quinta-feira, 25 de julho de 2019

10 Filmes de Rutger Hauer

Rutger Oelsen Hauer nasceu na Holanda em 1944, filho de dois professores de teatro e morreu no último dia 19 de julho aos 75 anos.
O ator também era ambientalista e tinha uma ONG dedicada à pesquisa e ao esclarecimento sobre a Aids.
Com quase 200 créditos no cinema e televisão foi um dos atores mais importantes de seu país, reconhecido mundialmente. Seus primeiros filmes foram em conjunto com o diretor Paul Verhoeven na década de 1970, época grande efervescência do cinema holandês.
Esse destaque levou ambos para Hollywood, onde o ator logo se destacou como um replicante em 'Blade Runner - Caçador de Andróides', de 1982.
A partir daí protagonizou dezenas de filmes, especialmente de ação.
Esta pequena lista destaca alguns de seus melhores filmes, mas podia ter muitos outros. Quais os seus favoritos?

1. Blade Runner
Era apenas seu segundo filme em Hollywood e Hauer encontrou o tom perfeito para Roy Batty, o líder dos replicantes, um androide cheio de angústia e humanidade. Sua parcceria com o diretor Ridley Scott lhe deu a oportunidade de improvisar o icônico discurso final, quando estava prestes a morrer: "Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portal de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer."

2. Louca Paixão
Dirigido pelo amigo Paul Verhoeven, este drama romântico de 1973 foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro e é um marco do cinema holandês. Rutger é um escultor boêmio que conhece e se apaixona por uma garota de família rica, eles se casam contra a vontade da família da moça, mas logo ela começa a agir de forma estranha e o abandona. Um filme muito triste e visceral. O sucesso levou os correios do país a lançar um selo anos mais tarde com a imagem do ator no filme.  

3. O Feitiço de Áquila
O diretor Richard Donner inicialmente quis Hauer para o papel de vilão, mas acabou se convencendo que ele era perfeito para o herói, um cavaleiro medieval que viajava pela Itália do século XII acompanhado de um falcão. Na história, um malandro condenado (Matthew Broderick) foge das masmorras de Áquila e conhece o cavaleiro, que quer que ele o leve de volta à fortaleza para matar o bispo e quebrar o feitiço que faz com que o cavaleiro se transforme todas as noites em um lobo, enquanto seu falcão se tornae uma bela mulher (Michelle Pfeiffer), amantes que só se encontram brevemente ao pôr e ao nascer do sol. Uma fantasia de grande sucesso, até hoje lembrada.

4. O Moinho e a Cruz
Uma recriação em movimento do quadro "A Procissão para o Calvário" (1564), de Pieter Bruegel, que narra a Paixão de Cristo durante a ocupação espanhola. A história alterna a construção do quadro, narrada pelo próprio pintor (Rutger Hauer), o sofrimento de Jesus, comentado por Maria (Charlotte Rampling), e a vida típica dos camponeses que compunham esta sociedade do século XVI. Uma fotografia deslumbrante, que emula as pinceladas do mestre flamengo.

5. A Nação do Medo
Esta produção da HBO de 1994 parte da intrigante premissa que a Alemanha venceu a 2ª Guerra Mundial. A ação se desenrola em 1964, numa Alemanha fictícia, que estando em guerra com a União Soviética precisa se aliar aos Estados Unidos e Adolf Hitler deve receber o presidente americano, John Kennedy, para selar o pacto. Um oficial da SS (Rutger Hauer) começa a ficar intrigado com certos "suicídios" e "acidentes" e, com a ajuda de uma repórter americana (Miranda Richardson), começa a investigar as mortes, que escondem uma verdade tão grave que pode comprometer a aliança. 

6. Soldado de Laranja
Holanda, 1940. A Segunda Guerra Mundial atinge seis jovens estudantes holandeses. Até então descrentes, eles terão de decidir se aliam-se aos nazistas, lutam na resistência ou permanecem na clandestinidade. Um deles, Erik Lanshof (Rutger Hauer), prefere a liberdade e confia seu futuro ao imprevisível destino. Dirigido por Paul Verhoeven, foi indicado ao Golden Globe de filme estrangeiro.

7. Conquista Sangrenta
No ano de 1501, a peste negra se espalha pela população. Um grupo de mercenários comandados por Rutger Hauer luta ao lado do nobre, que quer recuperar seu castelo. Os mercenários deveriam receber uma boa quantia, mas acabam sendo passados para trás pelo nobre. Em busca de vingança, eles sequestram a noiva do filho dele (Jennifer Jason Leigh), que acaba se envolvendo com o mercenário. Dirigido por Paul Verhoeven, é violento e sexual. Polêmico, não teve o sucesso esperado pelos produtores, mas é um bom filme.

8. A Lenda do Santo Beberrão
Um misterioso senhor empresta dinheiro a um mendigo beberrão de Paris - Rutger Hauer -, com a condição de que ele devolva toda a quantia no altar de uma igreja na semana seguinte. Ainda que o homem passe a gastar tudo em bebida, o dinheiro sempre reaparece como por milagre. Baseado na obra de Joseph Roth e dirigido pelo italiano Ermano Olmi, venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Bem interessante.

9. O Casal Osterman
O último filme de Sam Peckinpah, é uma adaptação do livro de Robert Ludlum. O crítico de TV (Rutger Hauer) tem como tradição chamar seus três amigos para um fim de semana no campo. Porém, antes dessa reunião, um agente da CIA (John Hurt) o procura para lhe contar que seus amigos são, na verdade, espiões da KGB e pede sua ajuda para desmascará-los. Um filme confuso, mas que tem a marca do diretor na parte final escpecialmente violenta. Destaque para o inacreditável título nacional, que inventa um casal Osterman, que era o nome de um dos amigos supostamente espião, mas que nem tinha uma esposa.

10. A Morte Pede Carona
C. Thomas Howell é um jovem que está levando um carro para a Califórnia. No caminho ele dá carona a um psicopata, John Ryder (Rutger Hauer assustador), que mata todos os motoristas que lhe dão carona. Ele consegue escapar, mas o assassino começa a persegui-lo de maneira implacável. Para piorar as coisas, a polícia pensa que o rapaz é o autor das mortes. Uma pequena pérola do suspense de 1986, assistam!

11. Fuga de Sobibor
12. O Senhor das Águias
13. Sin City
14. Batman Begins
15. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas
16. Fúria Cega
17. Hobo With a Shotgun
18. Borboletas Negras
19. O Sequestro de Heineken
20. Sem Controle (Spetters)






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sexta-feira, 19 de julho de 2019

10 dos Melhores Filmes Originais Netflix


Fundada em 1997 como um serviço de entrega de DVDs pelo correio, a Netflix é hoje a maior gigante de streaming com cerca de 150 milhões de assinantes.
Para competir com os grandes que estão seguindo este mesmo caminho, começou a produzir filmes, documentários e séries próprias, em que pode manter a exclusividade.
Esta lista traz 10 dos melhores filmes produzidos pela Netflix até aqui (não inclui documentários e séries). Estejam a vontade para sugerir outros.

1. Roma
O premiado diretor Alfonso Cuáron faz em preto e branco um retrato da sociedade mexicana do início dos anos 1970, onde ele próprio e sua família estavam inseridos. Conta a história de uma empregada doméstica e da família a qual serve, separados pelos degraus quase de castas, mais claramente vigentes naquela época. O belíssimo filme foi indicado a 10 Oscars, dos quais levou de filme estrangeiro, diretor e roteiro, além do Leão de Ouro de Veneza e dezenas de outros prêmios.

2. Okja
O sul-coreano Bong Joon-Ho levou a Netflix pela primeira vez à mostra competitiva de Cannes, que ele mesmo viria a ganhar em 2019 por "Parasita". Okja fala de uma multinacional de carnes que cria um porco gigante, geneticamente modificado como a solução para produção de proteína animal para o mundo. O problema é que uma garota se afeiçoa a um desses animais e tenta resgatá-lo a caminho do abate. O que poderia ser apenas um filme de amizade entre criança e seu pet, se desdobra em muitas informações inesperadas e originais.

3. High Flying Bird
O mundo do basquete americano, da NBA, capturado num momento de lockout, onde os poderosos donos de times enfrenta uma guerra de bastidores com os jogadores e seus empresários. No estilo seco do ótimo Steven Soderbergh, André Holland se destaca com sua composição contida e enigmática do agente experiente, que usa de táticas da resistência negra para vencer os poderosos. Grande filme.

4. Beasts of No Nation
Lançado pela Netflix antes dos cinemas americanos, sem respeitar a tradicional janela de 90 dias, o filme acabou sendo boicotado pelas grandes redes exibidoras e, apesar disso, acabou sendo exibida no Festival de Veneza e foi indicado a dezenas de prêmios, incluindo ao Globo de Ouro de melhor ator para Idris Elba, um marco para os filmes lançados em streaming. O filme narra a história de um garoto africano, cuja aldeia é envolvida por guerrilheiros que recrutam crianças como ele para matar e morrer nas batalhas. Triste e realista.

5. Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi
Baseado no best-seller de Hillary Jordan, traça o cenário do Mississipi no pós-segunda guerra, quando dois soldados - um branco e outro negro - voltam para suas casas para lidar com o racismo e a readequação dos novos tempos que estão surgindo. Belo filme indicado a 4 Oscars, incluindo o de melhor atriz coadjuvante para a diva Mary J.Blige, à diretora Dee Rees, a primeira mulher negra indicada a melhor roteiro e a fotógrafa Rachel Morrison, a primeira negra indicada a melhor fotografia. Mais uma quebra de paradigma.

6. A Balada de Buster Scruggs
Levar os irmãos Joel e Ethan Coen, vencedores de 4 Oscars cada um, a fazer um filme para streaming foi outro grande marco. Esta comédia musical é deliciosa e composta por seis contos curtos sobre a violência no velho oeste. Mais 3 indicações ao Oscar, incluindo a canção "When a Cowboy Trades His Spurs for Wings".

7. Divinas
Vencedor da Camera d'Or em Cannes para a diretora estreante Houda Benyamina, conta a história de uma garota, moradora de uma comunidade árabe na periferia de Paris, que tenta subir na vida, através do tráfico de drogas, o que a colocará em grande perigo.

8. Nossas Noites
Parece que a estratégia da Netflix é ganhar credibilidade na carona de diretores e atores queridos e conceituados na indústria do cinema. Unir o casal real dos anos 70, Robert Redford e Jane Fonda, num singelo drama romântico sobre a terceira idade foi uma fórmula perfeita. Resultou num filme agradável e maduro, que se não foi unanimidade de crítica, agradou o público.

9. My Happy Family
Um surpreendente drama da Georgia sobre uma mulher de 52 anos que vive sob o mesmo teto com 3 gerações de sua família até o dia em que resolve sair de casa, deixando todos para trás, incluindo seu marido. Independente das particularidades da cultura, é fácil nos identificarmos com a protagonista e embracar com ela na aventura.

10. Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe
Destacado diretor do universo independente, Noah Baumbach recrutou um elenco estelar (Adam Sandler, Ben Stiller, Dustin Hoffman, Emma Thompson, Sigourney Weaver...) para contar a história de um escultor famoso e vaidoso, que está prestes a ser homenageado numa grande retrospectiva, mas adoece e acaba juntando seus filhos e sua família para ajudá-lo e lidar os conflitos adormecidos. Uma comédia amarga e relevante.

11. Primeiro, Mataram o Meu Pai 
12. O Mundo é Seu
13. Amizades Improváveis
14. Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo
15. Cam
16. Mais uma Chance
17. O Outro Lado do Vento
18. I Am Mother
19. A Mala e os Errantes (Tramps)
20. Aniquilação





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sábado, 1 de junho de 2019

Mini Listas Exclusivas no Instagram

Criado em 29 de agosto de 2009, este blog já publicou cerca de 600 listas de filmes dos mais variados temas.
Nos últimos anos foram poucas listas e diversas atualizações em listas antigas. Esse tempo era necessário para ganhar um novo ânimo e pensar numa renovação.
Por isso criei agora as Mini Listas do Instagram, que compilam rapidamente alguns temas com a velocidade necessária para o meio.
Aqui no blog também virão novas listas, mais enxutas e mais visuais, mas sem perder o tom crítico e a seriedade que fizeram o sucesso de mais de 20 milhões de page-views.

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/listasde10/ e tenha acesso a listas exclusivas como:

Os Dez Melhores Filmes de Temática LGBT segundo o site Rotten Tomatoes:



ou ainda:
Os Filmes Premiados em Cannes 2019:


E muitas outras listas, notícias e todos os lançamentos dos cinemas.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

10+ Filmes de Hirokazu Koreeda

Hirokazu Koreeda é o mais importante cineasta japonês em atividade e, provavelmente, o melhor autor de filmes sobre 'família' no cinema atual.
Nascido em Tóquio em 1962, estudou literatura, mas logo decidiu-se pelo cinema.
Costuma ser comparado ao clássico diretor Yasujiro Ozu, mas admite-se mais influenciado pelo britânico Ken Loach.
Em seus filmes, os atores e temas costumam se repetir. Há sempre uma peça faltando nas famílias que retrata, mas há também muita delicadeza neste retrato que ele produz.
Apesar de algumas diferenças culturais óbvias entre o povo japonês e nós ocidentais, o ser humano é sempre parecido e não há como não nos identificarmos com a maior parte das situações abordadas.
Esta lista deveria ter 10 filmes, mas já que Koreeda dirigiu 12 longas de ficção até esta data, preferi falar de todos eles.

1. Andando
2008. Num dia de verão, um filho e uma filha, já adultos, vão, com as respectivas famílias, visitar os pais idosos. O objetivo do encontro é honrar a memória do filho mais velho, que morreu afogado quinze anos antes, ao salvar o irmão. O conforto da velha casa dos pais, vai dando lugar aos ressentimentos adormecidos, tornando o clima insuportável. Koreeda gosta de imagens simbólicas, como ao destacar a estatura do filho em relação ao pé direito da casa, sempre tendo que se abaixar, como quem já não cabe mais ali. É um filme belíssimo, meu favorito do diretor, que deixa um nó na garganta do espectador.

2. Assunto de Família
2018. O filme que deu finalmente a Palma de Ouro de Cannes a Koreeda. O roteiro engenhoso parece juntar ideias de alguns de seus filmes anteriores,as mais óbvias de 'Depois da Tempestade' e 'Ninguém Pode Saber'. Uma família nada convencional e absolutamente amoral se une na casa de uma velha senhora, com objetivo comum de sobreviver, ainda que a custa de pequenos e grandes golpes. Cada um tem sua própria história e seus motivos para estar no grupo e o filme desvenda isso aos poucos.  

3. Pais e Filhos
2013. A vida de um homem de negócios sofre uma grande transformação quando ele descobre que está criando o filho de outro casal há seis anos, já que seu filho biológico foi trocado por engano na maternidade. O diretor desenvolve um melodrama sem maniqueísmo e sem solução fácil. Expõe as complicadas nuances da paternidade em diversos níveis. Constrói ainda algumas sequências geniais, como a do reencontro entre pai e filho num caminho que se separa e volta a convergir. Comovente e genial. 

4. Nossa Irmã Mais Nova
2015. Um drama sensível sobre três irmãs que vão ao enterro do pai, onde conhecem sua meia-irmã adolescente e a convidam para morar com elas. Desta convivência descobrem os pontos que há em comum entre elas e com o falecido pai. Sensível e delicado, não exagera nos dramas, privilegia a integração harmônica da garota ao novo ambiente. 

5. Ninguém Pode Saber
2004. Quatro irmãos mudam-se com sua mãe para um pequeno apartamento em Tóquio. Apenas o filho mais velho entra normalmente no novo lar, os demais chegam escondidos em malas. Ninguém pode ficar sabendo que mais de três pessoas vivem ali, sob o risco de serem expulsos. Tudo vai bem até que a mãe os abandona, deixando para o filho mais velho de 12 anos, um bilhete e um pouco de dinheiro. Começa então o duro processo de amadurecimento precoce do garoto. Como em qualquer grande cidade, as crianças passeiam como fantasmas pelas ruas, sem serem percebidos, verdadeiros párias sociais. A empatia que elas nos despertam quase nos deixa sem ar. Baseado numa história real, foi o primeiro grande sucesso de Koreeda. 

6. Depois da Tempestade
2016. O Japão está prestes a receber o 23º tufão do ano. A matriarca Yoshiko, uma mulher idosa que mora sozinha, recebe a visita de dois filhos que não costumam ir à sua casa: ele é um escritor fracassado que ainda sofre com o divórcio e vive de bicos como detetive, e a filha mais velha, que tenta passar por exemplo da família, também tem seus problemas. Juntos, eles aguardam a chegada do tufão e relembram a morte recente do pai. No espaço exíguo do apartamento da mãe, as relações tendem a ficar mais tensas, as pessoas se esbarram e nunca chegam a uma distância confortável. Mesmo o esconderijo no playground é claustrofóbico. Um Koreeda mais intimista. Um pequeno grande filme.

7. O Que Eu Mais Desejo
2011. Depois do divórcio de seus pais, o irmão mais velho vai morar com sua mãe na casa dos avós, enquanto o irmão mais novo fica com o pai, guitarrista em outra cidade. O maior sonho do garoto é ver sua família reunida novamente e para isso elabora um complicado plano, que envolve a energia mágica gerada do cruzamento de dois trens bala. Delicado, ingênuo e comovente, conta através da visão das crianças que nossos sonhos infantis permanecem por toda nossa vida. É apenas lindo, 

8. Depois da Vida
1998. Depois de morrer, cada indivíduo passa por um processo onde é aconselhado por mortos mais antigos na tarefa de escolher uma lembrança que será a única memória que eles poderão levar para o além-vida e descrevê-lo para uma equipe de cineastas filmar essa recordação. Uma ideia estranha e original, que chamou a atenção do cineasta no ocidente. Se encaixa nos temas de Koreeda, na medida que preeenchem o outro lado dos personagens ausentes nos demais filmes.

9. Boneca Inflável
2009. Um garçom de meia idade vive sozinho com uma boneca inflável, que trata como se fosse uma mulher de verdade, contando de seu dia, cuidando dela e, claro, tendo relações sexuais. Um dia, sem que ele perceba, a boneca ganha vida e sai para explorar o mundo. As alegorias à vida moderna são óbvias, mostrando um mundo onde as pessoas são vazias e o dia a dia mecanizado. Quando ela descobre que tem um coração, também conhece o amor e o senso de maternidade. 

10. A Luz da Ilusão
1995. Aos 12 anos, uma menina testemunha o desaparecimento de sua avó, quando esta decide voltar à sua cidade natal para que possa morrer. Anos depois, a moça se casa com um amigo de infância, com quem tem um filho. Até o dia em que, sem explicação, ele se suicida. Com medo de perder tudo novamente e com um sentimento de culpa, cinco anos mais tarde, ela se casa novamente. Mas os pesadelos do passado nunca vão deixá-la em paz novamente. Um drama valorizado pela interpretação contida de Makiko Esumi. Primeiro longa de Koreeda.

11. O Terceiro Assassinato
2017. Um advogado de elite obrigado a defender o suspeito de assassinato de um industrial. O acusado já cumprira pena por outro assassinato há 30 anos e não tem problemas em se considerar culpado, mesmo com a provável pena de morte a qual seria condenado. Ao investigar familiares do suspeito e da vítima, o advogado passa a ter dúvidas sobre a autoria do crime. Um filme policial intrigante, com a digital do diretor impressa.

12. Tão Distante
2004. Membros de um culto religioso realizaram um ataque terrorista ao abastecimento de água de Tóquio, matando centenas e envenenando milhares, para, em seguida, cometem um suicídio em massa às margens de um lago. Desde o acontecimento, três anos antes, alguns familiares dos membros da seita se encontram anualmente no lago para prestar homenagem aos seus entes queridos. Em flashbacks, conhecemos um pouco do que teria levado aquelas pessoas a um ato tão absurdo e o impacto que isso teve nas famílias, também vítimas. Belo filme.








quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os 10 Melhores Filmes Nacionais de 2018

Esta lista refletem um escolha pessoal do editor e obedece critérios subjetivos, por isso raramente surgirão duas listas iguais.
O critério aqui são os filmes brasileiros lançados no circuito comercial de cinemas no país no ano de 2018. 
Espero que as indicações desta lista ajudem a valorizar alguns filmes que podem ter passado despercebidos pelo grande público.

1. Ex-Pajé
Brasil 2018 - 81' - Direção e Roteiro: Luiz Bolognesi
Num momento em que a identidade indígena é rebaixada pelas políticas públicas, este misto de drama e documentário é mais que relevante, é necessário.
Um outrora poderoso pajé passa a questionar sua fé depois de uma missão evangelizadora intolerante impor sua própria cultura à aldeia.
Belíssimo filme de Bolognesi, possivelmente o único nacional de 2018 que vai ficar na minha memória.

2. Paraíso Perdido
Brasil 2018 - 110' - Direção: Monique Gardenberg
Um clube noturno gerenciado por Erasmo Carlos e movimentado por apresentações musicais ultra românticas de sua família nada convencional.
O melhor filme da diretora, conduzido como um poema brega, sempre um tom acima da realidade, mas bem amarrado e agradável.

3. O Animal Cordial
Brasil 2017 - 96' - Direção: Gabriela Amaral Almeida
Murilo Benício é o dono de um restaurante, sempre em atrito com os funcionários. Quando o estabelecimento é assaltado a situação sai completamente do controle.
Um filme de terror criativo e violentíssimo, com muito humor negro e crítica social, representada na variedade dos personagens e suas características extrapoladas além dos limites.
Agradável surpresa de uma talentosa diretora estreante em longas.

4. Benzinho
Brasil / Uruguai / Alemanha 2018 - 95' - Direção: Gustavo Pizzi
Karine Teles é uma mulher de classe média baixa, lutando com as instabilidades de seu marido, de sua irmã e tendo que encarar a saída de seu primogênito de casa para jogar handball na Alemanha.
Um show da atriz em um personagem amoroso, sobre um roteiro cotidiano, mas complexo como a vida real.  

5. Todas as Razões para Esquecer
Brasil 2018 - 91' - Direção e Roteiro: Pedro Coutinho
Ao fim de um relacionamento, um jovem acreditava que não teria dificuldades em esquecer a ex-namorada. Mas à medida que o tempo passa, a dor da perda só aumenta.
Johnny Massaro consegue capturar nossa empatia ao retratar com perfeição essa fraqueza. Uma comédia romântica muito acima da média.

6. Arábia
Brasil 2017 - 97' - Direção: Affonso Uchoa e João Dumans
As memórias da vida difícil de um operário metalúrgico sempre marginalizado pelo interior de Minas, contada a partir do seu diário, encontrado por um jovem.
Um drama da vida de pessoas simples, que quase toca o panfletário, mas escapa graças à direção segura. 

7. Alguma Coisa Assim
Brasil / Alemanha 2017 - 81' - Direção e Roteiro: Esmir Filho e Mariana Bastos
A relação de amizade entre dois jovens, intercalado entre três momentos distintos de suas vidas ao longo de 10 anos, nas ruas de São Paulo e de Berlim.
Complemento de um curta metragem de 2006, tem o frescor da sinceridade e cumplicidade tanto entre os atores, quanto os diretores.

8. Yonlu
Brasil 2017 - 88' - Direção e Roteiro: Hique Montanari
A história de um personagem real, Vinícius Gageiro, mais conhecido como Yonlu, um jovem poeta, músico e desenhista. Apesar de tanto talento, em 2006, aos 16 anos, ele decidiu dar fim à sua vida, com a ajuda de uma comunidade virtual de potenciais suicidas.
O diretor opta por um registro experimental, que rende belas sequências, embalado pela música do próprio Yonlu. Não é um filme fácil, mas é ousado e interessante.

9. As Boas Maneiras
Brasil / França / Alemanha 2017 - 135' - Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra
Uma mulher grávida e sozinha contrata uma enfermeira para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, ela começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente a babá.
Rojas e Dutra já criaram um universo próprio que mistura terror, música e crítica social, que ainda assim nos surpreende a cada nova obra. Seu maior mérito é conseguir que nos identifiquemos com as situações mais absurdas e relevemos eventuais desvios éticos das personagens.

10. Baronesa
Brasil 2017 - 71' - Direção: Juliana Antunes
Duas amigas vivem em uma comunidade de Belo Horizonte, quando uma guerra entre traficantes deixa o clima tenso, e uma delas passa a se organizar para construir uma casa numa região mais distante.
Um documentário fluido, que consegue colocar a câmera num cotidiano feminino pouco familiar da nossa realidade.

Outros Destaques:
  • Unicórnio
  • Quase Memória
  • Praça Paris
  • Ferrugem
  • Aos Teus Olhos
  • 10 Segundos para Morrer
  • Uma Quase Dupla
  • Todo Clichê de Amor
  • O Paciente
  • O Segredo de Davi
  • O Beijo no Asfalto
  • Tinta Bruta
  • Diamantino





terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Os 10 Melhores Filmes de 2018

Desde 2009, este blog escolhe os melhores do ano, mas refletem uma escolha pessoal do editor e obedece critérios subjetivos, por isso raramente surgirão duas listas iguais.
O critério aqui são os filmes não brasileiros (que terão lista própria) lançados no circuito comercial de cinemas no país no ano de 2018. 
Espero que as indicações desta lista ajudem a valorizar alguns filmes que podem ter passado despercebidos pelo grande público.

1. Visages, Villages
França 2017 - 89' - Direção e Roteiro:  Agnès Varda e JR
Aos 88 anos, Varda continua mostrando a mesma vitalidade e o mesmo olhar artístico que a tornou uma das expoentes da Nouvelle Vague.
Neste novo projeto, ela se une ao fotógrafo e muralista JR numa viagem pela França profunda para captar um pouco da alma dos vilarejos e seus habitantes.
Viajam dentro de uma van adaptada como estúdio fotográfico e impressora de imagens gigantes, que eles irão aplicar em velhos muros e prédios, dando vida a eles.
O impacto de se ver retratados nas paredes de sua comunidade varia de pessoa para pessoa, mas nunca provoca indiferença.
A colaboração entre dois artistas de gerações tão distintas funciona magicamente porque eles parecem ter a mesma sensibilidade de enxergar a arte onde quer que ela esteja.
Um documentário leve e delicioso, que merece ser visto.

2. Me Chame Pelo Seu Nome
Itália / França / Brasil / EUA 2017 - 132' - Direção:  Luca Guadagnino
Não por acaso, as histórias de amadurecimento tornaram-se uma constante no cinema. Afinal, o primeiro amor e a descoberta do sexo são dos momentos mais intensos da natureza humana.
A história aqui é menos importante do que a forma. O diretor Guadagnino aproveita a paisagem, cores e texturas do verão italiano para dar ritmo aos seus personagens. Tudo é parte do mesmo universo, que exala calor e sensualidade.
Chamalet é um ator instintivo, mas de grandes recursos. Nada escapa aos olhos do seu Elio, este é o seu verão, da sua transformação. Algumas vezes ele nos lembra que é apenas um adolescente, em outras ele domina a situação. 
A sequência final é sensacional - sem spoiler -, no frio do inverno, ele fixa o olhar do calor de um verão em que tudo mudou. Valeu a jornada.
Um filme pequeno, rico em sensações, como o cinema deveria ser.

3. Sem Amor
Rússia / França / Alemanha / Bélgica / EUA 2017 (127') - Direção: Andrey Zvyagintsev
Um casal está se divorciando e se preparam para suas novas vidas, ele com sua nova namorada grávida e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho, que acaba desaparecendo misteriosamente. 
Assustadoramente pessimista, uma obra que tira o ar do espectador e qualquer esperança na humanidade. Triste e trágico, mas muito bem construído.

4. Culpa
Dinamarca 2018 - 85' - Direção: Gustav Möller
Um policial está suspenso do trabalho nas ruas e é encarregado de receber ligações de emergência e apenas transmitir às delegacias responsáveis. A chamada de uma mulher desesperada, aparentemente sequestrada pelo ex-marido inicia uma corrida contra o relógio para evitar que uma tragédia aconteça. 
Um filme genial que, mesmo se passando em apenas duas salas, nos tira o fôlego tentando imaginar o que estaria acontecendo do outro lado da linha. Grande atuação de Jakob Cedergren e direção brilhante do estreante Möller.

5. Em Chamas
Coreia do Sul 2018 - 148' - Direção: Chang-dong Lee
Um rapaz que trabalha como entregador, rencontra uma antiga amiga de infância. A garota está com uma viagem marcada para o exterior e pede para Jong-soo cuidar de seu gato enquanto está longe. Quando ela volta, vem na companhia de um jovem misterioso que conheceu na África. Forma-se aí um triângulo amoroso tenso e difuncional, com segredos que vão se revelando aos poucos.
Um thriller instigante, sensual, divertido e, principalmente inesperado. O velho e bom cinema coreano sempre presente nas listas.


6. Infiltrado na Klan
EUA 2018 - 135' - Direção: Spike Lee
Em 1978, um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local, através de telefonemas, mas quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar.

Fazia tempo que Lee não mostrava seu talento, conseguindo extrair ritmo, tensão e comédia de sua agenda habitual. John David Washington, filho de Denzel, se destaca no papel central e uma atuação cheia de nuances.

7. Custódia
França 2017 - 93' - Direção: Xavier Legrand
Um casal se divorcia e, para garantir a proteção de seu filho do pai violento, a mãe pede a custódia exclusiva. O juiz, no entanto, acaba concedendo custódia compartilhada aos dois. Na batalha entre os pais, quem sofre as consequências será o filho.

Um drama sobre relacionamento, que acaba evoluindo para o horror da violência doméstica. Uma muito relevante nos dias atuais, dirigido e interpretado com segurança.

8. Em Pedaços
Alemanha / França 2017 - 106' - Direção: Fatih Akin
Após cumprir pena por tráfico de drogas, um imigrante turco leva uma vida tranquila com a esposa o filho pequeno em Berlin. Certo dia, ele e o menino estão no escritório e morrem vítimas de uma explosão terrorista. A viúva começa então uma batalha pela punição dos culpados.

Um drama atual que é elevado graças à excepcional atuação de Diane Kruger.

9. Projeto Flórida
EUA 2017 - 111' - Direção: Sean Baker

Nas imediações do mundo de fantasia da Disney, a realidade das famílias que vivem nos "projects" (habitações sociais em moteis decadentes) choca pela precariedade dramática. As crianças são o foco central do filme, sobrevivendo sobre os entulhos de uma sociedade falida. Um filme corajoso, muito premiado, com destaque para a bela atuação de Willem Dafoe, quase um alterego do espectador, discreto e empático. Lindo.


10. Trama Fantasma
EUA / Reino Unido - 130' - Direção: Paul Thomas Anderson
Na década de 1950, um renomado estilista veste grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração vem das mulheres que constantemente entram e saem de sua vida, até que conhece sua musa, uma mulher forte e inteligente que vira o jogo e passa a dominá-lo.
Belíssimo estudo de personagens de Anderson, misterioso e fluido. Muito valorizado por Daniel Day Lewis, provavelmente o melhor ator em atividade.


Outros destaques:

  • Viva, a Vida é uma Festa (Coco)
  • 120 Batimentos por MInutos (120 Battements per Minute)
  • Os Iniciados (Inxeba)
  • O Ódio que Você Semeia (The Hate U Give)
  • The Square: A Arte da Discórdia (The Square)
  • Minha Filha (Figlia Mia)
  • O Insulto (L'Insulte)
  • A Forma da Água (The Shape of Water)
  • Com Amor, Simon (Love, Simon)
  • Jogador Número Um (Ready Player One)
  • Buscando... (Searching)
  • Nos Vemos no Paraíso (Au Revoir, le Haut)
  • Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)
  • Nasce uma Estrela (A Star is Born)
  • Podres de Ricos (Crazy Rich Asians)
  • Pantera Negra (Black Panther)
  • De Volta (Go Home)
  • Conquistar, Amar e Viver Intensamente (Plaire, Aimer et Courir Vite)
  • O Terceiro Assassinato (Sandome no Satsujin)
  • Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
  • O Motorista de Táxi (Taeksi Woonjunsa) 
  • Marvin (Marvin)
  • Bohemian Rhapsody (Bohemian Rhapsody)
  • Hereditário (Hereditary)
  • Vingadores, a Guerra Infinita (Avengers: Infinity War)
  • Tully (Tully)
  • Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird)