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sábado, 2 de janeiro de 2016

Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2015


Foi um bom ano para o cinema nacional, com cerca de 130 lançamentos.
Nossos filmes estão melhores tecnicamente, os roteiros mais apurados, os diretores mais autorais e a variedade de temas impressiona.
Não vi todos os filmes nacionais lançados nos cinemas em 2015, nem conseguiria, mas vi boa parte deles. Por isso mesmo, a lista e 10 poderia ser bem maior.
Confira meus favoritos do ano! Prestigie os filmes brasileiros!

1.  A História da Eternidade (um mosaico de emoções humanas concentrado numa pequena vila no sertão pernambucano. o filme é contado através dos olhos de três mulheres ancoradas naquele lugar, os homens representam os sonhos e perigos da vida distante. linda fotografia, interpretações poderosas, notadamente de Irandhir Santos e Claudio Jaborandy. ótima estreia do diretor Camilo Cavalcante)

2.  Ausência (o filme de Chico Teixeira mostra, com delicadeza, o amadurecimento forçado de um garoto de 14 anos, através das suas perdas sucessivas. o bom roteiro nos leva a criar empatia pela falta de afeto que o aflige. mais uma atuação brilhante de Irandhir Santos num papel coadjuvante. belíssimo filme)

3.  Últimas Conversas (com a súbita morte do diretor Eduardo Coutinho, o filme foi concluído sem a sua supervisão, mas isso até o favorece, pois fortalece a imagem de testamento às novas gerações. um artista genial, que estava no auge aos 80 anos de idade, entrevista jovens de ensino médio, prestes a encarar seu futuro profissional. um raro cineasta capaz de assimilar profunda empatia por seus entrevistados e imprimi-la na tela. fará falta)

4 Casa Grande (um casal carioca leva uma vida bastante confortável, até irem à falência, ninguém sabe de seus problemas financeiros, nem mesmo o filho adolescente, que eventualmente terá que enfrentar a realidade. o diretor Felipe Barbosa acerta a mão em sua estreia em longas, ao dar o ritmo e o tom perfeitos. nada muito apressado, revelando aos poucos os dramas de cada personagem e sempre com um olhar irônico, quase malvado sobre a burguesia carioca. um ótimo filme, com a cara do novo cinema brasileiro)

5.  Sangue Azul (um circo monta lona em Fernando de Noronha. Daniel de Oliveira é o homem-bala, que foi criado na ilha, junto com a irmã, até o dia em que a mãe o mandou para longe temendo um incesto entre as duas crianças. agora adulto, ele reecontra a família para resolver as questões do passado que ainda o atormentam. a grande estrela do filme é a paisagem que proporciona uma fotografia hipnotizante. a atmosfera de ilha reforça os laços dos personagens e as relações nunca plenamente explicadas entre elas. todo elenco é sensacional, com destaque para a mãe Sandra Corveloni e seus sentimentos divididos)

6.  Cássia Eller (o melhor dos documentários é sempre a história que têm para contar e Cássia é uma grande história. o diretor Paulo Henrique Fontenelle não foge do convencional e perde algumas chances de produzir uma obra-prima, faltam shows, falta alma. mas com uma personagem assim, não dá para errar muito e a biografia, mesmo assim, emociona às lágrimas e é um dos melhores filmes do ano)

7.  Que Horas Ela Volta? (uma babá trabalha por anos na casa de uma família paulistana, criando o filho dos patrões, tendo deixado a própria filha em sua cidade natal para ser criada por outros. quando a filha muda-se para São Paulo, os seus mundos colidem. o melhor filme de Anna Muylaert conta com boas atuações, especialmente de Regina Casé. é, ao meu ver, sobre três mulheres que terceirizam a criação dos respectivos filhos em busca de sentido em suas vidas. o que estraga é o hype criado como panfleto de luta de classes, tolo e descabido)

8.  Califórnia (no início dos anos 1980. uma adolescente vive os conflitos típicos da idade. ela tem como ídolo um tio jornalista musical  - Caio Blat sempre bem -, que vive nos Estados Unidos. o maior sonho da menina é visitá-lo na Califórnia, durante as férias. mas seus planos vão por água abaixo quando ele volta doente para o Brasil. embora falte tarimba para Marina Person na direção de atores e a produção por vezes evidencie a falta de recursos, o filme me atingiu o coração por tratar com conhecimento de causa da mesma época da minha adolescência. a música está lá, os hábitos, as roupas e até aquele sentimento de um mundo em transformação)

9.  Entre Abelhas (Fábio Porchat é um editor de imagens, recém-separado da mulher, que começa a deixar de enxergar as pessoas. ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. o filme de estreia da turma do Porta dos Fundos não foi uma comédia histérica, mas um drama sutil, com, obviamente, toques de humor. talvez tanta sutileza não prenda o espectador, mas mantém a coerência de um roteiro bem construído fiel ao tema original. se não empolga, faz pensar. é mais do que se esperaria)

10.  Depois da Chuva (em 1984, quando a ditadura militar se enfraquece, dois jovens baianos de 16 anos começam a perceber que estão vivendo uma fase importante do país. a descoberta do contexto político, com as eleições diretas para presidente, mistura-se às descobertas sexuais e ao fim da adolescência. bom retrato de uma época importante de transição da política brasileira. nas entrelinhas,o filme mostra a gênese do pensamento político atual, com seus vícios e virtudes. boa atuação de Pedro Maia)

Extra:  O Sal da Terra (o documentário produzido por Brasil, França e Itália, com um diretor alemão e outro brasileiro, me deixou na dúvida se pode ser considerado "filme brasileiro", por isso entra como extra nesta lista. conta um pouco da trajetória de Sebastião Salgado, um dos maiores brasileiros da história. um fotógrafo genial que fez o mundo enxergar-se por outro ponto de vista. o filme tem a marca dos documentários de Wim Wenders, que consegue tirar segredos da alma do biografado, sem sensacionalismos. um filme digno do mestre)

Menções honrosas:
- Amor, Plástico e Barulho
- Ponte Aérea
- Branco Sai, Preto Fica
- Orestes
- Operações Especiais
- Beira-Mar
- Romance Policial
- O Duelo
- A Estrada 47
- O Vendedor de Passados


Veja ainda: "Os 10 Melhores Filmes de 2015"




Os 10 Melhores Filmes de 2015


Todos os anos eu faço no Listas de 10 a minha lista pessoal de melhores filmes. 
2015 foi um ano com muitos lançamentos, vários deles excelentes, mas provavelmente nenhum deles poderá ser lembrado para a posteridade como uma obra prima. 
Não é fácil chegar a apenas dez, por isso a lista está recheada de menções honrosas.
Como critério, os filmes que participam precisam ter estreado nos cinemas brasileiros ao longo do ano, por isso não valem os downloads e nem as mostras e festivais.
Aqui vão os melhores filmes estrangeiros de 2015, na minha opinião
(Os nacionais, com ótimos representantes, estarão numa lista à parte - clique aqui). 
Espero que gostem e descubram novos filmes.

1.  Sono de Inverno (vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2014, este é mais um grande filme do diretor turco Nuri Bilge Ceylan. nele um ator aposentado, comanda um pequeno hotel na Anatólia com a esposa, de quem ele se afastou emocionalmente, e sua irmã, que ainda sofre com seu divórcio recente. no inverno, a neve desperta neles o tédio e o ressentimento. o filme desnuda a arrogância dos burgueses ilustrados e sua dificuldade em interagir com um ambiente mais simples, que os isola. os problemas todos têm origem na impossibilidade de comunicação entre seus mundos)

2.  Timbuktu (em tempos de estúpidas radicalizações religiosas nos países árabes, este filme é urgente e corajoso. mostra como as doutrinas são aplicadas à força e sem fundamentação por radicais absurdamente violentos. a direção do mauritano Abderrahmane Sissako é brilhante, fluente e tensa. um filme para contar a história do nosso tempo)

3.  Dois Dias, Uma Noite (uma operária - a deusa Marion Cotillard - perde seu emprego, pois outros trabalhadores da fábrica optaram por receber um bônus em vez de mantê-la na equipe. ela terá um final de semana para tentar reverter a situação, se conseguir convencer alguns de seus colegas a mudar seus votos. os irmãos Dardenne conseguem criar um suspense exasperante a partir de um drama humano, sem efeitos especiais e sem firulas)

4.  Acima das Nuvens (uma famosa atriz - Juliette Binoche espetacular - fica perturbada com o fato de uma jovem estrela de Hollywood ser escalada para interpretar o papel que a fez famosa vinte anos atrás. convidada a dividir o palco com a novata, ela viaja até os Alpes para ensaiar, onde conta com o apoio de sua assistente - Kristen Stewart. o diretor Olivier Assayas consegue elevar a tensão da relação da atriz com sua assistente e com a jovem arrogante a níveis desconfortáveis. a paisagem ajuda a compor um mapa da consciência da personagem)

5.  Divertidamente (o melhor filme americano do ano, vem da Pixar, conta a história de uma garota desde o seu nascimento até seus doze anos, através das emoções contidas no seu cérebro, devidamente personificadas em Alegria, Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza. uma ideia genial e inesperada para uma animação, mas tão bem engendrada que funciona maravilhosamente. emociona, diverte e faz pensar)

6.  Star Wars: O Despertar da Força (sob a batuta de J.J.Abrams, a tão esperada continuação da saga não decepciona. o roteiro busca elementos já reconhecidos de episódios anteriores para nos deixar confortáveis com o retorno. ao mesmo tempo, traz novos personagens bem construídos, que atualizam o contexto. muitas dúvidas se fecham e mais ainda se abrem para próximos episódios. a emoção da força está de volta)

7.  O Conto da Princesa Kaguya (baseada no conto popular japonês "O corte do bambu". Kaguya era um minúsculo bebê quando foi encontrada dentro de um tronco de bambu brilhante. passado o tempo, ela se transforma em uma bela jovem, cobiçada por cinco nobres, dentre eles, o próprio Imperador. cada quadro do filme é uma obra de arte. são aquarelas delicadas, com cores suaves e traços simples. o roteiro é ótimo, a lenda é bem contada, as personagens cativam. mais uma prova da força criativa dos estúdios Ghibli, que teve seu fim anunciado este ano)

8.  Mad Max: Estrada da Fúria (uau! George Miller conseguiu de novo. atualizou seu anti-heroi num filme com duas horas de ação constante, quase nenhuma coerência e muita diversão. após ser capturado por um malvadão, que controla o fornecimento de água no deserto, Max - Tom Hardy - se vê no meio de uma fuga espetacular engendrada pela amante do vilão - Charlize Theron sensacional de novo -, que tenta salvar um grupo de garotas)

9.  Mia Madre (uma diretora de cinema está filmando de seu novo longa-metragem, protagonizado por um confuso astro internacional - John Turturro. paralelamente, ela precisa lidar com sua vida pessoal, o fim de um relacionamento e a doença da mãe. o novo filme de Nanni Moretti, o melhor diretor italiano deste século, é sobre alguém que tenta controlar tudo ao seu redor, mas a realidade lhe escapa pelas mãos. com uma sensibilidade rara, emociona do riso as lágrmas. lindo!)

10.  La Sapienza (um arquiteto no auge da carreira, viaja para a Itália, em companhia da esposa, para completar seu livro sobre Francesco Borromini. no caminho eles conhecem um jovem casal de irmãos. o rapaz está prestes a iniciar a faculdade de arquitetura e aceita acompanhar o mestre numa visita à Roma. na viagem, um redescobre a alegria de viver e o outro supera suas ansiedades. o diretor Eugène Green "arquiteta" seu filme com uma encenação antinatural, que evidencia os reais sentimentos das personagens sem subterfúgios. brilhante exercício narrativo. um filme "estranho", mas valioso)

Extra:  Mais um Ano (esta pérola dirigida por Mike Leigh é de 2010, eu assisti no ano seguinte, mas só estreou de verdade no Brasil em 2015. por isso a coloquei como "extra". conta a história de um casal de meia-idade com um casamento feliz, narrado em quatro atos: na Primavera, a visita de uma amiga do casal que se encontra a passar por uma crise de meia-idade; no Verão, a chegada de um amigo de longa data, alcoólatra e esperançoso por uma oportunidade no amor; no Outono, o filho do casal apresenta a nova namorada, e talvez, futura esposa; no Inverno, o irmão do protagonista tenta superar uma depressão depois do falecimento da esposa. ninguém mostra a vida dos ingleses como Leigh. um filme abençoado por intérpretes espetaculares, a ponto de Imelda Staunton fazer apenas uma pequena - mas luminosa - participação no início do filme. simples como a vida. cinema de verdade)

Menções honrosas: 
- Nostalgia da Luz
- Táxi Teerã
- Whiplash: Em Busca da Perfeição
- Phoenix
- A Travessia
- 14 Estações de Maria
- Força Maior
- Norte, o Fim da História
- O Ano Mais Violento
- Sicario: Terra de Ninguém
- A Ilha do Milharal
- Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
- As Mil e Uma Noites: Volume 1 - O Inquieto
- Leviatã

Outros destaques do ano: Livre, Cobain: Montage of Heck, Frank, A Canção do Oceano, Sniper Americano, O Jogo da Imitação, A Teoria de Tudo, Nick Cave: 20.000 Dias na Terra, O Amor é Estranho, Para Sempre Alice, Mapas para as Estrelas, Cinderela, Missão: Impossível - Nação Secreta, Ex Machina, Uma Nova Amiga, A Gangue, As Maravilhas, Quando Meus Pais Não Estão em Casa, Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência, Rainha e País, Woody Allen - Um Documentário, Love, Nocaute, Evereste, Amy, Perdido em Marte, A Colina Escarlate, Ponte dos Espiões, Capital Humano, Pecados Antigos Longas Sombras, Labirinto de Mentiras, O Clã, O Desaparecimento de Eleanor Rigby, O Clube, Dheepan: O Refúgio...

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