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sexta-feira, 3 de março de 2023

Os 10 Filmes Indicados ao Oscar de Melhor Filme 2023


Os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2023 não apontam para um grande favorito destacado.

Nesta lista comento cada um deles, que estão em ordem alfabética. Usem os comentários para dar as suas opiniões sobre os indicados deste ano!

1. Avatar - O Caminho da Água

Continuação do revolucionário Avatar de 2010, se aprofunda em efeitos ainda mais impactantes. O filme tem uma beleza surpreendente ao criar um universo inteiramente novo e cenas submarinas inesquecíveis. A história é bastante simples, mas segura bem a longa duração. Indicado a 4 prêmios, deve levar o de Efeitos Visuais.

2. Banshees de Inisherin

Numa ilha isolada da Irlanda, a confortável rotina da pequena comunidade é quebrada quando um amigo resolve quebrar a amizade de anos com o outro. O humor insólito e incômodo criado pela situação se traduz numa obra original e terna, graças ao talento do elenco encabeçado por Colin Farrell e Brendan Gleeson. Indicado a 9 prêmios, grandes chances em Roteiro Original.

3. Elvis

Fragmentos da vida do rei do rock, focados na sua parceria com um excêntrico empresário. Muita luz, muita cor e muita música, com a marca registrada do diretor Baz Luhrmann. Destaque para a grande atuação de Austin Butler. Um filme empolgante, indicado a 8 prêmios. 

4. Entre Mulheres

Dirigido por Sarah Polley, o filme conta a história das mulheres de uma comunidade religiosa, que têm que decidir entre quebrar os laços com o patriarcado ou se sujeitar. É uma obra poderosa em si, mas com alguns problemas com os cenários fechados, que dão um senso de peça de teatro. Indicado a 2 prêmios, o roteiro adaptado do livro de Miriam Towes é o ponto alto.

5. Os Fabelmans

Inspirado na vida do próprio diretor, Steven Spielberg, é um hino de amor ao cinema, nos levando junto com as próprias descobertas e amadurecimento do protagonista. Indicado a 7 prêmios, por mim levaria todos, mas deve sair sem nenhum.

6. Nada de Novo No Front

Adaptado do livro clássico de Erich Maria Remarque, este filme alemão é o mais importante do ano, ao mostrar os horrores da primeira guerra pelos olhos de um jovem soldado alemão, forçado a amadurecer em meio aos enormes sofrimentos. A primeira versão de 1930 ganhou os Oscars de filme e direção. Surpreendeu com 9 indicações, raras para um filme em língua não inglesa. Todas muito merecidas. Vai ganhar o de Filme Internacional, no mínimo.

7. Tár

A história de uma regente de orquestra internacionalmente reconhecida, egocêntrica e arrogante, que vê seu mundo desmoronar em consequência apenas de seus erros. O filme é carregado pelo absurdo talento de Cate Blanchett, tem os 2/3 iniciais impecáveis, mas se apressa demais na resolução. Indicado a 6 prêmios, tem sua maior chance em Melhor Atriz.

8. Top Gun: Maverick

Tecnicamente deslumbrante, essa continuação do sucesso de 1986, marcou o renascimento das salas de cinema pós-pandemia, só por isso merece reconhecimento. O roteiro é raso, as atuações primárias, mas o som é incrível. Indicado a 6 prêmios, é favorito em Som e Canção.

9. Triângulo da Tristeza

Provocativo, pretensioso e muito divertido, o novo filme do sueco Ruben Östlund não é uma obra para todos os gostos. Dividido claramente em três atos, cada um com suas qualidades. Ótimo elenco, direção e edição espertas, é a boa surpresa do ano. Indicado a apenas 3 prêmios, só tem alguma chance em Roteiro Original.

10. Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

O queridinho do ano. Explora com muito humor a ideia de multiversos na vida de uma família sino-americana, dona de uma lavanderia encrencada com a receita federal. Totalmente estruturada no nonsense, é uma obra ao mesmo tempo terna e divertida. Destaque para o ótimo elenco com presenças afetivas de Ke Huy Quan e Jamie Lee Curtis. Indicado a 11 prêmios, pode até ser o grande vencedor. A ótima Michelle Yeoh tem levado vários prêmios e luta com Cate Blanchett pelo Oscar de Atriz.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os 10 Melhores Filmes Nacionais de 2018

Esta lista refletem um escolha pessoal do editor e obedece critérios subjetivos, por isso raramente surgirão duas listas iguais.
O critério aqui são os filmes brasileiros lançados no circuito comercial de cinemas no país no ano de 2018. 
Espero que as indicações desta lista ajudem a valorizar alguns filmes que podem ter passado despercebidos pelo grande público.

1. Ex-Pajé
Brasil 2018 - 81' - Direção e Roteiro: Luiz Bolognesi
Num momento em que a identidade indígena é rebaixada pelas políticas públicas, este misto de drama e documentário é mais que relevante, é necessário.
Um outrora poderoso pajé passa a questionar sua fé depois de uma missão evangelizadora intolerante impor sua própria cultura à aldeia.
Belíssimo filme de Bolognesi, possivelmente o único nacional de 2018 que vai ficar na minha memória.

2. Paraíso Perdido
Brasil 2018 - 110' - Direção: Monique Gardenberg
Um clube noturno gerenciado por Erasmo Carlos e movimentado por apresentações musicais ultra românticas de sua família nada convencional.
O melhor filme da diretora, conduzido como um poema brega, sempre um tom acima da realidade, mas bem amarrado e agradável.

3. O Animal Cordial
Brasil 2017 - 96' - Direção: Gabriela Amaral Almeida
Murilo Benício é o dono de um restaurante, sempre em atrito com os funcionários. Quando o estabelecimento é assaltado a situação sai completamente do controle.
Um filme de terror criativo e violentíssimo, com muito humor negro e crítica social, representada na variedade dos personagens e suas características extrapoladas além dos limites.
Agradável surpresa de uma talentosa diretora estreante em longas.

4. Benzinho
Brasil / Uruguai / Alemanha 2018 - 95' - Direção: Gustavo Pizzi
Karine Teles é uma mulher de classe média baixa, lutando com as instabilidades de seu marido, de sua irmã e tendo que encarar a saída de seu primogênito de casa para jogar handball na Alemanha.
Um show da atriz em um personagem amoroso, sobre um roteiro cotidiano, mas complexo como a vida real.  

5. Todas as Razões para Esquecer
Brasil 2018 - 91' - Direção e Roteiro: Pedro Coutinho
Ao fim de um relacionamento, um jovem acreditava que não teria dificuldades em esquecer a ex-namorada. Mas à medida que o tempo passa, a dor da perda só aumenta.
Johnny Massaro consegue capturar nossa empatia ao retratar com perfeição essa fraqueza. Uma comédia romântica muito acima da média.

6. Arábia
Brasil 2017 - 97' - Direção: Affonso Uchoa e João Dumans
As memórias da vida difícil de um operário metalúrgico sempre marginalizado pelo interior de Minas, contada a partir do seu diário, encontrado por um jovem.
Um drama da vida de pessoas simples, que quase toca o panfletário, mas escapa graças à direção segura. 

7. Alguma Coisa Assim
Brasil / Alemanha 2017 - 81' - Direção e Roteiro: Esmir Filho e Mariana Bastos
A relação de amizade entre dois jovens, intercalado entre três momentos distintos de suas vidas ao longo de 10 anos, nas ruas de São Paulo e de Berlim.
Complemento de um curta metragem de 2006, tem o frescor da sinceridade e cumplicidade tanto entre os atores, quanto os diretores.

8. Yonlu
Brasil 2017 - 88' - Direção e Roteiro: Hique Montanari
A história de um personagem real, Vinícius Gageiro, mais conhecido como Yonlu, um jovem poeta, músico e desenhista. Apesar de tanto talento, em 2006, aos 16 anos, ele decidiu dar fim à sua vida, com a ajuda de uma comunidade virtual de potenciais suicidas.
O diretor opta por um registro experimental, que rende belas sequências, embalado pela música do próprio Yonlu. Não é um filme fácil, mas é ousado e interessante.

9. As Boas Maneiras
Brasil / França / Alemanha 2017 - 135' - Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra
Uma mulher grávida e sozinha contrata uma enfermeira para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, ela começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente a babá.
Rojas e Dutra já criaram um universo próprio que mistura terror, música e crítica social, que ainda assim nos surpreende a cada nova obra. Seu maior mérito é conseguir que nos identifiquemos com as situações mais absurdas e relevemos eventuais desvios éticos das personagens.

10. Baronesa
Brasil 2017 - 71' - Direção: Juliana Antunes
Duas amigas vivem em uma comunidade de Belo Horizonte, quando uma guerra entre traficantes deixa o clima tenso, e uma delas passa a se organizar para construir uma casa numa região mais distante.
Um documentário fluido, que consegue colocar a câmera num cotidiano feminino pouco familiar da nossa realidade.

Outros Destaques:
  • Unicórnio
  • Quase Memória
  • Praça Paris
  • Ferrugem
  • Aos Teus Olhos
  • 10 Segundos para Morrer
  • Uma Quase Dupla
  • Todo Clichê de Amor
  • O Paciente
  • O Segredo de Davi
  • O Beijo no Asfalto
  • Tinta Bruta
  • Diamantino





terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Os 10 Melhores Filmes de 2018

Desde 2009, este blog escolhe os melhores do ano, mas refletem uma escolha pessoal do editor e obedece critérios subjetivos, por isso raramente surgirão duas listas iguais.
O critério aqui são os filmes não brasileiros (que terão lista própria) lançados no circuito comercial de cinemas no país no ano de 2018. 
Espero que as indicações desta lista ajudem a valorizar alguns filmes que podem ter passado despercebidos pelo grande público.

1. Visages, Villages
França 2017 - 89' - Direção e Roteiro:  Agnès Varda e JR
Aos 88 anos, Varda continua mostrando a mesma vitalidade e o mesmo olhar artístico que a tornou uma das expoentes da Nouvelle Vague.
Neste novo projeto, ela se une ao fotógrafo e muralista JR numa viagem pela França profunda para captar um pouco da alma dos vilarejos e seus habitantes.
Viajam dentro de uma van adaptada como estúdio fotográfico e impressora de imagens gigantes, que eles irão aplicar em velhos muros e prédios, dando vida a eles.
O impacto de se ver retratados nas paredes de sua comunidade varia de pessoa para pessoa, mas nunca provoca indiferença.
A colaboração entre dois artistas de gerações tão distintas funciona magicamente porque eles parecem ter a mesma sensibilidade de enxergar a arte onde quer que ela esteja.
Um documentário leve e delicioso, que merece ser visto.

2. Me Chame Pelo Seu Nome
Itália / França / Brasil / EUA 2017 - 132' - Direção:  Luca Guadagnino
Não por acaso, as histórias de amadurecimento tornaram-se uma constante no cinema. Afinal, o primeiro amor e a descoberta do sexo são dos momentos mais intensos da natureza humana.
A história aqui é menos importante do que a forma. O diretor Guadagnino aproveita a paisagem, cores e texturas do verão italiano para dar ritmo aos seus personagens. Tudo é parte do mesmo universo, que exala calor e sensualidade.
Chamalet é um ator instintivo, mas de grandes recursos. Nada escapa aos olhos do seu Elio, este é o seu verão, da sua transformação. Algumas vezes ele nos lembra que é apenas um adolescente, em outras ele domina a situação. 
A sequência final é sensacional - sem spoiler -, no frio do inverno, ele fixa o olhar do calor de um verão em que tudo mudou. Valeu a jornada.
Um filme pequeno, rico em sensações, como o cinema deveria ser.

3. Sem Amor
Rússia / França / Alemanha / Bélgica / EUA 2017 (127') - Direção: Andrey Zvyagintsev
Um casal está se divorciando e se preparam para suas novas vidas, ele com sua nova namorada grávida e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho, que acaba desaparecendo misteriosamente. 
Assustadoramente pessimista, uma obra que tira o ar do espectador e qualquer esperança na humanidade. Triste e trágico, mas muito bem construído.

4. Culpa
Dinamarca 2018 - 85' - Direção: Gustav Möller
Um policial está suspenso do trabalho nas ruas e é encarregado de receber ligações de emergência e apenas transmitir às delegacias responsáveis. A chamada de uma mulher desesperada, aparentemente sequestrada pelo ex-marido inicia uma corrida contra o relógio para evitar que uma tragédia aconteça. 
Um filme genial que, mesmo se passando em apenas duas salas, nos tira o fôlego tentando imaginar o que estaria acontecendo do outro lado da linha. Grande atuação de Jakob Cedergren e direção brilhante do estreante Möller.

5. Em Chamas
Coreia do Sul 2018 - 148' - Direção: Chang-dong Lee
Um rapaz que trabalha como entregador, rencontra uma antiga amiga de infância. A garota está com uma viagem marcada para o exterior e pede para Jong-soo cuidar de seu gato enquanto está longe. Quando ela volta, vem na companhia de um jovem misterioso que conheceu na África. Forma-se aí um triângulo amoroso tenso e difuncional, com segredos que vão se revelando aos poucos.
Um thriller instigante, sensual, divertido e, principalmente inesperado. O velho e bom cinema coreano sempre presente nas listas.


6. Infiltrado na Klan
EUA 2018 - 135' - Direção: Spike Lee
Em 1978, um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local, através de telefonemas, mas quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar.

Fazia tempo que Lee não mostrava seu talento, conseguindo extrair ritmo, tensão e comédia de sua agenda habitual. John David Washington, filho de Denzel, se destaca no papel central e uma atuação cheia de nuances.

7. Custódia
França 2017 - 93' - Direção: Xavier Legrand
Um casal se divorcia e, para garantir a proteção de seu filho do pai violento, a mãe pede a custódia exclusiva. O juiz, no entanto, acaba concedendo custódia compartilhada aos dois. Na batalha entre os pais, quem sofre as consequências será o filho.

Um drama sobre relacionamento, que acaba evoluindo para o horror da violência doméstica. Uma muito relevante nos dias atuais, dirigido e interpretado com segurança.

8. Em Pedaços
Alemanha / França 2017 - 106' - Direção: Fatih Akin
Após cumprir pena por tráfico de drogas, um imigrante turco leva uma vida tranquila com a esposa o filho pequeno em Berlin. Certo dia, ele e o menino estão no escritório e morrem vítimas de uma explosão terrorista. A viúva começa então uma batalha pela punição dos culpados.

Um drama atual que é elevado graças à excepcional atuação de Diane Kruger.

9. Projeto Flórida
EUA 2017 - 111' - Direção: Sean Baker

Nas imediações do mundo de fantasia da Disney, a realidade das famílias que vivem nos "projects" (habitações sociais em moteis decadentes) choca pela precariedade dramática. As crianças são o foco central do filme, sobrevivendo sobre os entulhos de uma sociedade falida. Um filme corajoso, muito premiado, com destaque para a bela atuação de Willem Dafoe, quase um alterego do espectador, discreto e empático. Lindo.


10. Trama Fantasma
EUA / Reino Unido - 130' - Direção: Paul Thomas Anderson
Na década de 1950, um renomado estilista veste grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração vem das mulheres que constantemente entram e saem de sua vida, até que conhece sua musa, uma mulher forte e inteligente que vira o jogo e passa a dominá-lo.
Belíssimo estudo de personagens de Anderson, misterioso e fluido. Muito valorizado por Daniel Day Lewis, provavelmente o melhor ator em atividade.


Outros destaques:

  • Viva, a Vida é uma Festa (Coco)
  • 120 Batimentos por MInutos (120 Battements per Minute)
  • Os Iniciados (Inxeba)
  • O Ódio que Você Semeia (The Hate U Give)
  • The Square: A Arte da Discórdia (The Square)
  • Minha Filha (Figlia Mia)
  • O Insulto (L'Insulte)
  • A Forma da Água (The Shape of Water)
  • Com Amor, Simon (Love, Simon)
  • Jogador Número Um (Ready Player One)
  • Buscando... (Searching)
  • Nos Vemos no Paraíso (Au Revoir, le Haut)
  • Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)
  • Nasce uma Estrela (A Star is Born)
  • Podres de Ricos (Crazy Rich Asians)
  • Pantera Negra (Black Panther)
  • De Volta (Go Home)
  • Conquistar, Amar e Viver Intensamente (Plaire, Aimer et Courir Vite)
  • O Terceiro Assassinato (Sandome no Satsujin)
  • Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
  • O Motorista de Táxi (Taeksi Woonjunsa) 
  • Marvin (Marvin)
  • Bohemian Rhapsody (Bohemian Rhapsody)
  • Hereditário (Hereditary)
  • Vingadores, a Guerra Infinita (Avengers: Infinity War)
  • Tully (Tully)
  • Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird)






quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2017


2017 foi especialmente marcante para o cinema nacional. Apesar de as bilheterias não terem sido tão espetaculares, a qualidade dos filmes melhorou a olhos vistos. Não são apenas três ou quatro exceções, houveram pelo menos 20 ótimos lançamentos.
A minha lista destaca dez deles e é injusta com muitos outros que ficaram de fora. Por isso recomendo a vocês: Prestigiem o cinema brasileiro!

1.  Corpo Elétrico (Elias - Kelner Macêdo - é estilista numa pequena confecção do centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Quando ele começa a fazer amizade com os outros funcionários, é desencorajado pelo chefe. Mas Elias não gosta muito de máquinas, ele prefere gente. Um lindo filme sobre o ser humano, apesar das diferenças, poder coexistir harmonicamente) (veja a crítica)

2.  O Filme da Minha Vida (O jovem Tony - Johnny Massaro - retorna à cidade natal e descobre que seu pai - Vincent Cassel -, voltou para França, abandonando a mãe. Ele consegue emprego como professor e resolve sair em busca do pai. Selton Mello parece ter encontrado sua voz como diretor. Uma voz doce, carregada de nostalgia e da sensibilidade de quem entende muito bem o que se passa no íntimo de suas personagens. Mas também é a voz de um artesão rigoroso, caprichoso em cada detalhe) (veja a crítica)

3.  Bingo, o Rei das Manhãs (Biografia disfarçada do primeiro ator a representar o palhaço Bozo no Brasil. Dirigido por Daniel Rezende, o filme tem um ritmo raro e uma atuação excepcional de Vladimir Brichta. O filme foi a escolha brasileira para concorrer ao Oscar, mas passou longe de uma indicação) (veja a crítica

4.  Pendular (Em um galpão abandonado, um casal de artistas contemporâneos observa a arte, a performance e sua intimidade se misturarem. Dirigido opor Júlia Murat, não é uma obra fácil, mas é muito elaborada e inteligente. É um daqueles filmes que nos estimula a pensar, não apenas sobre ele, mas sobre a vida) (veja a crítica

5.  Entre Irmãs (No interior de Pernambuco, nos anos 30, duas irmãs - Nanda Costa e Marjorie Estiano -, separadas pelo destino, terão que enfrentar as dificuldades do sertão e da cidade. Um épico folhetinesco, com romances e dramas exarcebados, que nas mãos do habilidoso Breno Silveira, consegue emocionar até os mais mal humorados) (veja a crítica

6.  Vazante (No início do século dezenove, em uma fazenda imponente e decadente, situada na região dos diamantes em Minas Gerais, brancos, negros nativos e recém-chegados da África sofrem com os conflitos e a incomunicabilidade gerada pela solidão e pelas tensões raciais. A diretora Daniela Thomas reconstrói com maestria as dificuldades cotidianas e da convivência forçada nas fazendas de então entre patrões e escravos)  (veja a crítica

7.  Mulher do Pai (Uma adolescente precisa cuidar do pai cego - Marat Descartes -, após a morte da avó que os criou como irmãos. Quando ele percebe o amadurecimento da filha, surge uma desconcertante intimidade entre eles. Mas, com a chegada de Rosário, o ciúme ganhará espaço na vida de ambos. O novo cinema brasileiro passa necessariamente pelo olhar feminino. A cineasta Cristiane Oliveira estreia na direção de longas com um trabalho minucioso sobre um roteiro recheado de nuances e significados que vão além da superfície)  (veja a crítica

8.  Gabriel e a Montanha (A história real de Gabriel Buchmann, um jovem aventureiro brasilero que decide ir para a África. Durante a viagem, Gabriel decide subir o Monte Mulanje, um dos mais altos do Malawi, mas por conta disso sua história se torna trágica. Fellipe Barbosa compôs um filme complexo e tenso. Utiliza um tom documental sem julgar seu protagonista e nos deixa tirar nossas próprias conclusões) (veja a crítica

9.  Divinas Divas (dirigido por Lendra Leal, este ótimo documentário aborda a primeira geração de artistas travestis do Brasil.na década de 1970,O filme acompanha o reencontro das artistas para a a montagem de um espetáculo, trazendo para a cena as histórias e memórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época) 

10.  Pitanga (Dirigido por Camila Pitanga, documenta a vida de Antônio Pitanga, um dos maiores atores do cinema nacional de todos os tempos, protagonista de momentos marcantes da cinematografia brasileira nas décadas de 1960 e 1970. Uma linda e merecida homenagem) 

Outros filmes que poderiam e deveriam fazer parte desta lista:

- As Duas Irenes

- Como Nossos Pais
- Divórcio
- A Cidade Onde Envelheço
- Fala Comigo
- No Intenso Agora
- Eu Fico Loko
- Redemoinho
- TOC - Transtornada Obsessiva Compulsiva
- Jonas e o Circo de Lona
- Esteros
- Martírio
- Era o Hotel Cambridge
- Amor.com


Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes Estrangeiros de 2017"














terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Os 10 Melhores Filmes Estrangeiros de 2017


Está cada vez mais complicado fazer a lista de melhores e delimitá-los apenas aos filmes lançados no cinema, porque com os serviços de streaming e as diversas mostras, muitos filmes não chegam ao circuito de exibição comercial, ou chegam com muito atraso. Mas este ano ainda iremos nos manter fieis à regra: Valem os filmes lançados nos cinemas brasileiros ao longo do ano que passou.
2017 foi um ano bastante irregular para o cinema. Muitos bons filmes lançados, mas nenhum chegou perto de ser uma obra-prima. Por isso mesmo, a ordem desta lista não é tão rigorosa, e não existe um filme muito melhor que os demais.

1.  Poesia Sem Fim (Autobiografia poética do mestre Alejandro Jodorowski que, durante o regime militar chileno, optou por seguir carreira na Europa e México realizando filmes surrealistas. O filme conta da sua infância ao seu amadurecimento como artista no Chile, chegando até sua partida. Divertido e lúdico, é o filme mais linear do ousado diretor, um prazer a ser degustado por cinéfilos, mas difícil para o espectador comum)

2.  Afterimage (Último e belo filme do maior cineasta polonês, Andrzej Wajda. retrata a vida do artista plástico Wladyslaw Strzeminski, que a despeito de suas dificuldades físicas, causadas por ferimentos de guerra e à opressão do regime soviético, continua fiel à sua obra vanguardista e disposto a influenciar seus jovens pupilos a não conformar-se com as diretrizes da cortina de ferro. O título faz referência a uma técnica ensinada pelo pintor: retratar a imagem que fica depois que cessa a exposição do objeto)

3.  Toni Erdmann (Um homem de meia idade, extrovertido e sempre disposto a fazer os outros rirem com ele, tenta se reaproximar da filha, uma executiva sisuda e rígida. A princípio nos sentimos constrangidos com a falta de noção do pai, mas logo entendemos as carências da filha e como eles acabam por se conectar. Um filme divertido e terno, mas principalmente estranho. Uma reflexão sobre a falta de humanidade na sociedade atual)

4.  La La Land (Um filme perfeito. o diretor Damien Chazelle consegue manter o ritmo empolgante durante todo o tempo, graças ao seu talento de músico. A receita inclui uma trama simples, intérpretes carismáticos e uma bela trilha sonora. O filme resgata a alegria do cinema, que há muito parecia esquecido. Sem esnobismos, o melhor filme americano do ano)

5.  Corpo e Alma (Filme húngaro sobre dois personagens socialmente desajustados, que acabam se encontrando e vencendo suas barreiras autoimpostas. Ela quase autista e ele recalcado por ter um braço sem movimento se aproximam graças a sonhos que têm em comum todas as noites e formam um casal improvável, difícil de causar empatia num primeiro momento, mas que transborda humanidade)

6.  Eu Não Sou Seu Negro (Documentário poderoso sobre a eterna luta contra a discriminação racial que atinge os Estados Unidos. Baseado num manuscrito inacabado de um livro do escritor James Balwin, que relata a morte de alguns dos principais expoentes do movimento negro do século passado. Surpreendentemente atual. Deixa um nó na garganta)

7.  Blade Runner 2049 (Parecia impossível fazer uma continuação do já clássico filme de Ridley Scott, mas o canadense Denis Villeneuve consegue ampliar e atualizar o universo do original, capturando a aparência de filme noir numa produção ainda mais espetacular. O encontro entre Ryan Gosling e Harrison Ford é sintomático das mudanças do mundo, tanto entre 1982 e 2017, como entre 2019 e 2049 da ficção)

8.  Os Cowboys (Um filme surpreendente, que utiliza a linha de desenvolvimento de 'The Searchers' de John Ford na Europa atual, assombrada pelo fantasma do fanatismo islâmico. Ótima estreia na direção do premiado roteirista Thomas Bidegain - de 'Ferrugem e Osso' - e atuações convincentes de François Damiens e Finnegan Oldfield)

9.  Eu, Daniel Blake (O inferno da burocracia não é privilégio do sistema de previdência brasileiro. Ken Loach descreve com humor e ternura a situação surreal em que seu personagem se vê, sem desprezar as sérias consequências de seu drama. E, mais uma vez, uma história banal nas mãos de um gênio vira um grande filme)

10.  Mulher Maravilha (Mais do que um bom filme de super heróis, este filme solo da poderosa amazona da DC é valorizado pelo olhar feminino da diretora Patty Jenkins - de 'Monster' -, que permite emoções além das que estamos acostumados no gênero. Como ação funciona muito bem também. Gal Gadot pode não ser muito expressiva, mas é linda e está perfeita na personagem)

Outros filmes que poderiam perfeitamente estar nesta lista:
- Personal Shopper
- O Apartamento
- Frantz
- O Filho de Joseph
- Logan
- Moonlight
- Sete Minutos Depois da Meia Noite
- Bom Comportamento
- O Ornitólogo
- A Espera
- Corra!
- Z, a Cidade Perdida
- Dunkirk
- Kiki, os Segredos do Desejo
- Colossal
- Doentes de Amor
- Detroit
- Motorista de Táxi
- O Reencontro
- Lady Macbeth
- Verão, 1993

Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2017"