sexta-feira, 16 de outubro de 2009

10 Filmes Brasileiros 1991-2000











Collor chegou e o dinheiro acabou. Com o fim da Embrafilme, a produção cinematográfica dos anos 90 só começou a esquentar a partir de 95, quando foi lançado o filme "Carlota Joaquina", que apesar de amador e da baixíssima qualidade de direção e roteiro, foi considerado um marco da retomada.

Ao final da década, alguns jovens cineastas já começavam a se destacar e preparar a verdadeira virada do cinema brasileiro.

Apesar da amostra ser pequena, alguns ótimos filmes foram lançados.


1. O Quatrilho (1995 – Fábio Barreto. os Barreto nunca saíram de cena. Fábio dirige este belo romance, passado em 1910, numa comunidade rural no Rio Grande do Sul, habitada por imigrantes italianos. dois casais muito amigos se unem sob o teto de uma mesma casa. o tempo faz com que a esposa de um marido se interesse pelo marido da outra. ambos decidem fugir e recomeçar nova vida, deixando para trás seus parceiros. valeu a primeira indicação ao Oscar de filme estrangeiro desde 1963)

2. Sábado (1995 – Ugo Giorgetti. mais uma ótima comédia do diretor, explorando um mosaico de tipos humanos, que formam nossa sociedade. na cidade de São Paulo, durante um sábado, uma equipe de publicidade ocupa o saguão de um antigo edifício no centro da cidade, para a gravação de um comercial. mas um elevador quebrado obriga equipe e moradores a dividirem o mesmo espaço. desse convívio forçado surgem pequenos incidentes que tornam este sábado diferente de qualquer outro)

3. Como Nascem os Anjos (1996 – Murilo Salles. bom filme, explorando os contrastes sociais do Rio. bandido mata sem querer o chefe do tráfico do morro Dona Marta e tem que fugir, levando sua "mulher" - uma garota de 13 anos - e mais um garoto. na fuga param numa mansão de um americano, pedindo para usar o banheiro, mas ele acha que é um assalto, o que gera uma situação de tensão a família tornando-se refém)

4. Pequeno Dicionário Amoroso (1997 – Sandra Werneck. ótima comédia romântica, com boa edição e bom timing de direção. jovem casal se conhece e, conforme vão desenvolvendo sua relação, seguem um roteiro de verbetes como atração, felicidade, jogo, pesadelo, revanche, separação... formando o seu pequeno dicionário)

5. Os Matadores (1997 – Beto Brant. na divisa Brasil-Paraguai, dois matadores aguardam sua vítima, enquanto se revelam as histórias daquela região, onde a vida vale pouco. uma história de amizade, medo e traição que revelou o talento do diretor)

6. O Que é Isso Companheiro? (1997 – Bruno Barreto. o diretor mostra apuro técnico, neste filme que conta um pouco da história do terrorismo de esquerda durante a ditadura, culminando com o sequestro do embaixador americano, vivido por Alan Arkin. os ótimos atores humanizam e nos ajudam a compreender o idealismo. mais uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro)

7. Central do Brasil (1998 – Walter Salles. um road movie sentimental poderosíssimo. Fernanda Montenegro é Dora, uma mulher que vive de escrever cartas na estação de trens central do Rio. certo dia, uma mulher pede que escreva uma carta ao marido pedindo que este que conheça o filho deles. na saída da estação a mulher é atropelada e o garoto de 9 anos passa a viver na estação, até que Dora se dispõe a levá-lo ao Nordeste em busca do pai. Fernanda e o filme ganharam vários prêmios internacionais, incluindo o Golden Globe e o Festival de Berlim, além de concorrerem ao Oscar. seguramente um dos melhores filmes da história do cinema... no mundo)

8. Ação Entre Amigos (1998 – Beto Brant. quatro amigos são presos durante a ditadura e torturados por meses. 25 anos depois eles se reúnem para sequestrar e matar seu torturador, mas ele vai revelar o que não imaginavam. mais um ótimo filme de um dos melhores diretores desta geração)

9. Cronicamente Inviável (2000 – Sérgio Bianchi. um restaurante é o local onde diferentes personagens se encontram, mostrando as dificuldades de sobreviver, independente de suas condições sociais. um painel sobre a hipocrisia das relações de nossa sociedade, num filme pouco conhecido, mas muito interessante)

10. Eu, Tu, Eles (2000 – Andrucha Waddington. Regina Casé é uma mulher que vive com seus filhos e seus três maridos no interior do Nordeste. claro que a situação provoca tensões entre eles. inspirado numa personagem real, num filme otimista e agradável)

8 comentários:

  1. Tenho que confessar que tenho um certo receio (leia-se preconceito) com filmes brasileiros. Não por deixar algo a desejar para os filmes estrangeiros, mas sim por acharem que filme brasileiro tem que vir regado de xingamentos e palavreados patéticos para assim "ganhar" alguma audiência... Admito que adorei o filme Tropa de Elite, mas não por isso, e sim por ser um filme de completa ação e que te deixa ligado o tempo todo, mas acabo tendo dificuldades de ver filmes daqui de qualquer outro tipo de cenário, como romance, drama e etc... Um exemplo é o Central do Brasil, me desculpe quem gosta, mas eu não curti toda aquela coisa de palavreados xulos que saiam o tempo todo da Fernanda Montenegro...acho que essas coisas fazem o filme perder o real foco e ficar centrado nisso, que não faz com que ele ganhe qualquer tipo de atenção especial...

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    1. Falou o maior cinéfilo do país, sabe tudo, só lamento

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  2. Carol,
    Os xingamentos soam mais suaves em inglês, né? Mas estamos acostumados a ver filmes recheados de palavrões, só que em outras línguas, na nossa pesa mais mesmo.
    Assisti Central 3 vezes e os termos chulos nunca me incomodaram, afinal a Dora é uma mulher endurecida pela vida, mas vou rever e prestar atenção neste detalhe.
    Concordo que usar palavrões para causar reação na platéia é patético. Até hoje vejo isso no teatro e é um resquício das pornochanchadas, uma certa catarse infantil de poder xingar sem ser repreendido. Repare no teatro em peças ruins, o ator fala "p*** que o pariu" e o público cai na gargalhada. também não entendo a graça.
    O cinema brasileiro tem que ser compreendido historicamente e esse levantamento que fiz, me fez entender melhor.
    Na minha lista de hoje destacarei os filmes mais recentes e você vai ver a grande diferença. Estão bem mais maduros, como de resto também está a nossa sociedade.
    Obrigado pelos comentários.
    Abs!

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  3. Vc nao citou o genial BAILE PERFUMADO

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  4. Olá Ednaldo,
    Boa dica, Baile Perfumado é um filme bem interessante. Uma visão de Lampião pelos olhos de um mascate libanês. Linda fotografia e trilha do Chico Science.

    11. O Baile Perfumado

    Obrigado pela dica!
    Abs!!!

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  5. Eu considero um crime Central do brasil ter perdido o Oscar para A vida é bela, e a Fernanda Montenegro ter perdido o Oscar para Gwyneth Paltrow. Adoro seu blog!!

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  6. A moça que comentou no longínquo ano de 2009 afirmou que sente-se incomodada com o cinema nacional devido ao excesso de palavrões. Acho que não é a questão do cinema nacional ser chulo, a questão é que assistimos a filmes estrangeiros dublados e a dublagem "limpa" palavras mais pesadas. Vou dar um exemplo: uma vez assistindo um determinado filme, surgiu a ideia de de ve-lô legendado para praticar meu inglês. A frase "Fu** you" na versão original ficou "Vá para o inferno" na versão dublada. Passei a ver filmes com áudio em inglês com frequência e a quantidade de palavrões que a dublagem manipula é imensa. Já vi até a palavra "bitch" ser tranformada em "ela".
    E mudando de assunto, acho a Carla Camurati bem talentosa.
    B.M

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    1. Oi B.M.,
      Você tem razão. Fiz até uma lista sobre os filmes onde a palavra "fuck" é mais repetida. Procure-a!
      Quanto ao talento da Camurati, tenho que discordar. Ao menos como diretora, seu talento é zero.
      Abs!!!

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