrados.
Confiram e comentem!

1.  Xingu (bem dirigido por Cao Hamburger, é importante para conhecermos a história dos povos indígenas da Amazônia e a fantástica contribuição dos irmãos Villas Bôas, figuras que deveriam ser mais lembradas e reverenciadas na nossa história. produção impecável, com destaque para as belas trilha sonora e a fotografia. o elenco - profissional e amador - está ótimo e o roteiro não faz concessões fáceis ao drama ou romance. uma obra emocionante e relevante, que deve ser vista no cinema - e não mutilada na rede Globo)

2.  Febre do Rato (a história de um poeta inconformado, que banca seu próprio tablóide, e o universo de liberdade que o cerca. poesia em estado puro, a arte como necessidade fisiológica. Cláudio Assis consegue tirar uma visceralidade única de seu filme. ao contrário de suas obras anteriores, este é alegre, sensual, espontâneo. um belo filme, com linda fotografia em PB de Walter Carvalho)

3.  Histórias que Só Existem Quando Lembradas (uma jovem fotógrafa, seguindo a pé pelos trilhos de trem, chega a uma cidade abandonada do Vale do Paraíba, onde uma pequena comunidade de idosos sobrevive, mantendo as tradições locais. a história começa com aparência de documentário, tem uma narrativa lenta, mas tudo vai se encaixando até o desfecho perfeito. um filme surpreendente, com um quê de sobrenatural. visto por poucos, que merece ser conhecido)

4.  Girimunho (numa cidadezinha do sertão mineiro, duas senhoras acompanham o girar do redemoinho. a primeira lida com naturalidade com a perda do marido, suas lembranças e seu fantasma. a segunda carrega no tambor a alegria de seu povo. a vida segue um ritmo totalmente diferente do nosso e nos causa estranheza. é fascinante entrar na vida dessas mulheres, acompanhar sua visão do mundo e sua razão de viver. belo filme!)

5.  Cara ou Coroa (um diretor de teatro convence seu irmão a abrigar dois militantes comunistas na casa da namorada, trazendo perigo para todos. o diretor Ugo Giorgetti é um grande construtor de tipos. aqui ele traz sua memória carinhosa de 1971, auge da ditadura militar, onde os jovens ainda eram idealistas e até ingênuos. o filme é excelente como um todo, mas brilha com dois grandes atores, Otávio Augusto como o tio reacionário e Walmor Chagas como um general rigoroso e, ao mesmo tempo, um avô terno)

6.  Gonzaga, de Pai para Filho (a história de Luís Gonzaga, sua carreira de altos e baixos e sua relação conflituosa com o filho Gonzaguinha. deixando de lado as liberdades históricas, o roteiro é bem estruturado, a música épica e o drama bem contado, que comove sem apelações. um bom filme de Breno Silveira, que em 2012 também lançou o irregular 'À Beira do Caminho')

7.  Uma Longa Viagem (o Brasil vem criando uma tradição de bons documentários. dentre as dezenas de ótimos exemplares lançados em 2012, destaco este, que foi o grande vencedor do festival de Gramado em 2011, tanto pelo conteúdo, quanto pela forma. a diretora Lúcia Murat conta a história de seu irmão mais novo, que para fugir da ditadura nos anos 1970, viveu num mundo de aventuras e, apesar de inteligente e articulado, acabou consumido por elas e pelas drogas. o filme parece não fazer juízo de valor, afinal, nos cerca de 8 anos de loucuras, ele deu duas voltas ao mundo, mas fica claro que pagou o preço, por não ter conseguido voltar ao mundo real como seus amigos. um belo documentário, com uma boa interpretação de Caio Blat, lendo as cartas do irmão quando jovem)

8.  Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (no interior da Amazônia, um fotógrafo de passagem acaba se envolvendo com a linda e instável esposa de um pastor, com consequências desastrosas. o talentoso diretor Beto Brant consegue dar fluidez ao filme. cercou-se de atores dedicados, que criaram personagens ricos e profundos. destaque para Camila Pitanga, que se entrega a um personagem difícil e faz um trabalho memorável. ótimo filme)

9.  2 Coelhos (um intrincado e elaborado thriller policial paulistano, que busca sua própria fórmula, sem copiar os similares americanos. um jovem decide fazer justiça com as próprias mãos através de um complexo plano, que vamos desvendando aos poucos. empolgante e visualmente inventivo, é um bom exemplo da maturidade técnica do nosso cinema)

10.  Raul Seixas: o Início, o Fim, o Meio (outra tendência do cinema nacional são os documentários musicais. Raul é um personagem perfeito por sua trajetória e sua personalidade. o diretor Walter Carvalho consegue, através de bons depoimento e alguns bons achados, construir o lado humano do ícone pop, da infância à morte precoce. um retrato digno)

Menções honrosas: A Música Segundo Tom Jobim, À Beira do Caminho, Vou Rifar Meu Coração, Era uma Vez Eu Verônica, Tropicália, Paraísos Artificiais, Menos que Nada, Corações Sujos, Heleno, Boca.

Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2012"